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Com areia, cimento e isopor triturado, nova mistura cria bloco de concreto mais leve, fácil de moldar, resistente e transforma lixo em concreto ecológico que vale ouro

Publicado em 17/11/2025 às 20:45
Aprenda a produzir bloco de concreto com isopor triturado, criando um concreto ecológico à base de cimento e areia, mais leve, resistente e ideal para obras pequenas.
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Com areia, cimento e isopor triturado, uma técnica simples cria um bloco de concreto ecológico muito mais leve que o convencional, reaproveita resíduos e facilita o trabalho em obras pequenas e médias

O bloco de concreto tradicional é pesado, consome grande volume de matéria-prima e costuma ser visto apenas como mais um insumo da construção civil. A experiência com cimento, areia e isopor triturado mostra, porém, que é possível transformar um resíduo pouco aproveitado em agregado leve e funcional, reduzindo o peso do bloco em até 60 a 70 por cento sem abrir mão de resistência adequada para muros e cercas.

Em vez de descartar embalagens de isopor, o processo tritura o material, mistura ao traço de cimento e areia e incorpora um aditivo simples à base de cola PVA diluída em água. O resultado é um bloco de concreto mais leve, fácil de moldar, com boa coesão interna e desempenho compatível com aplicações não críticas, configurando um tipo de concreto ecológico que transforma lixo em recurso construtivo com valor agregado.

Do lixo ao concreto ecológico

A base do método é o reaproveitamento do isopor, material amplamente usado em embalagens de eletrodomésticos e eletrônicos.

Em vez de ir para o lixo, esses blocos são quebrados em pedaços menores e colocados em um liquidificador comum, até se transformarem em uma espécie de “neve” de isopor triturado, solta e extremamente leve.

O ganho de volume é expressivo.

A quantidade de isopor que cabia inteira no copo do liquidificador passa a ocupar até 2 litros após o processo, graças à estrutura do poliestireno expandido, que nada mais é que ar encapsulado em uma matriz plástica.

Esse isopor triturado passa a funcionar como agregado leve dentro do bloco de concreto, reduzindo o peso total e alterando a textura da mistura.

A partir desse ponto, a técnica se aproxima de um traço de concreto ecológico: em vez de descartar o material, ele é incorporado ao cimento e à areia, diminuindo o consumo de agregados naturais e dando nova função a um resíduo de difícil destinação ambiental.

Proporções da mistura e função de cada componente

O traço utilizado na experiência segue uma proporção em volume: três medidas de areia, uma de cimento e quatro de isopor triturado, todas medidas em litros.

A areia lavada de grão médio fornece a base granular que garante estabilidade ao bloco de concreto, enquanto o cimento responde pela ligação entre as partículas e pela resistência final após a cura.

Antes de adicionar o isopor triturado, a mistura seca de cimento e areia é preparada cuidadosamente, até ficar o mais homogênea possível.

Em seguida, entra um reforço importante: uma solução de água com cola PVA branca, na prática um aditivo caseiro que melhora a aderência entre pasta cimentícia, areia e flocos de isopor.

Essa solução é incorporada à mistura até se atingir o ponto de “massa quebradiça” – úmida o suficiente para se manter coesa ao ser comprimida na mão, mas sem excesso de água.

Só então o isopor triturado é distribuído lentamente por toda a massa.

A etapa de mistura precisa ser paciente, garantindo que esse agregado leve fique uniformemente espalhado dentro do futuro bloco de concreto, condição essencial para que o concreto ecológico tenha comportamento previsível na cura e no uso.

Como o bloco de concreto é moldado na prática

Com a massa pronta, vem a etapa de moldagem.

O exemplo mostrado utiliza uma forma de dois furos, semelhante às usadas na produção de bloco de concreto para muros e paredes.

Antes de preencher, a superfície interna da fôrma recebe uma fina camada de óleo de motor usado, atuando como desmoldante improvisado e evitando que o material grude nas paredes.

A mistura de cimento, areia e isopor triturado é colocada na forma em camadas sucessivas.

A cada camada, é feita a compactação manual, eliminando bolsões de ar e garantindo que o bloco de concreto fique denso e uniforme, mesmo sendo um concreto ecológico mais leve.

Quando a forma está completamente preenchida, o conjunto é desenformado com cuidado e o bloco recém-moldado é colocado sobre uma superfície plana e nivelada.

A cura é determinante.

O bloco permanece em ambiente ventilado, protegido da chuva, por até sete dias, sendo umedecido diariamente com água em jato suave.

Esse manejo reduz o risco de fissuras, melhora a hidratação do cimento e contribui para a resistência final.

Em termos práticos, a solução gera um bloco de concreto que, segundo o próprio teste, pode pesar cerca de 3 kg a menos que um bloco convencional, mantendo estabilidade suficiente para aplicações como muros, cercas e divisórias leves.

Vantagens, cuidados e limitações do bloco mais leve

Entre os ganhos imediatos estão o menor peso, a facilidade de transporte e a redução de esforço físico no canteiro.

Um bloco de concreto mais leve acelera a execução, facilita o manuseio em altura e tende a cansar menos o trabalhador.

Ao mesmo tempo, o uso de isopor triturado ajuda a diminuir o volume de resíduo enviado a aterros, reforçando o caráter de concreto ecológico da solução.

Outro benefício é a versatilidade na obra.

O bloco pode ser cortado com serra, furado com ferramentas simples e adaptado a detalhes de alvenaria com relativa facilidade, já que a combinação de cimento, areia e agregado leve resulta em material menos denso que o concreto tradicional.

Por outro lado, é importante lembrar que se trata de uma técnica experimental que parte de um processo artesanal.

Qualquer uso estrutural relevante deve ser dimensionado por profissional habilitado, que avalie resistência, tipo de carga e contexto de aplicação.

Em termos técnicos, a proposta se mostra adequada para muros, cercas, fechamentos e soluções em que o ganho de leveza e o reaproveitamento de resíduos pesem mais que a busca por altas resistências mecânicas.

Ao transformar o que seria lixo em insumo, o método aponta para caminhos acessíveis de inovação em materiais, reforçando a ideia de que concreto ecológico não depende apenas de grandes indústrias, mas também de entender melhor o comportamento de cimento, areia e agregados alternativos no dia a dia da construção.

Você arriscaria testar um bloco de concreto feito com isopor triturado em alguma reforma ou pequeno projeto na sua casa?

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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