Em um cenário industrial cada vez mais pressionado por margens estreitas, volatilidade cambial e exigências regulatórias rigorosas, a busca por eficiência deixou de ser uma vantagem competitiva para se tornar uma condição de sobrevivência. Setores como o farmacêutico, químico e de dispositivos médicos vivem hoje o desafio de reduzir custos sem comprometer qualidade, segurança e desempenho do produto, especialmente quando falamos das áreas de embalagens, cadeia de suprimentos e estratégias comerciais B2B.
Nesse contexto, temas como desenvolvimento de embalagens primárias e secundárias, harmonização de padrões produtivos e otimização de rotas de importação e exportação ganham protagonismo. São decisões técnicas que impactam diretamente o custo final do produto, o shelf life, o lead time e a sustentabilidade operacional das empresas.
Estudos setoriais indicam que embalagens podem representar entre 15% e 30% do custo total de um medicamento, dependendo do grau de complexidade regulatória e do volume produtivo. Além disso, ajustes logísticos ineficientes podem elevar o lead time em até 40%, impactando estoques, capital de giro e níveis de serviço ao cliente.
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Na América Latina, o cenário é ainda mais desafiador. A dependência de insumos importados, aliada a variações cambiais e gargalos logísticos, pode gerar aumentos imprevisíveis de custos. Dados do setor apontam que estratégias bem estruturadas e importação direta podem gerar economias entre 15% e 25%, quando comparadas a modelos tradicionais.
“Durante muitos anos, o mercado tratou embalagens apenas como um item obrigatório, quando na verdade elas são uma poderosa alavanca de competitividade. Harmonizar formatos, reduzir variações desnecessárias e repensar materiais pode gerar ganhos expressivos sem afetar a qualidade”, afirma Flausino Batista, executivo e especialista em vendas B2B, compras estratégicas e desenvolvimento de materiais industriais, convidado para colaborar com esta matéria.
A visão de quem viveu a transformação
Segundo Flausino, um dos erros mais comuns das empresas é separar excessivamente as áreas técnica, comercial e de suprimentos. “Quando compras, engenharia, produção e vendas trabalham de forma isolada, a empresa perde eficiência. Os melhores resultados que vi aconteceram quando essas áreas sentaram juntas para discutir custo total, não apenas preço unitário”, destaca.
O especialista foi um dos pioneiros na difusão do modelo de importação direta de padrões e materiais, inicialmente recebido com resistência pelo mercado. De acordo com ele, havia muito receio, principalmente regulatório e operacional.
“Mas, com dados, testes e transparência, conseguimos demonstrar reduções de custo próximas a 20%, além de maior previsibilidade logística. Hoje, esse modelo é amplamente adotado”, explica Flausino.
Uma carreira de técnica, gestão e negociação
Com mais de cinco décadas de atuação profissional, Flausino Batista construiu uma trajetória singular, combinando sólida formação acadêmica — Bacharel em Química, MBAs e especializações em administração, produção e custos industriais — com experiência prática em empresas de referência nos setores químico, farmacêutico e de dispositivos médicos.
Ao longo de sua carreira, ocupou posições estratégicas em empresas como Sandoz S/A, onde foi Gerente de Compras e posteriormente Head de Purchasing & Sourcing para a América Latina, gerenciando orçamentos anuais de até US$ 25 milhões e conduzindo negociações regionais que geraram economias milionárias.
Desde 2012, atua como Diretor Comercial da Eurobram Ltda., liderando equipes, estruturando orçamentos comerciais e impulsionando crescimento sustentável — com destaque para um aumento de 20% na receita já no primeiro ano como gestor da área de vendas.
Sua atuação extrapola o ambiente corporativo. Em 1986, foi convidado pelo SINDUSFARMA para coordenar um grupo de trabalho voltado à harmonização e padronização de embalagens secundárias e bulas, projeto que resultou na redução de custos de impressão e foi adotado por diversas indústrias farmacêuticas. Também idealizou e ministrou cursos internos focados em negociação técnica e financeira, contribuindo para a formação de novas lideranças.
Eficiência é cultura
Para Flausino, o maior aprendizado ao longo de sua trajetória é que eficiência não pode ser tratada como uma iniciativa isolada. “Projetos de redução de custos que não vêm acompanhados de mudança cultural tendem a fracassar. É preciso criar uma mentalidade de análise contínua, baseada em dados, respeito técnico e visão de longo prazo”, afirma.
Ele defende que empresas que investem em relacionamento de longo prazo com fornecedores, desenvolvimento conjunto de soluções e capacitação interna estão mais preparadas para enfrentar crises econômicas e mudanças regulatórias.
Em um ambiente industrial cada vez mais complexo e competitivo, a experiência mostra que resultados consistentes são fruto da integração entre conhecimento técnico, estratégia comercial e excelência operacional. Mais do que reduzir custos, trata-se de construir empresas mais eficientes, sustentáveis e preparadas para o futuro.
