Governo e setor privado apostam na Província Borborema para ativar novas minas de ouro e minerais estratégicos até 2025
O Brasil quer criar minas ativas no Nordeste como parte de uma estratégia de expansão mineral voltada para a geração de empregos e o desenvolvimento regional. O foco principal é a Província Borborema, uma das áreas geológicas mais promissoras do país, que cobre parte do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe.
Segundo dados do Serviço Geológico do Brasil (SGB), a região abriga depósitos valiosos de ouro, tungstênio, tântalo e terras raras, essenciais para a transição energética e a indústria global. Com investimentos crescentes e novas descobertas em 2025, a mineração começa a mudar o cenário econômico do semiárido nordestino.
Potencial mineral inexplorado e novas descobertas

O Brasil quer criar minas ativas no Nordeste para aproveitar uma província com mais de 380 mil km² e estrutura geológica rica em veios de quartzo com ouro e minerais metálicos. Só entre 2022 e 2024, mais de 480 jazidas foram mapeadas em áreas como Caicó, Jucurutu e São Fernando (RN). O mapa de prospectividade divulgado pelo SGB em março de 2025 mostra que 62% dessas ocorrências estão em zonas de alto potencial.
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Entre os projetos em andamento, destaca-se o da Aura Minerals, que investiu mais de US$ 180 milhões na mina Borborema, em Currais Novos (RN). A produção de ouro começou em 2025, com estimativa de até 815 mil onças em 11 anos. A mineradora aposta em métodos sustentáveis, com uso de água de reuso e energia solar no processo.
Empresas envolvidas e impacto nos empregos

Além da Aura, outras mineradoras atuam no Nordeste. A ValeOre Metals, por exemplo, atua em projetos de ouro no interior do Ceará, e a Appian Capital mantém produção de cobre em Alagoas desde 2021. Há também iniciativas com gipsita, silvinita, manganês e rochas ornamentais em Pernambuco, Sergipe e Paraíba.
O setor já movimenta a economia. A mina Borborema deve gerar mais de 2 mil empregos diretos, 68% deles para trabalhadores locais. Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), o Nordeste arrecadou mais de R$ 60 milhões em CFEM só em 2024. A expectativa é dobrar esse valor até 2026, com novas minas entrando em operação.
Desafios e fiscalização
Apesar do crescimento, o Brasil quer criar minas ativas no Nordeste com atenção à sustentabilidade. O Ministério de Minas e Energia e a Agência Nacional de Mineração (ANM) monitoram impactos ambientais e sociais, especialmente em áreas de comunidades tradicionais. Projetos como o desvio da BR-226, essencial para a expansão da mina Borborema, devem passar por avaliação ambiental rigorosa.
O SGB planeja ampliar a exploração com novos levantamentos até 2031, dentro do plano Plangeo 2026–2035. A intenção é mapear melhor os recursos e garantir que a expansão ocorra de forma segura e transparente.
