Unidade da São Martinho, em Pradópolis, é referência global, moe cerca de 10 milhões de toneladas por safra, opera ferrovia interna e expande cogeração. Certificação para etanol apto ao SAF reforça liderança.
A Usina São Martinho, em Pradópolis (SP), é apontada pela companhia como a maior processadora de cana-de-açúcar do mundo, com capacidade de 10 milhões de toneladas por safra. O complexo industrial nasceu em 1948 e hoje emprega quase 5 mil colaboradores, com alto grau de mecanização.
A unidade integra o principal polo sucroenergético do país e opera com logística própria para escoamento de açúcar e etanol. A estrutura inclui ramal ferroviário interno com embarque a granel rumo ao Porto de Santos, o que reduz custos e aumenta previsibilidade.
O destaque industrial vem acompanhado de projetos de bioenergia e de reconhecimento internacional em sustentabilidade, ampliando a relevância da usina numa fase de demanda firme por etanol e de maior atenção à descarbonização.
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O que significa “maior processadora” e por que isso importa
Na prática, “maior processadora” se refere à capacidade de moagem instalada em uma única unidade. Segundo a São Martinho, a planta de Pradópolis atinge aproximadamente 10 milhões de t/safra, patamar que a coloca no topo global do setor. Para o mercado, escala industrial costuma se traduzir em eficiência operacional e melhor diluição de custos.
A localização no interior paulista favorece o abastecimento de cana por uma malha agrícola próxima e mecanizada, reduzindo perdas de colheita e de transporte. Isso ajuda a manter produtividade mesmo em safras desafiadoras.
Em 2025, o Centro-Sul registra queda de produtividade e de ATR na comparação anual, segundo o CTC, o que pressiona margens e ressalta a importância da eficiência. Contexto climático adverso tornou-se variável-chave para grupos sucroenergéticos.
Produção de açúcar, etanol e energia: escala com logística e cogeração
A usina entrega açúcar e etanol em grandes volumes, suportados por armazenagem a granel e ferrovia dedicada. O corredor logístico até Santos confere competitividade de exportação e menor pegada de CO₂ no transporte por tonelada de produto.
No campo da energia, a São Martinho obteve apoio do BNDES para ampliar a cogeração a biomassa no complexo de Pradópolis, com 40 MW de potência e potencial de até 210 mil MWh/ano no mercado regulado, o que representou aumento de ~22% na cogeração do site.
Já na diversificação, o grupo investe em etanol de milho na Unidade Boa Vista (GO), com expansão aprovada em 2025 e início previsto para 2027/28, reforçando a oferta de biocombustíveis diante da perspectiva de maior mistura na gasolina e do avanço da mobilidade de baixo carbono.
Sustentabilidade e certificações: etanol apto ao SAF e gestão ambiental
A Unidade São Martinho conquistou a certificação ISCC CORSIA Low LUC Risk, tornando-se a primeira produtora de etanol de cana do mundo habilitada a fornecer etanol com baixa intensidade de carbono para produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF). A validação cobre critérios de rastreabilidade e baixo risco de mudança indireta do uso da terra.
O reconhecimento soma-se a outras certificações da empresa e reforça práticas de agricultura regenerativa, controle de emissões e uso eficiente de resíduos do processo, como o bagaço de cana para energia. A estratégia posiciona a usina em cadeias globais de combustíveis sustentáveis.
Para o público brasileiro, a certificação indica oferta de etanol qualificado para mercados internacionais exigentes, sem perder de vista o abastecimento doméstico de açúcar e etanol hidratado/anhidro, essenciais para segurança energética e competitividade.
Impacto regional, emprego e próximos passos em Pradópolis
Em Pradópolis, a usina é âncora econômica com milhares de empregos diretos e indiretos, além de iniciativas sociais como o Centro de Educação Ambiental (CEA) e programas de proteção do canavial (Viva a Cana). O efeito multiplicador atinge serviços, transporte e cadeia de insumos.
A mecanização elevada reduz riscos operacionais, melhora segurança e sustenta padrões de qualidade industrial. Em ambiente de clima instável, a estabilidade da operação é diferencial para cumprir contratos e atender janelas de exportação.
No horizonte de 2025/26, o setor monitora clima, câmbio e preços internacionais. A escala de Pradópolis, somada a cogeração e certificações, tende a manter a unidade como referência global em produtividade e sustentabilidade.
Quer opinar? Comente se concentração de moagem em plantas gigantes ajuda ou atrapalha o produtor rural na formação de preços e contratos. A certificação para SAF deve orientar investimentos no Brasil ou o foco deveria ser o mercado interno de etanol?
