Estrutura retorcida às margens do Golfo da Finlândia reúne fundações profundas, soluções contra ventos fortes e fachada de vidro de alto desempenho em um projeto de grande escala na Rússia, alterando a paisagem de São Petersburgo e consolidando o Lakhta Center entre os maiores arranha-céus do mundo.
Às margens do Golfo da Finlândia, em São Petersburgo, o Lakhta Center alcança 462 metros de altura e é reconhecido como o edifício mais alto da Rússia e da Europa, com uma estrutura retorcida que passou a integrar a paisagem urbana da cidade.
Concebido para abrigar a sede da Gazprom, o complexo foi planejado para uma região costeira sujeita a ventos fortes, solos de baixa estabilidade e invernos rigorosos, com registros de temperaturas abaixo de -20 °C em determinados períodos do ano.
A construção começou em 2012, atingiu a altura final em 2018 e faz parte de um complexo multifuncional com escritórios, áreas públicas, centro de conferências e instalações de apoio distribuídas em uma ampla área construída.
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No projeto arquitetônico, a torre apresenta rotação contínua de quase 90 graus entre a base e o topo, característica que associa sua forma a uma chama ou a uma vela voltada para a região do Mar Báltico.
Fundação do Lakhta Center venceu solo instável
Antes da elevação da torre, o projeto precisou lidar com as condições do terreno costeiro em São Petersburgo, onde camadas de solo instáveis e a presença de água subterrânea exigiram soluções específicas de fundação.
Para transferir as cargas do edifício a camadas mais resistentes, os engenheiros utilizaram 264 estacas perfuradas, com cerca de 2 metros de diâmetro, instaladas em profundidade compatível com as exigências estruturais da torre.

Acima desse sistema, foi executada uma fundação em forma de caixa, formada por lajes espessas e paredes radiais de concreto, responsáveis por distribuir o peso do núcleo central e das colunas principais do edifício.
Em março de 2015, a concretagem da laje inferior recebeu registro do Guinness World Records ao atingir 19.624 metros cúbicos de concreto despejados continuamente em 49 horas.
Estrutura espiralada exigiu controle milimétrico
No sistema estrutural, o núcleo central de concreto armado funciona como eixo de sustentação do edifício, enquanto colunas compostas de aço e concreto auxiliam na absorção das cargas verticais e na resistência às forças do vento.
Como cada pavimento apresenta pequena variação em relação ao anterior, grande parte dos componentes metálicos precisou ser produzida sob medida, sem possibilidade de substituição direta entre posições diferentes dentro da estrutura.
A montagem da estrutura metálica envolveu dezenas de milhares de toneladas de aço, uso de guindastes de grande porte, monitoramento topográfico constante e controle de alinhamento ao longo das etapas de construção.
Esse controle era necessário porque desvios reduzidos nos pavimentos inferiores poderiam gerar deslocamentos maiores no topo, especialmente em uma torre de 462 metros de altura com geometria espiralada.
Fachada de vidro virou marca visual da torre
Na parte externa, a fachada do Lakhta Center reúne aproximadamente 16.500 painéis de vidro, com módulos adaptados à curvatura contínua criada pela rotação da torre ao longo dos pavimentos.

Em vez de utilizar apenas vidros curvos moldados por métodos tradicionais, o projeto adotou módulos ajustados em estruturas de alumínio, solução empregada para manter a continuidade visual da superfície externa.
O edifício também recebeu um sistema de fachada de alto desempenho, desenvolvido para reduzir perdas térmicas no inverno, limitar ganhos de calor no verão e contribuir para a eficiência energética do conjunto.
A certificação LEED Platinum atribuída ao projeto está relacionada ao conjunto de soluções ambientais aplicadas no edifício, incluindo medidas de desempenho energético, gestão de recursos e operação em clima frio.
Pináculo completa os 462 metros de altura
Na parte superior, a torre mantém o movimento espiralado do edifício e termina em um pináculo metálico, elemento responsável por completar a altura oficial de 462 metros atribuída ao Lakhta Center.
Nessa seção, parte do fechamento utiliza malha metálica para reduzir peso, diminuir cargas associadas ao vento e limitar o acúmulo de gelo em condições climáticas severas, comuns na região durante o inverno.
Além da função estrutural e visual, o topo concentra sistemas técnicos ligados à operação do edifício, incluindo equipamentos de ventilação, comunicação e monitoramento meteorológico instalados em altitudes elevadas.
Com essa configuração, a torre reúne soluções de arquitetura, engenharia estrutural e operação predial em uma área que passou a receber novos investimentos urbanos na costa do Golfo da Finlândia.
Novo marco arquitetônico de São Petersburgo
São Petersburgo foi historicamente associada a uma paisagem formada por edifícios mais baixos, especialmente na área central, onde se concentram construções reconhecidas por seu valor arquitetônico e cultural.
A implantação do projeto em Lakhta, fora do núcleo histórico, permitiu erguer uma torre de grande altura sem inserir o arranha-céu diretamente sobre o conjunto urbano tradicional da cidade.
A partir da construção do Lakhta Center, a região passou a ser associada a uma nova frente de desenvolvimento urbano, com expansão de infraestrutura, serviços e espaços públicos próximos à costa do Golfo da Finlândia.
Além de sua função corporativa, o edifício reúne aplicações de engenharia em fundações profundas, fachadas complexas, estruturas compostas e construção em clima extremo, características que explicam sua relevância técnica entre arranha-céus contemporâneos.

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