Cuba comprou mais de 300 drones militares da Rússia e do Irã desde 2023 e já discute cenários para utilizá-los contra alvos americanos, segundo reportagem do site Axios baseada em inteligência classificada dos Estados Unidos. Segundo informações do DW Español, os alvos considerados incluem a base naval de Guantánamo, navios de guerra e possivelmente Key West, na Flórida, a 150 quilômetros de Havana. Um coronel aposentado do Exército americano classificou a quantidade de drones como militarmente irrelevante.
Cuba entrou no radar da inteligência militar dos Estados Unidos por uma razão que até poucos anos atrás seria improvável: drones. Segundo reportagem do site americano Axios, publicada no domingo (17), relatórios classificados revelam que o governo cubano adquiriu mais de 300 drones militares da Rússia e do Irã desde 2023, armazenou os equipamentos em locais estratégicos pelo território da ilha e já iniciou discussões internas sobre como usá-los contra alvos dos Estados Unidos, incluindo a base naval de Guantánamo, embarcações militares americanas no Caribe e possivelmente Key West, no sul da Flórida, a apenas 150 quilômetros de Havana.
A revelação acontece em um momento de deterioração acelerada da relação entre Washington e Havana. Funcionários do governo Trump disseram ao Axios que a preocupação vai além da quantidade de drones: o que alarma é a presença de conselheiros militares iranianos em Cuba, o aprendizado de táticas de guerra com drones trazido por soldados cubanos que lutaram pela Rússia na Ucrânia, e o fato de que a ilha continua servindo de plataforma para instalações de espionagem eletrônico da Rússia e da China. O presidente cubano Miguel Díaz-Canel respondeu afirmando o direito de Cuba à autodefesa e alertando que um eventual ataque americano provocaria “um banho de sangue”.
O que a inteligência americana revelou sobre Cuba
O relatório obtido pelo Axios indica que Cuba vem adquirindo drones de ataque de “capacidades variadas” desde 2023, fornecidos pela Rússia e pelo Irã. No último mês, autoridades cubanas buscaram ainda mais drones e equipamentos militares da Rússia, segundo interceptações de inteligência citadas pela publicação. Os drones estão espalhados em locais estratégicos pelo território da ilha, embora o tipo exato não tenha sido oficialmente detalhado.
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Analistas militares apontam que os modelos provavelmente se assemelham ao Shahed-136 iraniano ou à variante russa conhecida como Geranium, os mesmos utilizados pela Rússia contra a Ucrânia e pelo Irã no Oriente Médio. O custo de exportação de cada Shahed é estimado entre 20 mil e 50 mil dólares, o que significa que o lote inteiro pode ter custado entre 6 e 15 milhões de dólares, valor acessível mesmo para a economia arrasada de Cuba.
Guantánamo, navios e Key West como possíveis alvos
Segundo o Axios, a inteligência americana interceptou discussões internas em que oficiais cubanos avaliaram cenários de uso dos drones contra três categorias de alvos: a base naval de Guantánamo, embarcações militares americanas no Caribe e, potencialmente, instalações em Key West, na Flórida. Cuba fica a apenas 150 quilômetros do ponto mais ao sul do território continental americano, distância que coloca drones de médio alcance dentro da faixa operacional.
A publicação americana também destacou que funcionários de inteligência de Cuba estão “tentando aprender como o Irã resistiu aos Estados Unidos”, segundo as interceptações. A presença de conselheiros militares iranianos em Havana reforça essa linha de cooperação. No entanto, analistas ouvidos pela reportagem ressaltam que Cuba não tem capacidade de fechar o Estreito da Flórida nem de reproduzir nada comparável à crise dos mísseis de 1962.
A reação de Cuba e a retórica de autodefesa
O presidente Díaz-Canel reagiu publicamente às revelações. Em declaração, afirmou o direito de Cuba à autodefesa e alertou que uma agressão americana resultaria em violência extrema. O chanceler cubano Bruno Rodríguez foi mais direto nas redes sociais: classificou o relatório como um “dossiê fraudulento” fabricado para justificar “a guerra econômica despiedada contra o povo cubano e a eventual agressão militar”.
A retórica de resistência não é nova em Cuba. O governo mantém há décadas a narrativa de que uma invasão americana é iminente e usa essa ameaça para justificar medidas de controle interno. Segundo o escritor e jornalista cubano Amir Valle, a estratégia atual serve a dois objetivos: posicionar Cuba como vítima diante da opinião pública internacional e gerar medo suficiente na população para manter a coesão em torno do regime, mesmo em condições de colapso econômico e energético.
Os 300 drones são realmente uma ameaça?
O coronel aposentado do Exército americano Manuel Superviel, ex-conselheiro do Comando Sul dos Estados Unidos, foi taxativo: os 300 drones são militarmente irrelevantes. Na guerra moderna, como a que se desenrola na Ucrânia, ataques envolvem milhares de drones em uma única operação e a capacidade ucraniana, hoje considerada a mais avançada do mundo nesse tipo de armamento, opera em escala incomparavelmente superior.
Superviel classificou a aquisição como um instrumento de propaganda, não de combate. Segundo ele, o objetivo de Cuba é criar a percepção de ameaça para assustar a opinião pública americana e atrair atenção da mídia, não para enfrentar o Comando Sul. A avaliação é compartilhada por outros analistas: Cuba não tem capacidade logística, aeronáutica nem de comando e controle para sustentar qualquer operação militar contra os Estados Unidos. A ameaça real, segundo os especialistas, está na espionagem eletrônica que Rússia e China conduzem a partir de instalações na ilha — e na possibilidade de que drones fornecidos pela Rússia e Irã sirvam como pretexto para uma escalada militar americana contra Cuba, com Guantánamo no centro da tensão.
A ilha que compra drones enquanto o povo vive sem luz
O contraste entre a aquisição de drones militares e a realidade cotidiana em Cuba é brutal. A rede elétrica da ilha sofreu mais um colapso parcial na última semana, deixando a maior parte da população sem energia por 20 horas ou mais por dia. Cuba enfrenta escassez de alimentos, medicamentos, água potável e combustível em níveis que analistas descrevem como os piores desde o Período Especial da década de 1990.
Enquanto milhões de cubanos lutam para sobreviver, o governo investiu entre 6 e 15 milhões de dólares em drones que um coronel americano considera inúteis. A prioridade dada à cooperação militar com Rússia e Irã, em detrimento de necessidades básicas da população, é apontada por críticos como evidência de que o regime prioriza sua própria sobrevivência política acima do bem-estar do povo. Valle resumiu a situação: Cuba está usando a narrativa de ameaça externa para ganhar tempo e evitar o colapso interno que parece cada vez mais inevitável.
Você acha que Cuba representa uma ameaça real para os Estados Unidos com esses drones, ou a história está sendo usada como pretexto por ambos os lados? O que mais chama sua atenção: a compra dos drones, a situação do povo cubano ou a presença de Rússia e Irã na ilha? Conta nos comentários.

