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Com aluguel e preço das casas expulsando moradores para as ruas, estudante de 18 anos cria microcasa modular com fibra de vidro e PET, promete viver 12 meses no protótipo e quer provar que abrigo para sem-teto pode ser montado em apenas um dia

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Escrito por Ana Alice Publicado em 30/06/2026 às 23:27
Assista o vídeoEstudante cria microcasa modular com fibra de vidro e PET e testa abrigo por 12 meses em protótipo contra crise de moradia no Canadá. (Imagem: Ilustrativa)
Estudante cria microcasa modular com fibra de vidro e PET e testa abrigo por 12 meses em protótipo contra crise de moradia no Canadá. (Imagem: Ilustrativa)
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Um jovem estudante de engenharia no Canadá testa um modelo de microcasa modular feito com fibra de vidro e PET, em meio ao debate sobre soluções temporárias para pessoas em situação de rua.

O estudante de engenharia Ribal Zebian, de 18 anos, desenvolveu em London, na província de Ontário, no Canadá, um protótipo de microcasa modular feita com painéis de fibra de vidro e núcleo isolante de PET.

A proposta é testar se uma estrutura pequena, replicável e de montagem rápida pode servir como abrigo de transição para pessoas em situação de rua.

Segundo reportagens publicadas pela CTV News e reproduzidas por veículos internacionais, o jovem pretende morar durante 12 meses em uma das unidades para avaliar falhas, resistência ao clima e condições reais de uso.

O projeto ganhou visibilidade ao ser apresentado como uma alternativa experimental em meio ao debate sobre moradia acessível em London.

Zebian estuda na Western University e, conforme as reportagens, começou a trabalhar no conceito depois de demonstrar preocupação com o avanço da população sem moradia e com o aumento dos preços dos imóveis.

O número citado inicialmente pelo estudante era de cerca de 1.800 pessoas em situação de rua em London.

Dados municipais mais recentes, porém, indicam que a média mensal de pessoas na chamada by-name list, cadastro usado pelo sistema local de atendimento, ficou acima de 2.200 entre 2024 e 2025.

A prefeitura informa que esses painéis mostram tendências do sistema, não uma contagem absoluta, porque a situação muda com frequência e nem todos os casos entram nos registros oficiais.

Como a microcasa modular foi projetada

A estrutura proposta por Zebian usa moldes de fibra de vidro para formar painéis que podem ser repetidos em escala.

Pela descrição divulgada, a intenção é permitir que as peças sejam produzidas em série, com padrão semelhante entre as unidades, o que poderia reduzir o tempo de montagem caso o modelo avance para uma etapa industrial.

O teto foi desenvolvido com núcleo isolante de espuma de PET, sigla para polietileno tereftalato, material conhecido pelo uso em embalagens plásticas.

De acordo com as informações publicadas sobre o protótipo, esse núcleo foi pensado para auxiliar na sustentação da cobertura e no isolamento da estrutura.

Em entrevista atribuída à CTV News, o estudante afirmou que a fibra de vidro permite criar moldes complexos e replicáveis.

Ele também declarou que o sistema de cobertura com PET foi escolhido por dar suporte estrutural ao telhado.

A meta apresentada no projeto é que uma unidade possa ser montada em apenas um dia, embora a proposta ainda esteja em fase de protótipo e precise passar por testes antes de qualquer produção em escala.

O modelo atual foi descrito com dimensões de 8 pés por 5 pés por 8 pés, o equivalente aproximado a 2,4 metros de comprimento, 1,5 metro de largura e 2,4 metros de altura.

O espaço é reduzido, mas Zebian afirmou, segundo as reportagens, que o projeto pode ser ampliado até três vezes.

A etapa seguinte prevista por ele seria desenvolver uma versão maior, caso os testes iniciais indiquem necessidade de ajustes.

Ribal Zebian e sua casa modular no palco durante uma demonstração - Imagem: Reprodução
Ribal Zebian e sua casa modular no palco durante uma demonstração – Imagem: Reprodução

Teste de 12 meses na microcasa

Um dos pontos centrais do projeto é a decisão do próprio criador de viver na microcasa por um ano.

