Navio gigante usado na construção da Baltic Power chama atenção pela escala da operação no mar Báltico, onde fundações metálicas de até 100 metros precisam ser posicionadas antes da instalação das turbinas da primeira usina eólica offshore da Polônia.
Mobilizado para uma das fases mais pesadas da Baltic Power, o navio Svanen, da frota da Van Oord, assumiu a instalação das fundações da primeira usina eólica offshore da Polônia, em uma operação de grande escala no mar Báltico.
A embarcação chegou ao porto de Gdynia em 8 de novembro de 2024, etapa que preparou o início das obras offshore do projeto desenvolvido pela ORLEN e pela Northland Power.
A missão do Svanen envolve a instalação dos monopiles, estruturas cilíndricas de aço que funcionam como base para turbinas e subestações em parques eólicos marítimos de grande porte.
-
O lago que sustenta parte dos Estados Unidos está secando: Lake Mead chega a 2026 em situação crítica, com cortes obrigatórios, queda no volume e pressão sobre o rio Colorado
-
Borra de café deixa de ser lixo e iniciativa mostra por que milhões de toneladas desse resíduo podem valer muito mais do que quase todo mundo imagina
-
Inconformada com homens dormindo nas ruas, prefeitura implantou abrigo integrado com canil, gatil, oficinas, cursos, horta, auxílio-moradia e equipe multidisciplinar para ajudar pessoas a reconstruírem a vida longe das calçadas em São José dos Campos
-
O Brasil acaba de realizar a primeira telecirurgia robótica oncológica de longa distância do SUS, um procedimento que conectou Porto Velho a Barretos por quase 2,7 mil km, usou fibra óptica, 5G redundante e operou um paciente com câncer à distância
Na Baltic Power, essas peças chegam a 100 metros de comprimento, têm cerca de 9 metros de diâmetro e podem pesar até 1.700 toneladas, segundo a empresa responsável pelo empreendimento.
Fundações da primeira usina eólica offshore da Polônia
Muito antes de as turbinas se tornarem visíveis na paisagem do Báltico, a etapa decisiva ocorre abaixo da superfície, onde as bases precisam ser posicionadas no leito marinho.
Depois dessa instalação, as peças de transição conectam os monopiles às torres das turbinas e às estruturas das subestações offshore, formando a base física da geração de energia no mar.
Segundo a Baltic Power, o Svanen foi designado para instalar os monopiles vinculados às 76 turbinas de 15 MW e às duas subestações marítimas previstas no projeto.
Por causa do tamanho e do peso das estruturas, o deslocamento até a área do parque ocorre apenas por via marítima, com apoio de rebocadores especiais a partir do porto de transbordo.
A força do guindaste é apenas uma parte da operação, já que vento, ondas, profundidade, solo marinho e janelas de trabalho interferem diretamente em cada etapa da instalação.
Em alto-mar, esse conjunto de variáveis transforma a colocação das fundações em uma tarefa de precisão, essencial para que toda a sequência de montagem avance sem comprometer a obra.
Guindaste maior para turbinas offshore de 15 MW
Entre os principais números do Svanen está o desempenho do sistema de içamento, que foi modernizado para acompanhar o aumento das dimensões das estruturas usadas na energia eólica offshore.
Após a atualização, o guindaste principal passou de 120 para 125 metros, enquanto a capacidade de içamento subiu de 3.000 para 4.500 toneladas, de acordo com a Baltic Power.
A modernização também incluiu a extensão de 25 metros no pórtico, melhorias nos ganchos de içamento, ajustes no gripper e adaptações na estrutura da embarcação para operar com martelos de instalação mais recentes.
Com essas mudanças, o navio ficou preparado para lidar com fundações associadas à nova geração de turbinas offshore, cujo porte exige equipamentos capazes de trabalhar em escala industrial.
Na prática, o Svanen funciona como uma plataforma flutuante especializada, projetada para alinhar e instalar peças gigantes em pontos definidos do parque, e não como um navio cargueiro comum.
