Em janeiro de 2025, o sistema Phalanx CIWS destruiu um míssil Houthi a 1,6 km do USS Gravely no Mar Vermelho, salvando 300 marinheiros e comprovando sua eficácia como última linha de defesa naval dos EUA.
Em janeiro de 2025, um míssil de cruzeiro rebelde Houthi estava a segundos de atingir o destróier USS Gravely no Mar Vermelho quando o sistema Phalanx CIWS entrou em ação automaticamente e salvou mais de 300 marinheiros a bordo. O projétil inimigo chegou a apenas 1,6 km do navio antes de ser destruído por uma rajada de tungstênio que durou apenas 2 a 3 segundos — mas foi suficiente para evitar uma catástrofe. Esse incidente real revela por que o Phalanx Close-In Weapon System (CIWS), pronunciado “sea-whiz”, tornou-se a última barreira de defesa mais confiável da Marinha dos Estados Unidos desde 1980. Instalado em todas as classes de navios de combate de superfície americanos e nas frotas de 24 nações aliadas, o sistema automatizado custa uma fração do valor dos mísseis interceptores tradicionais, oferecendo proteção crítica contra ameaças que penetram todas as outras camadas de defesa.
Phalanx CIWS: o sistema de defesa naval que dispara 4.500 tiros por minuto
O Phalanx CIWS foi projetado pela General Dynamics (hoje Raytheon RTX) como resposta à ameaça crescente dos mísseis anti-navio soviéticos na década de 1970.
O coração do sistema é o canhão rotativo M61A1 Vulcan de 20 mm, o mesmo utilizado em aeronaves como F-15 e F-16. Com seis canos rotativos baseados no princípio do Dr. Gatling, o sistema dispara até 4.500 tiros por minuto, ou 75 projéteis por segundo.
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Cada cano dispara apenas um sexto do tempo total, permitindo que durante uma rajada contínua de 20 segundos — tempo necessário para esvaziar o carregador de 1.550 munições — cada cano individual opere por apenas 3,3 segundos antes de resfriar.
Engajamentos típicos utilizam cerca de 300 projéteis, mantendo equilíbrio entre poder de fogo e controle térmico.
Sistema de defesa automática que detecta, rastreia e destrói sem intervenção humana
O grande diferencial do Phalanx está na sua autonomia total. O sistema pesa 6,2 toneladas e integra em uma única estrutura:
- Radar de busca Ku-band
- Radar de rastreamento
- Sensores eletro-óticos e infravermelhos (FLIR)
- Computador de controle de tiro
- Canhão Gatling de seis canos
Em modo AAW Auto (standalone mode), utilizado em áreas de alto risco como o Mar Vermelho, o Phalanx funciona de forma completamente independente: detecta, avalia, rastreia, dispara e confirma a destruição da ameaça sem qualquer comando humano.
A antena superior em formato de barril rendeu ao sistema o apelido de “R2-D2”, devido à semelhança com o robô da franquia Star Wars.
Economia militar: US$ 46 por disparo contra mísseis que custam milhões
Enquanto mísseis interceptores como SM-2 (US$ 2 milhões cada) e ESSM são usados contra drones Houthi que custam poucos milhares de dólares, o Phalanx apresenta solução drasticamente mais econômica.

Cada cartucho Mk 244 Mod 0 de 20 mm custa US$ 46. Uma rajada típica de 2 segundos consome 150 projéteis, custando cerca de US$ 6.900.
O sistema completo Phalanx Block 1B custa aproximadamente US$ 13 milhões por unidade.
A munição Mk 244 Enhanced Lethality Cartridge (ELC) é 48% mais pesada que versões anteriores, produzindo maior energia cinética no impacto. A dispersão de tiro é 40% menor, aumentando precisão.
USS Gravely vs Houthis: o caso real que comprovou a eficácia do Phalanx em combate
O incidente de 30 de janeiro de 2025 tornou-se o primeiro uso confirmado do Phalanx contra míssil de cruzeiro real em combate naval.
O míssil Houthi viajava a aproximadamente 965 km/h e chegou a apenas 1,6 km do destróier antes da ativação automática do sistema.
Analistas estimaram que o míssil estava a 4 segundos do impacto quando foi destruído. A Raytheon RTX confirmou oficialmente o uso do sistema em maio de 2025.
Alcance curto, letalidade extrema: a última linha de defesa naval
O alcance efetivo do Phalanx varia entre 1,8 e 9 km, dependendo do alvo. O sistema pode interceptar:
- Mísseis subsônicos e supersônicos até Mach 3
- Drones
- Helicópteros
- Pequenas embarcações
- Projéteis de artilharia e morteiros (versão C-RAM terrestre)
Contra mísseis balísticos ou hipersônicos acima de Mach 3, são necessários sistemas como SM-2 e SM-6.
Evolução tecnológica do Phalanx: Block 0 ao Block 1B
Desde 1980, o sistema passou por múltiplas atualizações:
Block 0 (1980) – Primeira geração.
Block 1 (1988) – Melhorias em radar e aumento do carregador para 1.550 projéteis.
Block 1A – Novo sistema computacional.
Block 1B PSuM (1999) – Inclusão de sensor FLIR e capacidade contra alvos de superfície.
Em 2017, a Raytheon testou nova arma elétrica substituindo o sistema pneumático, reduzindo peso e aumentando confiabilidade.
Em setembro de 2025, a empresa recebeu contrato de US$ 205 milhões para produção continuada e upgrades até 2029.
Presença global: mais de 850 sistemas em operação
Mais de 850 sistemas Phalanx estão em serviço em mais de duas dúzias de frotas ao redor do mundo. Porta-aviões americanos carregam três unidades; destróieres, uma ou duas. Usuários incluem:
- Royal Navy
- Royal Australian Navy
- Royal Canadian Navy
- Guarda Costeira dos EUA
O Brasil avaliou a aquisição para o PHM Atlântico, mas considerou o custo elevado.
Phalanx CIWS permanece indispensável 45 anos após sua criação
Mesmo com avanços em defesa em camadas e integração em rede, o Phalanx permanece essencial por sua capacidade de:
- Operar de forma independente
- Responder em milissegundos
- Atuar contra ameaças de baixa altitude
- Proteger navios quando todas as outras camadas falham
O apelidado “R2-D2” provou, quatro décadas e meia após sua introdução, que continua sendo peça fundamental da doutrina naval moderna.


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