Mais de 1,9 milhão de mesários foram convocados nas eleições de 2024 no Brasil, e embora o trabalho não seja remunerado com salário, cada mesário recebe auxílio-alimentação de R$ 65 por turno, tem direito a dois dias de folga por dia trabalhado sem desconto no salário, pode usar as horas como complementares em cursos universitários e ainda conta com vantagem no desempate de concurso público quando previsto no edital.
Quanto ganha um mesário é pergunta que milhões de brasileiros se fazem toda vez que recebem a convocação da Justiça Eleitoral para atuar nas seções de votação. A resposta direta é que o mesário não recebe salário pelo trabalho: a atividade é voluntária e a compensação vem na forma de auxílio de R$ 65 por turno trabalhado, além de benefícios indiretos que incluem folgas remuneradas, aproveitamento de horas em faculdades e vantagem em concurso público. Nas eleições de 2024, mais de 1,9 milhão de mesários participaram do primeiro turno, número superior aos 1,7 milhão de 2022, crescimento que demonstra tanto o aumento do eleitorado quanto a necessidade constante de voluntários para garantir o funcionamento das mais de 470 mil seções espalhadas pelo país.
Cada seção eleitoral conta com quatro pessoas na mesa, e cada mesário exerce função específica que vai desde a organização das filas até o encerramento da votação e emissão dos boletins de urna. Os quatro integrantes se dividem em presidente, primeiro mesário, segundo mesário e secretário, hierarquia que distribui responsabilidades e garante que o processo eleitoral funcione com organização mesmo em seções com alto volume de eleitores. Para quem nunca atuou, entender o que cada mesário faz e quais benefícios recebe ajuda a decidir se vale se voluntariar ou como se preparar quando a convocação chegar.
O que o mesário recebe em dinheiro e benefícios

O auxílio-alimentação de R$ 65 por turno é o único valor financeiro direto que o mesário recebe. Como as eleições brasileiras acontecem em turno único na maioria dos casos, com votação das 8h às 17h, o mesário que trabalha o dia inteiro recebe o equivalente a esse valor pela alimentação durante a jornada, quantia que não configura remuneração trabalhista e que serve exclusivamente para cobrir custos de refeição no dia da votação. O valor não é tributável e não gera vínculo empregatício com a Justiça Eleitoral.
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Os benefícios indiretos são onde o trabalho do mesário compensa de verdade. O voluntário tem direito a dois dias de folga por cada dia efetivamente trabalhado nas eleições e também por cada dia de treinamento concluído, folgas que devem ser negociadas com o empregador mas que não podem ser descontadas do salário do mesário. Quem trabalha os dois turnos de uma eleição e participou do treinamento preparatório pode acumular seis dias de folga remunerada, benefício que para muitos vale mais do que qualquer pagamento direto. Estudantes universitários podem converter os dias de trabalho como mesário em horas complementares exigidas pela grade curricular, e candidatos a concurso público contam com critério de desempate quando o edital prevê essa vantagem.
O que faz cada mesário dentro da seção eleitoral
O presidente da seção é a maior autoridade no local e concentra as responsabilidades mais críticas. Cabe a esse mesário organizar os trabalhos no dia da eleição, coordenar a distribuição de atividades entre os demais integrantes da mesa, manter a ordem no recinto, emitir a zerésima (documento que comprova que a urna está vazia antes do início da votação), iniciar e encerrar a votação, emitir os boletins de urna e providenciar a entrega dos materiais ao cartório eleitoral. Thayanne Soares, secretária de Gestão de Pessoas do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), destaca que “o presidente da seção eleitoral é a maior autoridade dentro da seção”, papel que exige preparo e responsabilidade.