O cronograma divulgado nas reportagens previa o início do teste em maio de 2026.

A permanência serviria para observar o comportamento da unidade ao longo das estações e registrar problemas que poderiam não aparecer em uma apresentação, desenho técnico ou avaliação de curta duração.

Zebian disse que quer passar por verão, inverno, primavera e outono dentro do abrigo para entender como o protótipo responde às mudanças de temperatura e ao uso cotidiano.

Em uma das declarações divulgadas, ele afirmou que viver no espaço por esse período permitiria perceber “cada erro” e ajustar a experiência antes de procurar fabricantes ou parceiros para uma possível produção.

A fase de teste também pode indicar se a estrutura atende a exigências práticas de uso.

Entre os pontos a serem observados estão isolamento térmico, ventilação, umidade, durabilidade, segurança, manutenção e adaptação de moradores a um espaço de dimensões limitadas.

Esses aspectos costumam ser considerados em discussões sobre abrigos temporários e moradias de transição.

A proposta não foi apresentada como solução única para a falta de moradia.

No debate sobre tiny homes no Canadá e em outros países, esse tipo de unidade costuma aparecer associado a abrigos emergenciais, moradias provisórias ou projetos de transição até o acesso a uma residência permanente.

No caso de Zebian, as reportagens tratam o protótipo como uma ferramenta possível dentro de um conjunto mais amplo de políticas e serviços.

Crise habitacional no Canadá

A iniciativa aparece em um contexto de aumento da demanda por moradia e serviços de acolhimento no Canadá, segundo dados oficiais.

O relatório nacional Everyone Counts 2024 identificou quase 60 mil pessoas em situação de rua em uma única noite, considerando 74 comunidades participantes.

O levantamento também apontou que 17.088 pessoas estavam em locais não abrigados, incluindo áreas externas e acampamentos.

O mesmo relatório registrou crescimento de 79% na enumeração total em 56 comunidades que participaram de ciclos anteriores de contagem, na comparação com 2020-2022.

Dentro desse recorte, a população em locais não abrigados foi a que mais aumentou, com alta de 107%.

Esses dados ajudam a contextualizar o interesse por alternativas de acolhimento temporário e de construção mais rápida.

Em London, a prefeitura mantém painéis mensais sobre o sistema de atendimento à população em situação de rua.

A administração municipal informa que os dados reúnem informações do sistema nacional HIFIS, usado por serviços de acolhimento e assistência.

O próprio município, no entanto, ressalta que pessoas que não acessam serviços financiados pela cidade podem ficar fora de parte dos registros.

Por esse motivo, o dado de 1.800 pessoas citado nas reportagens originais deve ser entendido como referência do momento em que a proposta foi apresentada, e não como retrato atualizado de todo o cenário local.

As informações municipais disponíveis indicam que a pressão sobre o sistema de atendimento permaneceu elevada nos anos seguintes.

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Tiny homes e moradia de transição

O defensor de moradia acessível Gary Brown afirmou à CTV News que as tiny homes não representam a resposta completa para a crise, mas podem compor parte da solução.

Ele também disse ter visto iniciativas semelhantes em outras cidades e avaliou que London estaria atrás nesse tipo de discussão.

A declaração de Brown atribui à proposta um papel complementar, e não substitutivo.

Nesse entendimento, uma microcasa poderia oferecer abrigo temporário mais estruturado do que a permanência nas ruas ou em acampamentos, desde que estivesse vinculada a serviços de saúde, assistência social, acompanhamento e encaminhamento para moradia permanente.

Zebian também comentou a aparência da construção em declarações reproduzidas por veículos internacionais.

Segundo ele, a intenção não é entregar uma casa “quadrada” e sem cuidado arquitetônico.

A fala foi usada para explicar que o projeto tenta combinar rapidez de montagem, custo reduzido e algum grau de preocupação com o desenho da unidade.

Até o momento, não há confirmação pública de produção em larga escala, custo final por unidade ou adoção oficial do modelo por órgãos públicos.

As informações disponíveis indicam a intenção de testar o protótipo, identificar falhas e buscar fabricantes ou parceiros depois dessa etapa.

Sem esses dados, a microcasa permanece como um projeto experimental em avaliação.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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