Um jovem estudante de engenharia no Canadá testa um modelo de microcasa modular feito com fibra de vidro e PET, em meio ao debate sobre soluções temporárias para pessoas em situação de rua.
O estudante de engenharia Ribal Zebian, de 18 anos, desenvolveu em London, na província de Ontário, no Canadá, um protótipo de microcasa modular feita com painéis de fibra de vidro e núcleo isolante de PET.
A proposta é testar se uma estrutura pequena, replicável e de montagem rápida pode servir como abrigo de transição para pessoas em situação de rua.
Segundo reportagens publicadas pela CTV News e reproduzidas por veículos internacionais, o jovem pretende morar durante 12 meses em uma das unidades para avaliar falhas, resistência ao clima e condições reais de uso.
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O projeto ganhou visibilidade ao ser apresentado como uma alternativa experimental em meio ao debate sobre moradia acessível em London.
Zebian estuda na Western University e, conforme as reportagens, começou a trabalhar no conceito depois de demonstrar preocupação com o avanço da população sem moradia e com o aumento dos preços dos imóveis.
O número citado inicialmente pelo estudante era de cerca de 1.800 pessoas em situação de rua em London.
Dados municipais mais recentes, porém, indicam que a média mensal de pessoas na chamada by-name list, cadastro usado pelo sistema local de atendimento, ficou acima de 2.200 entre 2024 e 2025.
A prefeitura informa que esses painéis mostram tendências do sistema, não uma contagem absoluta, porque a situação muda com frequência e nem todos os casos entram nos registros oficiais.
Como a microcasa modular foi projetada
A estrutura proposta por Zebian usa moldes de fibra de vidro para formar painéis que podem ser repetidos em escala.
Pela descrição divulgada, a intenção é permitir que as peças sejam produzidas em série, com padrão semelhante entre as unidades, o que poderia reduzir o tempo de montagem caso o modelo avance para uma etapa industrial.
O teto foi desenvolvido com núcleo isolante de espuma de PET, sigla para polietileno tereftalato, material conhecido pelo uso em embalagens plásticas.
De acordo com as informações publicadas sobre o protótipo, esse núcleo foi pensado para auxiliar na sustentação da cobertura e no isolamento da estrutura.
Em entrevista atribuída à CTV News, o estudante afirmou que a fibra de vidro permite criar moldes complexos e replicáveis.
Ele também declarou que o sistema de cobertura com PET foi escolhido por dar suporte estrutural ao telhado.
A meta apresentada no projeto é que uma unidade possa ser montada em apenas um dia, embora a proposta ainda esteja em fase de protótipo e precise passar por testes antes de qualquer produção em escala.
O modelo atual foi descrito com dimensões de 8 pés por 5 pés por 8 pés, o equivalente aproximado a 2,4 metros de comprimento, 1,5 metro de largura e 2,4 metros de altura.
O espaço é reduzido, mas Zebian afirmou, segundo as reportagens, que o projeto pode ser ampliado até três vezes.
A etapa seguinte prevista por ele seria desenvolver uma versão maior, caso os testes iniciais indiquem necessidade de ajustes.

Teste de 12 meses na microcasa
Um dos pontos centrais do projeto é a decisão do próprio criador de viver na microcasa por um ano.
O cronograma divulgado nas reportagens previa o início do teste em maio de 2026.
A permanência serviria para observar o comportamento da unidade ao longo das estações e registrar problemas que poderiam não aparecer em uma apresentação, desenho técnico ou avaliação de curta duração.
Zebian disse que quer passar por verão, inverno, primavera e outono dentro do abrigo para entender como o protótipo responde às mudanças de temperatura e ao uso cotidiano.
Em uma das declarações divulgadas, ele afirmou que viver no espaço por esse período permitiria perceber “cada erro” e ajustar a experiência antes de procurar fabricantes ou parceiros para uma possível produção.
A fase de teste também pode indicar se a estrutura atende a exigências práticas de uso.
Entre os pontos a serem observados estão isolamento térmico, ventilação, umidade, durabilidade, segurança, manutenção e adaptação de moradores a um espaço de dimensões limitadas.
Esses aspectos costumam ser considerados em discussões sobre abrigos temporários e moradias de transição.
A proposta não foi apresentada como solução única para a falta de moradia.
No debate sobre tiny homes no Canadá e em outros países, esse tipo de unidade costuma aparecer associado a abrigos emergenciais, moradias provisórias ou projetos de transição até o acesso a uma residência permanente.
No caso de Zebian, as reportagens tratam o protótipo como uma ferramenta possível dentro de um conjunto mais amplo de políticas e serviços.
Crise habitacional no Canadá
A iniciativa aparece em um contexto de aumento da demanda por moradia e serviços de acolhimento no Canadá, segundo dados oficiais.
O relatório nacional Everyone Counts 2024 identificou quase 60 mil pessoas em situação de rua em uma única noite, considerando 74 comunidades participantes.
O levantamento também apontou que 17.088 pessoas estavam em locais não abrigados, incluindo áreas externas e acampamentos.
O mesmo relatório registrou crescimento de 79% na enumeração total em 56 comunidades que participaram de ciclos anteriores de contagem, na comparação com 2020-2022.
Dentro desse recorte, a população em locais não abrigados foi a que mais aumentou, com alta de 107%.
Esses dados ajudam a contextualizar o interesse por alternativas de acolhimento temporário e de construção mais rápida.
Em London, a prefeitura mantém painéis mensais sobre o sistema de atendimento à população em situação de rua.
A administração municipal informa que os dados reúnem informações do sistema nacional HIFIS, usado por serviços de acolhimento e assistência.
O próprio município, no entanto, ressalta que pessoas que não acessam serviços financiados pela cidade podem ficar fora de parte dos registros.
Por esse motivo, o dado de 1.800 pessoas citado nas reportagens originais deve ser entendido como referência do momento em que a proposta foi apresentada, e não como retrato atualizado de todo o cenário local.
As informações municipais disponíveis indicam que a pressão sobre o sistema de atendimento permaneceu elevada nos anos seguintes.
Tiny homes e moradia de transição
O defensor de moradia acessível Gary Brown afirmou à CTV News que as tiny homes não representam a resposta completa para a crise, mas podem compor parte da solução.
Ele também disse ter visto iniciativas semelhantes em outras cidades e avaliou que London estaria atrás nesse tipo de discussão.
A declaração de Brown atribui à proposta um papel complementar, e não substitutivo.
Nesse entendimento, uma microcasa poderia oferecer abrigo temporário mais estruturado do que a permanência nas ruas ou em acampamentos, desde que estivesse vinculada a serviços de saúde, assistência social, acompanhamento e encaminhamento para moradia permanente.
Zebian também comentou a aparência da construção em declarações reproduzidas por veículos internacionais.
Segundo ele, a intenção não é entregar uma casa “quadrada” e sem cuidado arquitetônico.
A fala foi usada para explicar que o projeto tenta combinar rapidez de montagem, custo reduzido e algum grau de preocupação com o desenho da unidade.
Até o momento, não há confirmação pública de produção em larga escala, custo final por unidade ou adoção oficial do modelo por órgãos públicos.
As informações disponíveis indicam a intenção de testar o protótipo, identificar falhas e buscar fabricantes ou parceiros depois dessa etapa.
Sem esses dados, a microcasa permanece como um projeto experimental em avaliação.

