Consumo de energia cresce 5,6% em janeiro de 2026 com temperaturas elevadas. ONS alerta para reservatórios do Sul em nível crítico e alta dos custos de operação do sistema elétrico.
Consumo de energia no Brasil deve fechar o mês de janeiro de 2026 com crescimento expressivo de 5,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo projeções oficiais do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O avanço ocorre em meio a uma onda de calor persistente, que tem elevado o uso de equipamentos de refrigeração e ampliado a carga no Sistema Interligado Nacional (SIN).
Os dados constam do Programa Mensal da Operação (PMO), divulgado para a semana operativa entre os dias 10 e 16 de janeiro. O documento mostra que as temperaturas acima da média histórica já provocam impactos diretos na demanda por eletricidade em praticamente todas as regiões do país.
Além disso, o crescimento do consumo não se limita a picos pontuais. O ONS observa uma elevação contínua da carga, impulsionada pelo uso intensivo de ar-condicionado, ventiladores e sistemas de refrigeração comercial e industrial, sobretudo nos grandes centros urbanos.
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Calor intenso amplia carga no SIN e muda cenário operacional
De acordo com o ONS, a combinação entre altas temperaturas e padrão de consumo mais intenso vem exigindo ajustes constantes na operação do sistema elétrico. O aumento da carga pressiona a necessidade de geração firme, especialmente em horários de pico, quando a demanda se concentra no fim da tarde e à noite.
Esse cenário afeta diretamente o planejamento da operação, pois reduz margens de segurança e exige maior coordenação entre as fontes disponíveis. Ainda que a geração renovável tenha apresentado bom desempenho em algumas regiões, a variabilidade climática impõe desafios adicionais à gestão do sistema.
Reservatórios do Sul operam em nível crítico e acendem sinal de alerta
Enquanto o consumo de energia avança, a situação dos reservatórios da região Sul preocupa técnicos do setor. Segundo o ONS, os reservatórios do subsistema Sul operam com apenas 29,5% da Energia Armazenada Máxima (EARmáx), o menor nível entre todas as regiões do país.
Os dados atualizados mostram o seguinte quadro de armazenamento:
- Sul: 29,5%
- Sudeste/Centro-Oeste: 58,3%
- Nordeste: 74,6%
- Norte: 77,9%
O patamar baixo no Sul reflete a combinação de estiagens recorrentes e menor previsibilidade hidrológica. Por isso, o ONS já considera estratégias específicas para preservar os níveis de água disponíveis, evitando riscos maiores ao equilíbrio do sistema nos próximos meses.
Custo Marginal de Operação dispara e pressiona preços
Outro reflexo direto do aumento do consumo de energia é a elevação expressiva do Custo Marginal de Operação (CMO). Os valores médios semanais subiram de forma acentuada em todos os subsistemas do SIN, ultrapassando a marca de R$ 295 por megawatt-hora (MWh).
No Sudeste/Centro-Oeste e no Sul, o CMO avançou de R$ 119,10/MWh para R$ 296,18/MWh. No Nordeste, o custo chegou a R$ 295,73/MWh. Já no Norte, o valor médio saltou de R$ 289,25/MWh para R$ 296,18/MWh.
Segundo o ONS, essa alta reflete a redução das afluências, o menor nível de armazenamento em algumas regiões e a necessidade de maior despacho de usinas térmicas. Como consequência, os custos operacionais aumentam e tendem a influenciar o comportamento do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) nas próximas semanas.
Fontes renováveis ajudam, mas não eliminam riscos operacionais
Apesar do cenário mais pressionado, a geração hidráulica ainda responde por cerca de 65% da demanda nacional, mantendo papel central no atendimento ao consumo. As fontes renováveis complementares, como solar e eólica, seguem com desempenho relevante, especialmente no Nordeste, onde os parques operam com elevada produtividade.
No entanto, o ONS ressalta que a intermitência dessas fontes exige equilíbrio fino entre geração e demanda. Em períodos de calor extremo, quando o consumo cresce rapidamente, o sistema depende de fontes despacháveis para garantir estabilidade.
Nesse contexto, o uso complementar de usinas térmicas tem sido considerado essencial, sobretudo em regiões com restrições de transmissão ou menor capacidade de resposta imediata.
ONS adota medidas preventivas para enfrentar aumento do consumo
Diante do avanço do consumo de energia e das limitações operacionais observadas, o ONS vem implementando uma série de ações preventivas. Entre as principais medidas estão o reforço no despacho térmico em áreas críticas, a preservação estratégica dos reservatórios com menor capacidade de recuperação e o monitoramento contínuo das linhas de transmissão.
Além disso, ajustes operacionais em tempo real têm sido realizados para evitar sobrecargas, bem como avaliações constantes sobre o uso de energia de reserva e sistemas de armazenamento, que ganham relevância em cenários de maior estresse do sistema.
Transição energética amplia desafios e reforça importância da transmissão
O relatório do ONS também chama atenção para os desafios estruturais associados à transição energética. A expansão acelerada de fontes renováveis intermitentes aumenta a necessidade de flexibilidade operacional e de uma malha de transmissão mais robusta.
Com parte significativa da geração concentrada em regiões distantes dos grandes centros consumidores, gargalos no escoamento de energia se tornam mais evidentes em momentos de alta demanda e condições climáticas adversas.
Por isso, o ONS destaca que os leilões de transmissão previstos para os próximos anos serão decisivos para ampliar a segurança elétrica do país, reduzir riscos operacionais e garantir que o sistema consiga responder ao crescimento contínuo do consumo de energia em um cenário de mudanças climáticas cada vez mais intensas.

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