Carros elétricos no Brasil registram desvalorização média de 38% a 45% em até 3 anos, contra 10% dos a combustão. Baterias caras, baixa liquidez e rápida obsolescência tecnológica ampliam o risco ao consumidor
Comprar um carro elétrico no Brasil pode parecer uma aposta no futuro da mobilidade, mas há um detalhe que assusta quem pensa em revenda: a desvalorização acelerada.
Enquanto veículos a combustão perdem em média pouco mais de 2% do valor por ano, os modelos 100% elétricos chegam a registrar quedas seis vezes maiores, o que coloca em alerta os consumidores que pretendem trocar de carro em poucos anos.
A desvalorização muito acima da média
Segundo um levantamento publicado pelo jornal O Tempo, veículos elétricos com dois a três anos de uso são vendidos até 45% abaixo da Tabela Fipe, mesmo quando possuem baixa quilometragem.
-
Quanto é preciso ganhar para manter Kwid, Polo, Corolla Cross, Haval H9 e Toyota SW4 financiados
-
A moto que se mantém em pé sozinha, sem o piloto precisar apoiar os pés no chão, já saiu do papel em protótipos da Honda e da Yamaha no Japão, que usam robótica e inteligência artificial, e não giroscópios pesados, para não tombar
-
Novo Hyundai brasileiro aparece novamente em teaser misterioso, revela detalhes da dianteira, mostra pela primeira vez a traseira, promete porte acima dos hatches e deve ocupar espaço entre HB20 e Creta
-
Adeus minivans tradicionais: a “Kombi chinesa” gigante da Leapmotor chega às lojas com 5,28 metros, bateria de até 115 kWh e versão elétrica de 720 km de autonomia para transformar o carro da família em uma sala executiva sobre rodas na China
Em contrapartida, carros a combustão usados no mesmo período apresentam uma perda média que varia entre 10% e 15% do valor inicial.
A consultoria InstaCarro reforça o cenário: enquanto um elétrico usado recupera em média apenas 56% do preço de tabela, modelos a combustão podem ultrapassar facilmente os 80% da Fipe em negociações de seminovos.

Por que os elétricos perdem tanto valor?
Existem três razões principais para essa diferença:
- Evolução tecnológica rápida – novos lançamentos chegam ao mercado com mais autonomia e recursos, tornando os modelos de poucos anos atrás menos atraentes.
- Incerteza sobre a bateria – no Brasil, ainda há desconfiança sobre a durabilidade das baterias, que custam quase o valor do carro para serem substituídas.
- Infraestrutura insuficiente – a baixa disponibilidade de pontos de recarga e oficinas especializadas desanima compradores de usados, reduzindo a liquidez desse mercado.
De acordo com Webmotors, o tempo médio de permanência de um elétrico em estoque é até 26% maior que o de modelos a combustão ou híbridos, mostrando que a revenda é mais lenta e difícil.
Impacto direto no bolso do consumidor
Um estudo da UAI mostrou que alguns modelos elétricos perderam até 38% do valor em apenas um ano, algo raro de se ver entre os carros tradicionais.
Para quem compra pensando em trocar de veículo no médio prazo, esse detalhe pode representar um prejuízo de dezenas de milhares de reais.
Além disso, como os preços dos modelos novos ainda são altos no Brasil, a queda acentuada no valor de revenda desestimula quem gostaria de migrar para a mobilidade elétrica, travando parte do crescimento esperado para o setor.
Vale a pena o risco?
O mercado brasileiro de carros elétricos ainda está em fase de amadurecimento, e isso se reflete diretamente no preço de revenda.
Para quem busca um veículo para uso prolongado, a compra pode ser interessante pelo menor custo de manutenção e economia em combustível.
Porém, quem pensa em revender em poucos anos precisa estar ciente de que a desvalorização de um elétrico é muito mais agressiva que a de um carro a combustão, podendo chegar a até seis vezes mais.
Na prática, a recomendação é simples: cuidado ao comprar um carro elétrico no Brasil se a intenção é usá-lo apenas como um degrau para trocar de modelo rapidamente.
A perda de valor pode transformar o sonho da mobilidade sustentável em um prejuízo considerável.

Seja o primeiro a reagir!