Essa função reduz a margem para improviso, porque a obra depende de estabilidade, sequência de montagem, cálculo técnico e coordenação marítima em um ambiente sujeito a mudanças constantes.
Logística da Baltic Power começa antes das turbinas
A chegada do Svanen a Gdynia integrou uma campanha de mobilização mais ampla, organizada antes do início das obras no trecho offshore da Baltic Power.
Nessa fase, portos, embarcações de apoio, rebocadores, áreas de transbordo e equipes de instalação precisam operar de forma coordenada para preparar a montagem das turbinas.
Para a própria Baltic Power, contratar navios desse porte representa um dos desafios do setor, porque poucas embarcações especializadas estão disponíveis na Europa para esse tipo de serviço.
Além da escassez da frota, a transferência de navios para o Báltico exige planejamento específico, inclusive pela necessidade de passagem pelos estreitos dinamarqueses.
Outro fator aumenta a complexidade logística: embarcações de instalação costumam ser reservadas com anos de antecedência e por períodos limitados, o que reduz a margem para atrasos.
Por isso, a integração entre fornecedores, portos, rebocadores, embarcações auxiliares e frente de obra se torna tão importante quanto a potência do equipamento usado para içar as fundações.
Svanen acompanha a evolução da energia eólica offshore
Em serviço desde 1991, o Svanen passou a atuar em projetos offshore em 2005 e recebeu atualizações sucessivas conforme as turbinas marítimas aumentaram de tamanho.
Ao longo dessa trajetória, a embarcação já instalou mais de 700 monopiles em projetos europeus, acumulando experiência em obras que exigem força de içamento e precisão operacional.
A lógica de uma fundação monopile parece simples: um grande tubo de aço é levado ao local definido, alinhado e fixado no fundo do mar.
Executar essa tarefa em escala real, porém, exige controle rigoroso, já que cada estrutura precisa sustentar equipamentos projetados para operar por décadas em ambiente marítimo.
No projeto polonês, essa base física sustenta uma usina planejada para integrar cerca de 1,2 GW ao sistema energético nacional em 2026.
A Baltic Power afirma que o parque deverá responder por aproximadamente 3% da demanda elétrica da Polônia e reduzir emissões nacionais de CO2 em cerca de 2,8 milhões de toneladas por ano.
Obra no mar Báltico avança com instalação das turbinas
Em junho de 2026, a Baltic Power informou que a instalação da 50ª turbina, de um total de 76, havia sido concluída no parque eólico offshore.
Na mesma atualização, a empresa indicou que os testes obrigatórios de energia e infraestrutura estavam previstos para as semanas seguintes, enquanto a campanha de instalação deveria terminar no segundo semestre de 2026.
Esse avanço mostra que a instalação das fundações não funciona apenas como preparação, mas como a etapa que permite a montagem progressiva de todo o parque eólico.
Sem a cravação dos monopiles, não há conexão estrutural para torres, naceles, pás, subestações, cabos e demais sistemas necessários à operação offshore.
Mesmo depois da modernização, o Svanen depende de uma cadeia sincronizada, na qual cada componente precisa chegar ao local certo no momento adequado.
A coordenação evita atrasos em uma obra marítima submetida a condições climáticas, restrições operacionais e janelas de trabalho que podem mudar o ritmo da instalação.
Na primeira usina eólica offshore da Polônia, a infraestrutura começa por uma etapa pouco vista pelo público: fundações gigantes cravadas no fundo do mar Báltico.
Antes que a geração renovável chegue à rede, máquinas como o Svanen transformam planejamento naval, aço e engenharia offshore em estrutura física para produção de energia.
Se uma única embarcação pode instalar fundações de até 100 metros para erguer um parque eólico inteiro no mar, quantas outras máquinas gigantes trabalham longe dos olhos do público sustentando a infraestrutura usada todos os dias?
