A Casa Itapororoca combina falésia, área preservada, madeira laminada colada e varanda aberta ao mar para mostrar como uma casa na Bahia pode nascer do terreno sem apagar a paisagem costeira.
Parte de uma casa na Bahia foi enterrada no próprio terreno para que a construção não disputasse atenção com a praia, a falésia e a vegetação ao redor. A obra fica no litoral baiano e recebeu o nome de Casa Itapororoca.
A informação foi publicada por Wallpaper, revista internacional de arquitetura e design, em 19 de outubro de 2025. O projeto é assinado pelo Bloco Arquitetos e usa madeira laminada colada para criar uma estrutura leve, aberta e conectada ao ambiente costeiro.
A casa fica em um terreno com 3 m de declive e a 30 m de uma falésia. A solução semienterrada faz a construção parecer mais discreta na entrada, mas revelar dois níveis pelo lado da praia.
-
O hábito simples de comer duas tâmaras por dia está chamando atenção por reunir fibras, minerais e antioxidantes em uma única porção e pode trazer efeitos surpreendentes para o intestino, os músculos, os olhos e o equilíbrio do organismo
-
O rio que “morre” no deserto, nunca chega ao mar e ainda assim dá vida a um dos maiores refúgios naturais da África de forma verdadeiramente impressioante
-
Um pedestre que passou por obras em uma rodovia na Suíça notou pedras dispostas de forma estranha no solo, e o que parecia entulho de construção era na verdade a fundação de um edifício romano soterrado a centímetros do asfalto, que ninguém havia conseguido localizar desde que foi parcialmente escavado pela primeira vez em 1860
-
Um homem sem-teto virou o único “morador” da mansão mais cara de Londres, uma casa de £210 milhões com 45 cômodos que permanece vazia enquanto ele vive na entrada
Por que parte da casa foi enterrada no terreno em declive
O terreno da Casa Itapororoca tem 3 m de declive. Em vez de tratar essa inclinação como problema, o projeto aproveitou a queda natural para encaixar parte da residência no solo.

Na prática, isso cria um efeito visual curioso. Pelo acesso principal, a casa parece ter apenas um pavimento. Pelo lado voltado para a praia, ela mostra dois níveis e se abre para o mar.
Essa escolha também reduz o impacto visual da construção. A casa não surge como um bloco alto diante da paisagem. Ela acompanha o desenho do terreno e aparece aos poucos.
Para o leitor leigo, a ideia é simples: a obra não tenta corrigir a natureza do lugar. Ela usa o próprio desnível para ficar mais baixa, mais integrada e menos agressiva ao entorno.
Como a madeira laminada colada sustenta a obra sem deixar a casa pesada
A madeira laminada colada é uma técnica que une camadas de madeira para formar peças resistentes. Essas peças podem virar vigas, pilares e partes importantes da estrutura.
Na Casa Itapororoca, esse material ajuda a sustentar a obra e também participa da aparência da residência. A estrutura fica mais leve aos olhos do que uma construção fechada e pesada.
Wallpaper, revista internacional de arquitetura e design, registrou que a casa foi pensada para se conectar à paisagem tropical ao redor. A escolha da madeira reforça essa leitura, porque cria transparência, sombra e uma sensação de abertura.
A madeira também conversa com a varanda ampla. Juntas, estrutura e varanda fazem a casa parecer menos isolada da mata e mais próxima do clima da praia.
A falésia exigiu recuo de 15 m e tornou a construção mais delicada
A residência está a 30 m de uma falésia. O projeto também precisou respeitar um recuo obrigatório de 15 m em relação à borda.

Esse dado é importante porque falésias são áreas sensíveis. Elas sofrem ação do vento, da chuva, do mar e do próprio desgaste natural do solo.
A região também aparece ligada ao Iphan, órgão federal de patrimônio histórico e artístico. Isso reforça que o projeto está inserido em um trecho costeiro que pede atenção especial.
Construir perto de uma falésia não envolve apenas vista bonita. É preciso respeitar limites, afastamentos e a forma como a obra se encaixa no ambiente.
A varanda aberta transforma a casa em mirante para o Atlântico
A varanda é uma das partes mais marcantes da Casa Itapororoca. Ela funciona como uma área entre o lado interno da residência e o lado externo, criando sombra e ventilação.
Esse tipo de espaço é fácil de entender para o público brasileiro. Muitas casas antigas usavam varandas largas para proteger do sol, receber pessoas e manter a casa mais fresca.
Na obra baiana, a varanda ganha outro papel. Ela abre a residência para a vista direta do Atlântico e cria uma passagem suave entre os quartos, as áreas de convivência, a vegetação e o mar.
O resultado não depende apenas de beleza. A varanda também ajuda a casa a respirar melhor no clima quente do litoral.
A casa parece pequena na entrada e se revela maior pelo lado da praia
Um dos pontos mais fortes do projeto está na mudança de percepção. Quem chega pelo nível de entrada vê uma casa mais contida, quase escondida no terreno.

Do lado da praia, a construção mostra outra escala. Os dois níveis aparecem, a varanda se destaca e a vista para o mar ganha força.
Esse efeito nasce da combinação entre terreno em declive, parte semienterrada e estrutura aberta. A casa não entrega tudo de uma vez.
Ela se revela conforme o olhar muda de posição. Primeiro parece discreta, depois mostra sua relação direta com a paisagem costeira.
Como construir perto da natureza sem dominar a paisagem
A Casa Itapororoca mostra que uma residência perto do mar pode buscar equilíbrio em vez de excesso. A paisagem não virou pano de fundo para uma construção dominante.
O projeto usa o terreno, a madeira e a varanda para criar uma casa que respeita o entorno. A solução também mostra que arquitetura em área sensível precisa considerar solo, vista, sombra e limite de ocupação.
A obra não é apenas uma casa de praia com visual sofisticado. Ela mostra uma forma de construir em que a natureza continua sendo a protagonista.
No fim, a Casa Itapororoca chama atenção justamente por tentar aparecer menos. A parte enterrada, a madeira laminada colada e a varanda aberta ao Atlântico ajudam a criar uma residência que acompanha o terreno em vez de dominar a falésia.
Em um litoral cada vez mais pressionado por construções, esse tipo de projeto levanta uma pergunta importante: casas perto do mar devem buscar mais impacto visual ou mais respeito pela paisagem que já existe? Comente sua opinião e compartilhe com quem gosta de arquitetura brasileira.

O ideal é ser transparente,ocupar o mínimo de espaço e material