AngloGold Ashanti, em operação no Brasil desde 1834, aposta em tecnologia, rastreamento em tempo real e novas escalas de trabalho para ampliar segurança e produtividade na mineração subterrânea de ouro em Minas Gerais
A extração de ouro da AngloGold Ashanti em Minas Gerais combina uma operação iniciada no Brasil em 1834 com tecnologias como Wi-Fi subterrâneo, rastreamento de trabalhadores e carregadeiras operadas à distância. Na mina Cuiabá, que chega a 1.600 metros de profundidade, a empresa diz usar inovação para aumentar produtividade e reduzir riscos.
Extração de ouro em mina subterrânea chega a 1.600 metros em Minas Gerais
A mina Cuiabá, em Minas Gerais, mostra como a extração de ouro mudou em quase dois séculos. Para chegar aos pontos mais profundos da operação, o trajeto começa em um elevador de dois andares, com capacidade para até 50 pessoas por viagem.
A descida leva cerca de quatro minutos até o nível 11, a 900 metros de profundidade. Depois, os trabalhadores ainda percorrem aproximadamente 25 minutos de carro ou van até áreas mais profundas da mina.
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Hoje, a operação chega a 1.600 metros de profundidade. Segundo Luiz Otávio de Lima, CEO da AngloGold Ashanti Latam, a mina Cuiabá está entre as cinco minas subterrâneas mais tecnológicas do mundo.
Os números ajudam a explicar a complexidade da atividade. Cerca de mil pessoas trabalham diariamente na mina, em diferentes turnos. Para produzir apenas 6 gramas de ouro, é necessário desmontar uma tonelada de rochas.

Empresa fundada em 1834 mantém operação contínua no país
A AngloGold Ashanti é apresentada como a indústria em operação contínua mais antiga do Brasil. Sua história no país começou em 1834, quando uma companhia inglesa chegou a Minas Gerais para explorar o segundo ciclo do ouro, marcado pela mecanização da mineração.
Segundo Lima, a operação começou em São João del-Rei. Depois, a empresa transferiu suas atividades para Nova Lima, onde adquiriu a Mina Velha e passou a operar como São João del Rey Mining Company.
Ao longo do tempo, a companhia mudou de nome e de controle acionário. Após o período britânico, passou a atuar como Morro Velho, na década de 1960. No fim dos anos 1990, foi incorporada pela AngloGold Ashanti.
Hoje, as atividades brasileiras estão concentradas em Minas Gerais, com duas minas subterrâneas, Cuiabá e Lamego, além da planta metalúrgica de Nova Lima.
O Brasil também é a única operação global da companhia com processo 100% verticalizado, da pesquisa mineral até o refino da barra de ouro pronta para venda. Para o CEO, esse modelo representa uma vantagem para o negócio.

Wi-Fi subterrâneo, rastreamento e operação remota reduzem riscos
A tecnologia passou a ter papel central na operação. A mina Cuiabá é 100% conectada por Wi-Fi e conta com mais de 400 roteadores no subsolo.
Essa estrutura permite monitorar, em tempo real, a localização dos trabalhadores por meio do sistema People Tracking.
Segundo Lima, a empresa consegue saber exatamente onde cada funcionário está dentro da mina. Em caso de qualquer evento, a velocidade de resposta aumenta.
A conectividade também ajuda na gestão de custos. Como a empresa sabe a quantidade de pessoas em cada frente de serviço, pode alterar ou desligar a rotação dos ventiladores. De acordo com o CEO, isso gera economia de quase 25% da energia.
Outro avanço está nas carregadeiras operadas remotamente. Os equipamentos conseguem movimentar até 130 toneladas de material por hora e são controlados da superfície por operadores com joysticks. A proposta é retirar pessoas das áreas de maior risco operacional.
Escala 4×3 e 4×4 substitui modelo antigo de trabalho
A transformação também chegou à rotina dos funcionários. No escritório corporativo, em Nova Lima, a jornada passou a ser de segunda a quinta-feira desde 2024.
Nas minas, a antiga escala 6×1 foi substituída por um modelo de quatro dias de trabalho por quatro dias de folga.
Segundo Lima, a mudança ocorreu após pesquisas internas, testes e escuta dos trabalhadores. O CEO afirma que os indicadores de segurança melhoraram de forma expressiva depois da adoção da nova escala.
A redução, conforme relatado pelo executivo, ocorreu principalmente em acidentes de alta frequência e baixo impacto, como torções, prensamentos de dedos e incidentes associados ao cansaço e à falta de atenção.
Para Lima, a empresa tenta agir como uma “startup de 192 anos”, ao adotar modelos de gestão considerados fora do padrão para uma companhia de mineração com quase dois séculos de história.
América Latina tem menor produção, mas maior peso no caixa
A AngloGold Ashanti mantém 11 operações distribuídas entre África, Austrália e América Latina. A África responde por cerca de 60% a 65% da produção global de ouro do grupo. A Austrália representa aproximadamente 19%.
A América Latina, formada pelas operações no Brasil e na Argentina, responde por cerca de 16% da produção mundial da companhia.
Mesmo com menor participação em volume, a região gerou 26% do fluxo de caixa livre do grupo no último ano, segundo Lima.
No Brasil, a meta para este ano é produzir 290 mil onças de ouro em Minas Gerais, acima das 273 mil onças registradas em 2025.
Globalmente, a AngloGold Ashanti encerrou 2025 com US$ 9,9 bilhões em receita. No primeiro trimestre de 2026, o fluxo de caixa livre chegou a US$ 1,2 bilhão, alta de 190% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Esta matéria foi elaborada com base em informações da entrevista de Luiz Otávio de Lima, CEO da AngloGold Ashanti Latam, ao podcast De Frente com CEO, da EXAME, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

