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Como Santa Catarina está fincando pilares brutais de 35 metros nos morros para erguer viadutos que fazem carros voarem sobre os vales da BR-280

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 29/04/2026 às 23:16
Atualizado em 29/04/2026 às 23:21
SC finca pilares de 35 metros nos morros para erguer viadutos na BR-280. A pista sobre os vales de Jaraguá do Sul custa R$ 100 milhões. Veja como nascem.
SC finca pilares de 35 metros nos morros para erguer viadutos na BR-280. A pista sobre os vales de Jaraguá do Sul custa R$ 100 milhões. Veja como nascem.
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Santa Catarina constrói dois viadutos nos km 64 e 65 da BR-280 com pilares de até 35 metros nos morros de Jaraguá do Sul e vigas de 1,8 metro que sustentam a pista sobre os vales, investimento de R$ 100 milhões no lote 2.2 que ultrapassa 77% e deve ser entregue no segundo semestre de 2026.

Santa Catarina está fincando pilares de concreto armado nos morros do Norte catarinense para erguer viadutos que vão fazer veículos cruzarem vales a dezenas de metros de altura numa das obras de infraestrutura rodoviária mais impressionantes em execução no estado. Os dois viadutos em construção nos km 64 e 65 da BR-280, em Jaraguá do Sul, fazem parte do lote 2.2 da duplicação que corta os municípios de Jaraguá do Sul, Guaramirim e Schroeder, trecho com mais de 77% das obras concluídas e que representa o segmento mais avançado de toda a duplicação. As estruturas vão conectar os bairros João Pessoa e Três Rios permitindo travessia em desnível que elimina cruzamentos perigosos e melhora o fluxo de veículos com impacto mínimo sobre o terreno natural dos morros.

O investimento nos viadutos ultrapassa R$ 100 milhões e a previsão de entrega é o segundo semestre de 2026. Um dos viadutos tem 85,36 metros de extensão enquanto o outro alcança 220,30 metros, dimensões que exigem engenharia de precisão para sustentar uma pista rodoviária a alturas que variam conforme a profundidade dos vales e a inclinação dos morros que a BR-280 precisa atravessar. Segundo o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), os pilares dos elevados podem chegar a 24 metros no lado esquerdo e 35 metros no lado direito da estrutura, assimetria que reflete a irregularidade do relevo sobre o qual os viadutos se apoiam.

Como os pilares dos viadutos são construídos nos morros da BR-280

SC finca pilares de 35 metros nos morros para erguer viadutos na BR-280. A pista sobre os vales de Jaraguá do Sul custa R$ 100 milhões. Veja como nascem.

A construção de pilares de 35 metros em terreno montanhoso não é tarefa que se resolve com equipamento comum. Cada pilar dos viadutos nasce com escavação profunda no solo rochoso dos morros, onde fundações são ancoradas em camadas de rocha estável capazes de suportar o peso da estrutura completa incluindo o tráfego de caminhões carregados que circularão sobre a pista. O processo exige sondagem geológica prévia que mapeia a composição do subsolo em cada ponto de apoio, porque a resistência do terreno varia ao longo do traçado e pilares posicionados em pontos frágeis comprometeriam toda a obra.

A assimetria na altura dos pilares é consequência direta da topografia. Em trechos onde a rodovia precisa atravessar vales ou áreas mais baixas entre os morros, os pilares são proporcionalmente mais altos para manter o nível da pista e garantir trajetória contínua sem subidas e descidas que forçariam motoristas a frear e acelerar repetidamente. O pilar de 35 metros no lado direito da estrutura está posicionado sobre depressão mais profunda do terreno, enquanto o de 24 metros no lado esquerdo se apoia em elevação menos acentuada, diferença que visualmente cria efeito de pista flutuando sobre o vale em ângulo que acompanha a curvatura natural do relevo.

O papel das vigas longarinas na sustentação dos viadutos

SC finca pilares de 35 metros nos morros para erguer viadutos na BR-280. A pista sobre os vales de Jaraguá do Sul custa R$ 100 milhões. Veja como nascem.

