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Construção civil em alerta: estudo projeta como o fim da escala 6×1 pode encarecer os custos com mão de obra e aumentar o valor dos imóveis

Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 01/05/2026 às 11:28
Atualizado em 01/05/2026 às 11:32
Com um custo extra de R$ 155,6 bilhões, a construção civil analisa os impactos da mudança na escala 6x1. Confira os dados do estudo da Cbic para o setor.
Com um custo extra de R$ 155,6 bilhões, a construção civil analisa os impactos da mudança na escala 6×1. Confira os dados do estudo da Cbic para o setor. (Imagem meramente ilustrativa)
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Com um custo extra de R$ 155,6 bilhões, a construção civil analisa os impactos da mudança na escala 6×1. Confira os dados do estudo da Cbic para o setor.

Para manter a produtividade atual diante de uma possível redução da jornada de trabalho, o setor da construção civil precisaria contratar cerca de 288 mil novos profissionais, gerando um custo bilionário para as empresas. É o que revela um estudo da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), divulgado em março de 2026, sobre os potenciais impactos do fim da escala 6×1.

O levantamento, baseado em dados oficiais da Rais de 2024, projeta que a transição para uma carga horária de 40 horas semanais pode elevar o custo da mão de obra em 15%, totalizando um gasto adicional de R$ 155,6 bilhões anuais para o mercado imobiliário e de infraestrutura no Brasil.

Construção civil e o fim da escala 6×1: Os três cenários projetados pelo estudo

A Cbic traçou diferentes caminhos que as construtoras poderiam seguir para compensar a perda estimada de 600 mil horas de trabalho por ano.

Cada alternativa traz um peso financeiro e social distinto para a construção civil:

  • Contratação em massa: Para repor as horas não trabalhadas, seria necessária a admissão de 288 mil celetistas. Deste total, 111 mil iriam para edifícios, 98 mil para serviços especializados e 79 mil para obras de infraestrutura, custando R$ 9,9 bilhões anuais.
  • Uso de horas extras: Manter a equipe atual com o adicional legal de 50% elevaria o gasto para R$ 14,8 bilhões por ano, sem contar os encargos trabalhistas básicos que acompanham esse valor.
  • Redução do ritmo: Sem novas contratações ou horas extras, o setor enfrentaria atrasos em obras e uma queda na oferta de novos imóveis, afetando toda a economia.

Impactos financeiros e a inflação do setor

Atualmente, o ramo já lida com custos que superam a inflação oficial. Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), o Índice Nacional de Custos da Construção (INCC) subiu 5,81% no acumulado de 12 meses até janeiro de 2026. Nesse mesmo período, o valor da mão de obra já havia encarecido 8,93%.

Com a extinção da escala 6×1, o estudo prevê que o valor da hora trabalhada saltaria de R$ 15,01 para R$ 16,51 — uma alta de 10% imediata. É preciso avaliar o tema de forma técnica, com dados confiáveis, defende o presidente da Cbic, Renato Correia.

Ele destaca que questões como a baixa produtividade e a escassez de mão de obra qualificada são gargalos que podem ser agravados com a mudança na jornada.

O levantamento ressalta que o efeito da nova jornada seria “ainda mais severo” para os pequenos negócios e para as construções populares.

Com um custo extra de R$ 155,6 bilhões, a construção civil analisa os impactos da mudança na escala 6x1. Confira os dados do estudo da Cbic para o setor.
Com um custo extra de R$ 155,6 bilhões, a construção civil analisa os impactos da mudança na escala 6×1. Confira os dados do estudo da Cbic para o setor. (Imagem meramente ilustrativa)

Na habitação de baixa renda, o gasto com trabalhadores representa quase 60% do custo total do projeto, o que tornaria as casas mais caras para o consumidor final.

  • Pequenos estabelecimentos: 98,7% das empresas do setor são micro e pequenas empresas.
  • Cadeia produtiva: O setor envolve cerca de 13 milhões de pessoas, entre fornecedores e prestadores de serviço.
  • Emprego formal: São cerca de 3 milhões de trabalhadores diretos com carteira assinada.

Desafios para a economia brasileira em 2026

O debate no Congresso Nacional sobre a redução da carga horária coloca a construção civil em uma encruzilhada. Como a mão de obra é o insumo mais pesado do setor, o repasse de custos para o preço dos apartamentos e das obras públicas parece inevitável.

Além dos R$ 13,5 bilhões em gastos diretos previstos para os empresários do ramo, há o risco de uma retração nos novos lançamentos imobiliários. Portanto, o estudo conclui que qualquer alteração na escala 6×1 exige uma análise profunda sobre como manter a sustentabilidade da indústria.

Sem ganhos de eficiência ou medidas compensatórias, os impactos financeiros podem frear o crescimento de um dos setores que mais gera empregos no país, transformando uma mudança na jornada de trabalho em um desafio logístico e inflacionário sem precedentes para a década.

Fonte: Notícias r7 e CBIC

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Ézio Junior do Nascimento
Ézio Junior do Nascimento
05/05/2026 21:50

Que comédia! E se passar para 48 horas semanal a casa sai de graça. Aposto que não baixaria um centavo. Só querem escravidão.

Eudes Gouveia da Silva
Eudes Gouveia da Silva
02/05/2026 04:58

No Município do Rio de Janeiro, segundo ajustado nas normas da Convenção Coletiva de Trabslho, a construção civil não trabalha aos sábados há mais de 30 anos. Nem tem alojamento na obra.
Ou seja, fazem 30 anos que a escala de trabalho da construção civil no RJ é 5×2.

Wilson
Wilson
Em resposta a  Eudes Gouveia da Silva
02/05/2026 14:55

Pergunta não ofende..Quanto jornalista recebeu que fez esta matéria recentemente dos empresários? Notadamente tendenciosa e maldosa..Será? ? W

Fonte
Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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