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Conheça a metralhadora robótica de 4.500 tiros por minuto que protege navios de guerra sozinha: o Phalanx CIWS dispara 75 balas por segundo ao detectar mísseis a 5 km de distância, reage automaticamente em 2 segundos sem intervenção humana e serve como última linha de defesa para porta-aviões americanos

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 24/02/2026 às 15:21
Atualizado em 24/02/2026 às 15:24
Assista o vídeoPhalanx CIWS que dispara 75 balas por segundo ao detectar mísseis a 5 km de distância, reage automaticamente em 2 segundos sem intervenção humana
Phalanx CIWS que dispara 75 balas por segundo ao detectar mísseis a 5 km de distância, reage automaticamente em 2 segundos sem intervenção humana
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Em janeiro de 2025, o sistema Phalanx CIWS destruiu um míssil Houthi a 1,6 km do USS Gravely no Mar Vermelho, salvando 300 marinheiros e comprovando sua eficácia como última linha de defesa naval dos EUA.

Em janeiro de 2025, um míssil de cruzeiro rebelde Houthi estava a segundos de atingir o destróier USS Gravely no Mar Vermelho quando o sistema Phalanx CIWS entrou em ação automaticamente e salvou mais de 300 marinheiros a bordo. O projétil inimigo chegou a apenas 1,6 km do navio antes de ser destruído por uma rajada de tungstênio que durou apenas 2 a 3 segundos — mas foi suficiente para evitar uma catástrofe. Esse incidente real revela por que o Phalanx Close-In Weapon System (CIWS), pronunciado “sea-whiz”, tornou-se a última barreira de defesa mais confiável da Marinha dos Estados Unidos desde 1980. Instalado em todas as classes de navios de combate de superfície americanos e nas frotas de 24 nações aliadas, o sistema automatizado custa uma fração do valor dos mísseis interceptores tradicionais, oferecendo proteção crítica contra ameaças que penetram todas as outras camadas de defesa.

Phalanx CIWS: o sistema de defesa naval que dispara 4.500 tiros por minuto

O Phalanx CIWS foi projetado pela General Dynamics (hoje Raytheon RTX) como resposta à ameaça crescente dos mísseis anti-navio soviéticos na década de 1970.

O coração do sistema é o canhão rotativo M61A1 Vulcan de 20 mm, o mesmo utilizado em aeronaves como F-15 e F-16. Com seis canos rotativos baseados no princípio do Dr. Gatling, o sistema dispara até 4.500 tiros por minuto, ou 75 projéteis por segundo.

A Phalanx Close-In Weapons System (CIWS) fires during a live fire exercise onboard amphibious assault ship USS Boxer in 2016. U.S. Navy video by Mass Communication Specialist 3rd Class Jesse Monford

Cada cano dispara apenas um sexto do tempo total, permitindo que durante uma rajada contínua de 20 segundos — tempo necessário para esvaziar o carregador de 1.550 munições — cada cano individual opere por apenas 3,3 segundos antes de resfriar.

Engajamentos típicos utilizam cerca de 300 projéteis, mantendo equilíbrio entre poder de fogo e controle térmico.

Sistema de defesa automática que detecta, rastreia e destrói sem intervenção humana

O grande diferencial do Phalanx está na sua autonomia total. O sistema pesa 6,2 toneladas e integra em uma única estrutura:

  • Radar de busca Ku-band
  • Radar de rastreamento
  • Sensores eletro-óticos e infravermelhos (FLIR)
  • Computador de controle de tiro
  • Canhão Gatling de seis canos

Em modo AAW Auto (standalone mode), utilizado em áreas de alto risco como o Mar Vermelho, o Phalanx funciona de forma completamente independente: detecta, avalia, rastreia, dispara e confirma a destruição da ameaça sem qualquer comando humano.

A antena superior em formato de barril rendeu ao sistema o apelido de “R2-D2”, devido à semelhança com o robô da franquia Star Wars.

Economia militar: US$ 46 por disparo contra mísseis que custam milhões

Enquanto mísseis interceptores como SM-2 (US$ 2 milhões cada) e ESSM são usados contra drones Houthi que custam poucos milhares de dólares, o Phalanx apresenta solução drasticamente mais econômica.

Reprodução/ZOna Militar

Cada cartucho Mk 244 Mod 0 de 20 mm custa US$ 46. Uma rajada típica de 2 segundos consome 150 projéteis, custando cerca de US$ 6.900.

O sistema completo Phalanx Block 1B custa aproximadamente US$ 13 milhões por unidade.

A munição Mk 244 Enhanced Lethality Cartridge (ELC) é 48% mais pesada que versões anteriores, produzindo maior energia cinética no impacto. A dispersão de tiro é 40% menor, aumentando precisão.

USS Gravely vs Houthis: o caso real que comprovou a eficácia do Phalanx em combate

O incidente de 30 de janeiro de 2025 tornou-se o primeiro uso confirmado do Phalanx contra míssil de cruzeiro real em combate naval.

O míssil Houthi viajava a aproximadamente 965 km/h e chegou a apenas 1,6 km do destróier antes da ativação automática do sistema.

Analistas estimaram que o míssil estava a 4 segundos do impacto quando foi destruído. A Raytheon RTX confirmou oficialmente o uso do sistema em maio de 2025.

Alcance curto, letalidade extrema: a última linha de defesa naval

O alcance efetivo do Phalanx varia entre 1,8 e 9 km, dependendo do alvo. O sistema pode interceptar:

  • Mísseis subsônicos e supersônicos até Mach 3
  • Drones
  • Helicópteros
  • Pequenas embarcações
  • Projéteis de artilharia e morteiros (versão C-RAM terrestre)

Contra mísseis balísticos ou hipersônicos acima de Mach 3, são necessários sistemas como SM-2 e SM-6.

Evolução tecnológica do Phalanx: Block 0 ao Block 1B

Desde 1980, o sistema passou por múltiplas atualizações:

Block 0 (1980) – Primeira geração.
Block 1 (1988) – Melhorias em radar e aumento do carregador para 1.550 projéteis.
Block 1A – Novo sistema computacional.
Block 1B PSuM (1999) – Inclusão de sensor FLIR e capacidade contra alvos de superfície.

Em 2017, a Raytheon testou nova arma elétrica substituindo o sistema pneumático, reduzindo peso e aumentando confiabilidade.

Em setembro de 2025, a empresa recebeu contrato de US$ 205 milhões para produção continuada e upgrades até 2029.

Presença global: mais de 850 sistemas em operação

Mais de 850 sistemas Phalanx estão em serviço em mais de duas dúzias de frotas ao redor do mundo. Porta-aviões americanos carregam três unidades; destróieres, uma ou duas. Usuários incluem:

  • Royal Navy
  • Royal Australian Navy
  • Royal Canadian Navy
  • Guarda Costeira dos EUA

O Brasil avaliou a aquisição para o PHM Atlântico, mas considerou o custo elevado.

Phalanx CIWS permanece indispensável 45 anos após sua criação

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Mesmo com avanços em defesa em camadas e integração em rede, o Phalanx permanece essencial por sua capacidade de:

  • Operar de forma independente
  • Responder em milissegundos
  • Atuar contra ameaças de baixa altitude
  • Proteger navios quando todas as outras camadas falham

O apelidado “R2-D2” provou, quatro décadas e meia após sua introdução, que continua sendo peça fundamental da doutrina naval moderna.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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