Além da altura impressionante dos pilares, outro componente essencial da engenharia dos viadutos são as vigas longarinas que formam a base sobre a qual a pista será pavimentada. Cada viga tem aproximadamente 1,8 metro de altura e é posicionada na horizontal entre os pilares, criando a estrutura plana que sustenta o peso da superfície de rolamento e distribui as cargas de tráfego uniformemente para as colunas de apoio. As vigas funcionam como “ossos” dos viadutos: sem elas, os pilares seriam apenas colunas isoladas incapazes de sustentar qualquer veículo.

O lançamento das vigas é considerado uma das etapas mais delicadas da construção dos viadutos. Cada peça precisa ser erguida por guindastes de grande porte e posicionada com precisão milimétrica sobre os apoios dos pilares, operação que acontece a dezenas de metros do solo e que exige equipes especializadas trabalhando em condições onde qualquer erro de cálculo pode comprometer a estabilidade da estrutura inteira. A fase atual das obras nos viadutos da BR-280 se concentra justamente nesse procedimento, e sua conclusão abrirá caminho para a pavimentação da pista e a sinalização que precedem a liberação ao tráfego.

Por que os viadutos são necessários neste trecho da BR-280

O relevo acidentado do Norte catarinense impõe escolha entre duas abordagens: contornar os morros com estrada sinuosa ou atravessá-los com estruturas que mantenham a pista em nível constante. Os viadutos representam a segunda opção, solução de engenharia que elimina curvas perigosas, reduz inclinações que forçam o sistema de freios de veículos pesados e diminui o tempo de percurso ao substituir quilômetros de contorno por travessia direta sobre os vales. Para caminhões que transportam produção industrial da região de Jaraguá do Sul, cada curva eliminada e cada quilômetro encurtado se traduz em economia de combustível, tempo e desgaste mecânico que impacta diretamente o custo logístico.

A segurança viária é o outro argumento central para a construção dos viadutos. A BR-280 atual obriga motoristas a negociar curvas fechadas em terreno montanhoso com visibilidade limitada, condição que multiplica o risco de acidentes especialmente em dias de chuva ou neblina quando a pista molhada e a visão reduzida transformam cada curva em ponto potencial de colisão. Com os viadutos, o trajeto entre os bairros João Pessoa e Três Rios se torna retilíneo e elevado, combinação que oferece visibilidade ampla e traçado previsível que reduz drasticamente a probabilidade de acidentes.

O que falta para os viadutos da BR-280 ficarem prontos

Com mais de 77% do lote 2.2 concluído, o trabalho pesado de fundações e pilares está majoritariamente realizado. O que resta nos viadutos é a finalização do lançamento das vigas longarinas, a pavimentação da superfície de rolamento, a instalação de guarda-corpos e barreiras laterais de proteção, a sinalização horizontal e vertical e os testes de carga que verificam se a estrutura suporta o peso para o qual foi dimensionada antes de ser liberada ao tráfego. Cada uma dessas etapas é essencial, mas nenhuma envolve o mesmo grau de complexidade e risco que a escavação nos morros e o erguimento dos pilares de 35 metros.

A previsão de entrega no segundo semestre de 2026 depende de condições climáticas e do ritmo de fornecimento de materiais. Chuvas prolongadas podem atrasar o lançamento de vigas e a pavimentação, e qualquer interrupção no fornecimento de concreto ou aço compromete o cronograma de uma obra que consome volumes enormes desses insumos. Os viadutos da BR-280 estão na reta final de uma jornada construtiva que começou com a explosão de rochas nos morros e que terminará quando o primeiro veículo cruzar a pista a 35 metros de altura sobre um vale que até pouco tempo atrás era obstáculo intransponível.

E você, já viu os pilares dos viadutos da BR-280 pessoalmente? Acha que a obra vai transformar a viagem pelo Norte catarinense? Deixe sua opinião nos comentários.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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