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Com 6 milhões de dados por ano, escolas de robótica na China estão ensinando robôs a fazer tarefas humanas no dia a dia

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 16/03/2026 às 23:36
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China amplia rapidamente a estrutura de escolas de robótica com mais de 40 centros de coleta de dados, treinamento de humanoides em tarefas reais e geração de até 6 milhões de registros anuais para acelerar uso industrial

A China está expandindo suas escolas de robótica para treinar robôs humanoides em tarefas reais, com centros ativos em várias províncias e foco na aplicação industrial, segundo o Global Times. A iniciativa busca acelerar a comercialização da tecnologia.

A criação das escolas de robótica ocorre após demonstrações públicas bem-sucedidas da tecnologia humanoide durante o Festival da Primavera, realizado no início de fevereiro. A apresentação reforçou a capacidade dos robôs em executar tarefas básicas com coordenação e precisão.

Províncias como Anhui, Zhejiang e Shandong passaram a estabelecer centros de treinamento em rápida sucessão, ampliando a infraestrutura voltada ao desenvolvimento da robótica humanoide. O movimento integra uma estratégia nacional para transformar testes em aplicações práticas.

Expansão das escolas de robótica acelera treinamento prático

Em Shandong, um dos centros de treinamento já opera com dezenas de humanoides realizando atividades simples e repetitivas. Entre as tarefas ensinadas estão carregar bandejas, dobrar roupas e retirar objetos de prateleiras.

Essas escolas de robótica funcionam como ambientes controlados para ensinar ações físicas essenciais. O objetivo é permitir que os robôs desenvolvam habilidades que possam ser transferidas diretamente para ambientes industriais e logísticos.

A iniciativa também busca reduzir a distância entre testes laboratoriais e aplicações reais. Com isso, os humanoides passam a ser preparados para atuar em tarefas padronizadas e de alta repetição.

Geração de dados físicos sustenta evolução dos robôs

O treinamento de robôs humanoides exige dados mais complexos do que outras áreas da inteligência artificial. Diferente de modelos baseados em texto ou imagem, os dados precisam ser gerados por interação direta com o ambiente físico.

Essas informações incluem movimentos articulares, velocidade, rotação, percepção visual, tato, pressão e força. A coleta desses dados é essencial para que os robôs consigam replicar ações humanas com maior precisão.

Para viabilizar esse processo, a China criou mais de 40 centros de coleta de dados com apoio estatal até o final do ano passado. Desses, 24 já estão em operação, distribuídos em diferentes regiões.

As instalações abrigam dezenas de robôs em espaços amplos que podem alcançar milhares de metros quadrados. Nesses ambientes, operadores humanos executam tarefas repetidamente ao lado das máquinas para gerar registros detalhados de movimentos.

Centros especializados simulam ambientes reais de trabalho

A empresa Leju, com apoio estatal, implantou um centro em Shijiazhuang, na província de Hebei, com área de 930 metros quadrados. O espaço simula diferentes cenários, incluindo linha de montagem automotiva, casa inteligente e casa de repouso.

No local, são operados 16 programas de treinamento de robôs humanoides, com uso de tecnologias como realidade virtual e captura de movimento. Os robôs executam tarefas como separar materiais, devolver caixas vazias e embalar produtos.

Esse centro gera cerca de 6 milhões de entradas de dados por ano, o maior volume registrado no país. Os robôs treinados ali já adquiriram mais de 20 funções, alcançando taxa de sucesso de 95% nas tarefas.

Em Hubei, outro centro reúne cerca de 100 robôs humanoides que realizam atividades repetitivas como dobrar roupas, passar peças e limpar mesas centenas de vezes. O processo reforça o aprendizado contínuo das máquinas.

Escolas de robótica conectam treinamento à indústria

Segundo Li Chao, CTO e cofundador da Deep Robotics, o avanço tecnológico depende da aplicação em situações reais. Ele afirma que apenas o treinamento prático permite descobrir novos usos para os robôs humanoides.

O apoio governamental tem facilitado a implementação desses testes em larga escala. Isso permite validar soluções e acelerar a integração dos robôs em ambientes produtivos.

Os centros de coleta de dados também já geram resultados financeiros. Três unidades em Jiangxi, Guangxi e Sichuan resultaram em vendas de robôs humanoides no valor de 566 milhões de yuans para a empresa UBTECH Robotics.

A expectativa é que os robôs humanoides sejam introduzidos inicialmente em setores como manufatura e logística. Nessas áreas, predominam tarefas simples e repetitivas, consideradas adequadas para a adoção inicial da tecnologia.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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