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Como uma bateria mecânica com volantes de 40 toneladas pode evitar novos apagões como o da Espanha e Portugal e impedir que falhas na rede elétrica voltem a causar caos, prejuízos e mortes indiretas

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 24/02/2026 às 10:22
Atualizado em 24/02/2026 às 10:24
Assista o vídeoApós o colapso em Espanha e Portugal, a bateria mecânica com volantes de inércia ganha espaço para reduzir apagões e estabilizar a rede elétrica em momentos críticos.
Após o colapso em Espanha e Portugal, a bateria mecânica com volantes de inércia ganha espaço para reduzir apagões e estabilizar a rede elétrica em momentos críticos.
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Depois do apagão que atingiu Espanha e Portugal e afetou também áreas da França e do Marrocos, cresce o debate sobre como bateria mecânica com volantes de inércia, compensadores síncronos e resposta instantânea pode estabilizar frequência, reduzir colapsos e ganhar espaço nas redes renováveis em momentos de pico e falha

A discussão sobre bateria mecânica voltou ao centro da segurança energética depois do colapso que atingiu Espanha e Portugal em 28 de abril de 2025. O episódio expôs como uma rede elétrica com forte participação de renováveis pode sofrer quando falta inércia rotacional para absorver oscilações de tensão e frequência.

O ponto central não é vender uma solução milagrosa, mas entender função e limite. Volantes de inércia entregam resposta muito rápida, ajudam a segurar a estabilidade nos segundos mais críticos e podem reduzir o risco de novos apagões, mas não substituem sozinhos outras camadas de proteção e armazenamento.

Por que a inércia virou tema de segurança depois de Espanha e Portugal

Quando a falha se espalhou por Espanha e Portugal, os efeitos passaram do desconforto doméstico para uma crise de infraestrutura, com impacto econômico severo e relatos de mortes indiretas associados ao apagão.

Partes da França e do Marrocos também foram afetadas, o que mostrou como uma rede elétrica interligada amplia a velocidade de propagação de problemas.

Nesse cenário, a questão técnica ganhou peso político e operacional.

Sem inércia suficiente na rede elétrica, aumentos bruscos de demanda ou variações de frequência podem escapar do controle em cascata, especialmente em sistemas com alta presença de fontes renováveis e menor contribuição de grandes rotores síncronos convencionais.

Como a bateria mecânica funciona e por que reage tão rápido

Uma bateria mecânica, neste contexto, armazena energia em rotação.

Em vez de guardar energia em reações químicas, ela usa um volante pesado que gira em alta velocidade e depois devolve eletricidade por meio de um gerador, aproveitando a inércia rotacional acumulada.

Esse desenho explica a utilidade dos volantes de inércia para estabilização.

O material descreve eficiência de ciclo completo na faixa de 90% a 95%, além de carga e descarga muito rápidas, com comportamento comparado ao de supercapacitores.

Para segurar oscilações de curtíssimo prazo, essa agilidade pesa mais do que a duração longa.

O que o Reino Unido fez após 2019 e por que esse caso virou referência

O Reino Unido enfrentou apagões semelhantes em 2019 e respondeu com um programa de estabilização da rede elétrica conduzido pela operadora nacional NESO, descrito como inédito.

Um dos exemplos centrais é o Greener Grid Park em Liverpool, inaugurado em 2023 com participação da Statkraft.

A instalação reúne dois volantes de inércia de 40 toneladas cada, conectados a compensadores síncronos e apoiados por baterias para armazenamento mais longo.

Segundo os dados apresentados, esse local fornece cerca de 1% da inércia para a rede elétrica da Inglaterra, Escócia e País de Gales.

O dado chama atenção porque mostra escala real, não apenas teste de laboratório.

O mesmo material aponta que a NESO já tinha 11 projetos semelhantes em operação na Grã Bretanha desde 2023, com planos de expansão.

Isso ajuda a explicar por que o debate sobre bateria mecânica deixou de ser apenas uma curiosidade tecnológica e passou a entrar no planejamento de confiabilidade de sistemas elétricos.

Onde mais os volantes de inércia estão avançando e quanto isso já se expandiu

A expansão não aparece só na discussão sobre Espanha e Portugal.

Em Salt Lake City, a Torus aparece com contratos em clientes comerciais e acordo com a Rocky Mountain Power para 70 MW de sistemas combinando FESS e baterias, além da abertura de uma fábrica de 50.168 metros quadrados e investimento de US$ 200 milhões para acelerar implantação.

Já a Amber Kinetics, em parceria com a Kawasaki Heavy Industries, combina FESS com tecnologia de gerador síncrono virtual, o iVSG, para criar uma camada adicional de estabilização.

O objetivo declarado é suavizar oscilações de tensão e melhorar a integração de renováveis, com foco inicial em Filipinas e Japão.

Aqui a lógica é clara, software e rotação física trabalham juntos.

No Porto de Roterdã, a QuinteQ testou sistemas em contêineres para atender guindastes em parceria com a Rhenus Logistics.

O material cita fornecimento de cerca de 400 kW e redução de até 65% na demanda máxima desses equipamentos.

Esse uso é diferente da proteção contra apagões, mas reforça a mesma ideia, volantes de inércia são úteis para amortecer picos e vales em uma rede elétrica congestionada.

Limites, custos e riscos que impedem tratar a bateria mecânica como solução total

Há um motivo para a bateria mecânica não ser apresentada como solução definitiva. Os volantes de inércia perdem energia com o tempo por atrito residual, mesmo com soluções avançadas, e o material cita perdas de 5% a 20% por hora.

Isso reduz a competitividade para armazenamento de longo prazo e explica a associação frequente com baterias químicas.

Os custos iniciais também pesam. Materiais resistentes, rolamentos magnéticos, câmaras de vácuo, engenharia de contenção e instalação segura elevam o investimento.

Como são massas muito pesadas girando em alta velocidade, o projeto precisa tratar risco mecânico com rigor, inclusive com estruturas de contenção e posicionamento cuidadoso.

Ainda assim, o argumento de defesa do sistema continua forte.

Vida útil longa, baixa manutenção relativa e resposta instantânea tornam a bateria mecânica atraente para funções específicas de estabilização, sobretudo em redes com mais renováveis e demanda mais imprevisível.

O que muda para os próximos apagões e onde essa tecnologia realmente pode fazer diferença

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A lição mais importante do debate não é que volantes de inércia resolvem tudo.

A lição é que apagões em rede elétrica moderna podem nascer em segundos e se espalhar rápido, enquanto a recomposição leva horas. Nesse intervalo, danos econômicos e efeitos indiretos se acumulam.

Por isso, a combinação de camadas tende a ganhar força, volantes de inércia para resposta imediata, baterias para sustentação, software de controle para coordenar a frequência e planejamento de rede para reduzir vulnerabilidades.

Depois de Espanha e Portugal, esse arranjo deixou de parecer excesso de cautela e passou a soar como gestão de risco.

O debate sobre apagões, rede elétrica e renováveis ficou mais concreto depois de Espanha e Portugal porque mostrou um problema físico, não apenas político.

Quando falta inércia no momento errado, a conta chega para hospitais, transporte, comércio e famílias.

Na sua opinião, se você fosse priorizar investimento para evitar novos apagões, colocaria mais recursos em bateria mecânica com volantes de inércia para resposta imediata ou em baterias tradicionais para duração maior, e por quê?

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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