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Municípios da Região Metropolitana de Curitiba vivem alerta subterrâneo com casas rachando, dolinas se abrindo e solo cárstico vulnerável sobre o Aquífero Karst, enquanto décadas de bombeamento de água subterrânea levantam preocupação sobre colapsos em áreas onde o chão parece firme, mas pode esconder vazios por baixo

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 27/04/2026 às 14:10 Atualizado em 27/04/2026 às 14:25
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Municípios da Região Metropolitana de Curitiba vivem alerta subterrâneo
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Região de Curitiba enfrenta risco geológico silencioso com cavidades no subsolo, colapsos de terreno e impacto do bombeamento de aquíferos.

Segundo a Associação Brasileira de Águas Subterrâneas, a extração de água do aquífero cárstico por meio de 11 poços localizados nas bacias dos rios Fervida e Tumiri, no município de Colombo, no Paraná, provocou subsidências e colapsos de terreno em diversos pontos da região. Esses eventos resultaram em danos estruturais a residências, formação de depressões no solo, rachaduras em vias urbanas e no secamento de fontes naturais utilizadas para abastecimento doméstico e agrícola.

A pressão exercida por moradores afetados levou à interrupção do bombeamento em diferentes momentos, mas sem solução definitiva para o problema.

Histórico de afundamentos em Almirante Tamandaré revela avanço contínuo de instabilidade geológica

Desde 1992, o município de Almirante Tamandaré, também situado sobre a mesma formação cárstica, registra episódios de afundamento do terreno.

Esses eventos provocaram trincas em edificações, inclinação de estruturas e redução do nível de água em poços e lagos. Em 2005, o Ministério Público estabeleceu prazo de cinco anos para que a Sanepar desativasse poços de exploração no centro do município, apontando a relação entre o bombeamento e os danos estruturais em pelo menos vinte construções.

O prazo foi cumprido parcialmente, mas os efeitos geológicos persistiram.

Formação geológica do carste no Paraná explica presença de cavidades subterrâneas em rochas calcárias

A Região Metropolitana de Curitiba está assentada sobre uma extensa área de rochas carbonáticas pertencentes à Formação Capiru, do Grupo Açungui.

Essas rochas foram formadas entre 600 e 900 milhões de anos atrás, em um ambiente marinho raso. Ao longo do tempo, sofreram processos de dobramento, metamorfismo e elevação, tornando-se expostas na superfície.

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A ação contínua da água sobre essas rochas promove sua dissolução, formando cavidades subterrâneas de diferentes dimensões. Esse processo é conhecido como carstificação.

Processo de carstificação dissolve rochas ao longo de milênios e cria galerias invisíveis sob áreas urbanas

A água da chuva, ao infiltrar no solo, absorve dióxido de carbono e forma ácido carbônico fraco. Esse composto químico reage lentamente com o calcário, dissolvendo a rocha ao longo de milhares de anos.

O resultado é a formação de fissuras, túneis e cavidades subterrâneas que podem variar de milímetros a dezenas de metros. Esse processo ocorre de forma contínua e silenciosa, sem sinais visíveis na superfície até que ocorra um colapso.

Área cárstica ao norte de Curitiba cobre cerca de 100 km² e sustenta cidades inteiras sem que moradores saibam

O carste paranaense ao norte da Região Metropolitana de Curitiba ocupa uma área de aproximadamente 100 km², concentrada principalmente nos municípios de Colombo e Almirante Tamandaré.

Essa região é cortada por estruturas geológicas que compartimentam o aquífero, criando zonas distintas de circulação de água subterrânea.

O subsolo apresenta comportamento semelhante a um sistema com múltiplas cavidades, com distribuição irregular e difícil de mapear completamente.

Crescimento urbano sem estudo geotécnico expõe milhares de moradores a riscos invisíveis no subsolo

A expansão urbana de municípios como Almirante Tamandaré se intensificou a partir da década de 1960, impulsionada pela expansão de Curitiba.

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Grande parte das ocupações ocorreu em áreas com menor valor imobiliário, frequentemente coincidentes com zonas geologicamente frágeis.

A ausência de exigência de estudos geotécnicos detalhados para construções residenciais contribuiu para a ocupação de áreas de risco sem conhecimento das condições do subsolo.

Bombeamento intensivo de aquíferos reduz pressão subterrânea e pode provocar colapso do solo

A extração de água subterrânea altera o equilíbrio interno do aquífero. Quando o nível da água é reduzido por bombeamento intensivo, a pressão hidrostática que sustenta as cavidades subterrâneas diminui.

Sem esse suporte, estruturas naturais podem colapsar, resultando em afundamentos de terreno e danos às construções na superfície.

Danos estruturais incluem rachaduras, recalque de fundações e secamento de fontes naturais

Os efeitos observados incluem rachaduras em paredes, inclinação de edificações e recalque de fundações. Além disso, a redução do nível do aquífero compromete a vazão de fontes naturais e cursos d’água, afetando diretamente o abastecimento e a agricultura local.

Esses impactos têm sido registrados de forma recorrente nas últimas décadas. O aquífero da região possui água de alta qualidade, com baixo custo de tratamento, sendo uma das principais fontes de abastecimento da Região Metropolitana de Curitiba.

Por outro lado, sua exploração excessiva compromete a estabilidade do solo e aumenta o risco de colapsos.

Projeções indicam que a redução do uso do aquífero pode gerar déficit de abastecimento na região, criando um dilema entre segurança geológica e necessidade hídrica.

Métodos geofísicos como eletrorresistividade permitem mapear cavidades antes do colapso

Pesquisadores utilizam técnicas como eletrorresistividade para identificar variações no subsolo. O método mede a resistência elétrica do terreno, permitindo identificar áreas com presença de água, material argiloso ou vazios subterrâneos.

Essas informações podem orientar decisões sobre ocupação urbana e prevenção de riscos. Apesar da eficácia das técnicas geofísicas, seu uso ainda é limitado.

O custo elevado e a ausência de exigência legal impedem sua aplicação em larga escala no planejamento urbano. Na maioria dos casos, os estudos são realizados apenas após a ocorrência de danos.

Expansão urbana continua avançando sobre áreas cársticas sem integração com planejamento geológico

A expansão de Colombo e Almirante Tamandaré continua ocorrendo sobre áreas com presença de carste.

Eixos rodoviários como a Rodovia dos Minérios e a Rodovia do Calcário concentram esse crescimento, coincidindo com zonas de maior vulnerabilidade geológica. A falta de integração entre planejamento urbano e conhecimento geológico amplia os riscos.

Mais de 350 mil pessoas vivem sobre área cárstica ativa sem conhecimento sobre riscos subterrâneos

Os municípios de Colombo e Almirante Tamandaré somam mais de 350 mil habitantes vivendo sobre áreas com presença de cavidades subterrâneas.

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Grande parte dessa população desconhece a natureza geológica do terreno onde reside. A ausência de informação e de políticas públicas específicas contribui para a manutenção de um risco invisível.

O caso da Região Metropolitana de Curitiba evidencia um desafio complexo entre exploração de recursos hídricos e estabilidade geológica.

Na sua visão, é possível equilibrar esses dois fatores ou o modelo atual tende a ampliar os riscos ao longo do tempo?

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Altineu Ribeiro
Altineu Ribeiro
27/04/2026 19:25

São consequências de um povo que para seguir políticas da direita abomina a ciência, são ****, muitos seguidores do terraplanismo dos pastores e no fundo quem acaba por pagar a conta é a parte pobre da população, muitos dos quais são induzidos a seguir este obscurantismo.

Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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