O primeiro e o segundo mesário atuam na conferência de documentos e no controle do fluxo de eleitores. Esses voluntários verificam a identidade dos votantes, colhem assinaturas no caderno de votação, entregam comprovantes e controlam a movimentação dentro da sala, garantindo que cada eleitor siga o procedimento correto entre a identificação e o momento do voto. Se o presidente precisar se ausentar por qualquer motivo, o primeiro mesário assume temporariamente suas funções, razão pela qual precisa conhecer todos os procedimentos da mesa. O secretário organiza as filas do lado de fora, distribui senhas, verifica documentação na entrada e controla a ordem de acesso à seção.
Como funciona o dia de trabalho do mesário nas eleições
A jornada começa antes da abertura das urnas. O mesário deve chegar à seção eleitoral com antecedência suficiente para organizar o ambiente, verificar se a urna eletrônica está funcionando corretamente, emitir a zerésima que comprova a ausência de votos gravados na memória do equipamento e preparar os materiais de mesa que serão utilizados ao longo do dia. A partir das 8h a urna está habilitada para receber votos, e a fila de eleitores já deve estar organizada conforme critérios de prioridade que incluem idosos, gestantes, pessoas com deficiência e pais com crianças de colo.
O encerramento exige do mesário atenção a procedimentos que garantem a transparência do resultado. Às 17h, horário de Brasília, o secretário verifica se ainda há eleitores na fila e distribui senhas do último para o primeiro, e quando o último eleitor vota, o presidente encerra a votação e inicia o processo de emissão dos boletins de urna, documentos que registram o resultado da seção. São cinco vias do boletim, todas assinadas pelos presentes: uma é afixada na porta da seção para publicidade do resultado, outra fica com o presidente para conferência posterior, e uma terceira é entregue a representante de partido político se estiver presente, medida que reforça a transparência da apuração.
O que o mesário precisa saber sobre documentos e sigilo do voto
A responsabilidade do mesário com o sigilo eleitoral é parte fundamental da função. A urna deve ficar posicionada longe de janelas e câmeras para impedir que qualquer pessoa registre o voto de outra, e o mesário deve garantir que eleitores não levem celulares ou equipamentos eletrônicos à cabine de votação, exigência que protege o direito constitucional ao voto secreto. Ao ouvir o som que confirma o registro do voto, o eleitor recolhe seus documentos e o comprovante, e o mesário libera o próximo da fila.
Os documentos aceitos para identificação do eleitor incluem qualquer documento oficial com foto. O mesário deve verificar carteira de identidade, carteira de habilitação, passaporte ou e-Título com foto e biometria coletada, e somente após a confirmação da identidade o eleitor é habilitado para votar. O voluntário que atua como mesário não precisa ser especialista em legislação eleitoral, mas o treinamento oferecido pela Justiça Eleitoral antes das eleições cobre todos os procedimentos necessários e é condição para receber os dias de folga previstos como benefício.
Por que ser mesário vale a pena mesmo sem salário
A combinação de folgas remuneradas, horas complementares e vantagem em concurso faz do trabalho como mesário investimento de tempo que gera retorno concreto. Para um trabalhador CLT, acumular até seis dias de folga sem desconto no salário equivale a quase uma semana de férias adicional. Para um universitário, converter o serviço em horas complementares elimina a necessidade de buscar atividades extracurriculares. Para quem presta concurso público, ter experiência como mesário pode ser o critério que decide a aprovação em caso de empate na classificação final. Cada um desses benefícios atende um perfil diferente, mas todos recompensam o mesário de forma que o auxílio-alimentação de R$ 65 sozinho não captura.
O trabalho como mesário também é exercício de cidadania que coloca o voluntário no centro do processo democrático. Quem atua na mesa de votação vê de perto como as eleições funcionam, entende os mecanismos de segurança da urna eletrônica e participa diretamente da organização que permite que mais de 150 milhões de brasileiros exerçam o direito de voto num único dia. Para muitos, essa experiência vale mais do que qualquer valor financeiro ou auxílio em dinheiro.
E você, já foi mesário? Acha que a compensação é justa ou deveria haver pagamento em dinheiro? Deixe sua opinião nos comentários.

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