Complexo integrado no Mar Vermelho combina produção de camarão, peixes, processamento industrial e logística própria em área desértica, com planos declarados de expansão alinhados à estratégia saudita de segurança alimentar e crescimento da aquicultura.
A National Aquaculture Group (NAQUA), sediada em Al Lith, na costa do Mar Vermelho, opera um dos maiores complexos integrados de aquicultura da região.
A empresa informa controlar aproximadamente 65 quilômetros de litoral e administrar uma área hídrica contínua de 4.485 hectares, base física que sustenta a produção e o processamento em escala industrial de camarões e peixes cultivados.
Atualmente, a companhia declara uma produção anual em torno de 60 mil toneladas de camarão.
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Em comunicados institucionais e reportagens setoriais, a NAQUA também informa planos para elevar sua produção total para até 250 mil toneladas por ano nos próximos anos.
O movimento é associado às metas do governo saudita para expansão da aquicultura e aumento da oferta doméstica de pescado.
Operação de aquicultura em área desértica do Mar Vermelho
O complexo está localizado cerca de 180 quilômetros ao sul de Jidá, em uma região caracterizada por clima árido e baixa ocupação urbana.
Segundo entrevistas concedidas pela empresa ao setor especializado, o projeto teve início como iniciativa piloto há mais de quatro décadas.

Ao longo do tempo, a operação foi ampliada progressivamente até atingir o atual formato industrial.
A proximidade com o Mar Vermelho, cujas águas apresentam alta salinidade, é descrita pela companhia como um elemento operacional relevante.
De acordo com informações institucionais, a empresa adota protocolos padronizados de captação, tratamento e monitoramento da água.
Esses protocolos incluem controles sanitários e de rastreabilidade ao longo de toda a cadeia produtiva.
Integração vertical na produção de camarão e peixes
Um dos principais traços do empreendimento é a integração vertical das etapas de produção.
Dados divulgados pela própria NAQUA indicam a operação de 80 berçários, 77 viveiros superintensivos e 18 fazendas em terra, que somam 547 viveiros distribuídos ao longo da faixa costeira sob concessão da empresa.
Ainda segundo esses dados, a capacidade anual instalada para engorda de camarões chega a cerca de 90 mil toneladas.
O volume supera a produção atualmente reportada.
De acordo com análises do setor, essa diferença indica margem operacional para aumento de produção sem necessidade imediata de expansão da base física existente.
A produção de ração também é internalizada.
Reportagens publicadas em 2023 apontam que a NAQUA mantém uma fábrica com capacidade para produzir até 90 mil toneladas anuais de ração para camarão e 30 mil toneladas para peixes.
A empresa afirma que essa estrutura contribui para a padronização nutricional e para a redução da dependência de insumos importados.
No processamento, a companhia informa operar uma planta industrial dimensionada para grandes volumes, com sistemas de inspeção, classificação e segregação por lotes.
Em materiais institucionais, a NAQUA declara que o desenho da planta busca reduzir o intervalo entre a despesca e o resfriamento ou congelamento.
O procedimento atende exigências de mercados importadores.
Camarão lidera produção e peixes ampliam portfólio
O camarão-branco do Pacífico é a principal espécie cultivada pela empresa.
Ele responde pela maior parte do volume produzido.

Entrevistas setoriais publicadas em 2023 associam à NAQUA uma produção anual próxima de 60 mil toneladas de camarão.
A maior parte desse volume é destinada ao mercado externo.
Além do camarão, a empresa também atua na produção de peixes marinhos.
O barramundi aparece como espécie central nesse segmento.
A criação ocorre em sistemas de gaiolas no mar.
Fontes técnicas do setor mencionam volumes anuais de peixe na casa de dezenas de milhares de toneladas.
Os números, no entanto, variam conforme o critério adotado por cada fonte.
Algumas consideram capacidade instalada, outras produção efetiva ou recortes anuais específicos.
Essa divergência é comum em projetos de grande escala.
Ela reflete diferenças metodológicas entre divulgações institucionais e reportagens especializadas.
Ainda assim, as informações públicas convergem ao indicar que a produção de peixes é tratada pela empresa como frente complementar ao camarão.
Certificações e exigências do mercado internacional
No mercado externo, a atuação da NAQUA está vinculada a protocolos de qualidade e certificações internacionais.
A empresa informou ter alcançado o nível “quatro estrelas” do programa Best Aquaculture Practices (BAP).
A certificação abrange fazendas, fábricas de ração, unidades de larvicultura e plantas de processamento.
De acordo com especialistas do setor, esse tipo de certificação é frequentemente exigido por grandes importadores e redes varejistas.
O selo funciona como requisito comercial para acesso a determinados mercados.
Reportagens publicadas em 2023 indicam que a maior parte da produção da NAQUA é destinada à exportação.
Os embarques ocorrem de forma regular para mais de 30 países.

Entrada da SALIC e política saudita de aquicultura
A estratégia de expansão ganhou novo impulso em 2023.
Naquele ano, a Saudi Agricultural and Livestock Investment Company (SALIC) anunciou a aquisição de 42,4% do capital da NAQUA.
A operação foi apresentada como parte de uma política mais ampla de fortalecimento da segurança alimentar.
Também está associada ao incentivo à produção local de proteínas.
Documentos oficiais do governo saudita indicam que a aquicultura é considerada um dos eixos para reduzir a dependência de importações de pescado.
A meta nacional divulgada é alcançar 600 mil toneladas de produção anual até o fim da década.
O objetivo está inserido no programa Visão 2030.
Estrutura de trabalho e gestão baseada em dados
A dimensão operacional também se reflete na força de trabalho.
Em entrevistas concedidas ao setor, a empresa informou contar com cerca de 4 mil colaboradores.
Os profissionais representam mais de 30 nacionalidades.
Eles atuam em berçários, viveiros, laboratórios, fábricas de ração, processamento e logística.
Segundo a própria companhia, a gestão da produção se baseia em monitoramento contínuo de parâmetros zootécnicos e ambientais.
Entre os indicadores acompanhados estão densidade, biomassa, consumo de ração e qualidade da água.
Esses dados são utilizados para ajustes operacionais ao longo do ciclo produtivo.
A prática é comum em sistemas intensivos de aquicultura.
Com planos declarados de ampliar significativamente a produção e inserida em uma estratégia nacional de crescimento do setor, a experiência de Al Lith passou a ser observada por agentes do mercado internacional.

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