Com 112 milhões de clientes, o Nubank ultrapassa o Bradesco e se torna o segundo maior banco do Brasil em número de clientes, atrás apenas da Caixa Econômica Federal.
Pouca gente percebe, mas o sistema financeiro brasileiro acaba de registrar um marco que redefine a lógica de competição entre bancos tradicionais e fintechs: o Nubank, conhecido por sua atuação 100% digital, ultrapassou o Bradesco em número de clientes e agora é oficialmente a segunda maior instituição financeira do Brasil nesse critério, com 112 milhões de usuários, contra 110,5 milhões do banco tradicional.
O dado faz parte da última edição trimestral do ranking de clientes compilado pelo Banco Central do Brasil, que costuma integrar também o relatório de reclamações, uma metodologia que envolve diretamente a contagem de clientes ativos nas instituições.
O feito vem após anos de expansão acelerada do banco digital, que já havia ultrapassado nos últimos anos grandes nomes privados como Itaú Unibanco e Banco do Brasil em número de contas. Hoje, a única instituição à frente do Nubank nesse critério é a Caixa Econômica Federal, que mantém a liderança com cerca de 158 milhões de clientes.
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Como o Nubank chegou tão longe
O crescimento acelerado do Nubank não aconteceu por acaso. Desde que entrou para o grupo das cinco maiores instituições financeiras do país por base de clientes, em 2022, a fintech tem mostrado uma velocidade de expansão incomparável à dos bancos tradicionais.
Entre 2024 e 2025, por exemplo, a base de clientes da fintech aumentou em dezenas de milhões, enquanto a dos grandes bancos privados cresceu de forma muito mais modesta. Em meados de 2025, o Nubank já figurava muito próximo do Bradesco e do Itaú — mesmo antes de superar os 110 milhões atuais.
O crescimento reflete algumas tendências convergentes: a digitalização acelerada dos serviços bancários, a preferência por experiências sem burocracia, e um modelo centrado em tecnologia que remove complexidade do dia a dia financeiro de milhões de brasileiros. O banco também expandiu produtos além da conta digital e do cartão de crédito, como investimentos, seguros e programas de fidelidade, ampliando a utilidade de sua plataforma.
O significado de ultrapassar um “bancão”
Ultrapassar o Bradesco — um dos maiores bancos privados do Brasil por ativos, agências e presença física — é um símbolo potente. Tradicionalmente, bancos como Bradesco, Itaú e Banco do Brasil dominavam o sistema financeiro nacional desde a segunda metade do século XX, em um modelo centrado em agências, pessoal e operações presenciais.
A ascensão do Nubank mostra que esse paradigma mudouse em questão de pouco mais de uma década. O banco digital — fundado em 2013 — tornou-se capaz de alcançar e fidelizar uma base de clientes maior do que instituições centenárias e com rede física nacional.
Outro ponto de destaque é que o ritmo de crescimento do Nubank não é apenas numérico, mas qualitativo: de acordo com a própria instituição, cerca de 85% da base de clientes no Brasil mantém atividade mensal, um indicador de engajamento bastante importante em termos de monetização e retenção.
Comparação no ranking de clientes
O ranking mais recente divulgado pelo Banco Central atualiza a nova ordem de instituições com maior número de clientes no Brasil:
- Caixa Econômica Federal: ~158 milhões
- Nubank: ~112 milhões
- Bradesco: ~110,5 milhões
- Itaú Unibanco: ~100,3 milhões
- Banco do Brasil: ~81,9 milhões
Essa configuração espelha não apenas a popularidade das plataformas digitais, mas também mudanças profundas nas preferências dos consumidores — especialmente das gerações mais jovens e de usuários que migraram para soluções financeiras com menos burocracia e mais flexibilidade.
O impacto competitivo para os bancos tradicionais
O avanço do Nubank pressiona o setor tradicional a acelerar sua transformação digital. Bancos que há décadas se apoiaram em agências físicas, redes de atendimento e crédito tradicional têm agora um concorrente que opera com custos significativamente menores por cliente, graças à tecnologia e à automação.
Essa mudança vem forçando ajustes estratégicos, como maiores investimentos em plataformas digitais, revisões de produtos e serviços e, em algumas instituições, a criação de estruturas internas ou parcerias com fintechs para não perder relevância no mercado.
Além disso, bancos digitais emergentes como Nubank, Mercado Pago e PicPay também figuram próximos às grandes instituições privadas em termos de base de clientes, indicando que a tendência de digitalização profunda ainda está longe de saturar.
O que isso diz sobre inclusão financeira
A posição conquistada pelo Nubank também ressalta uma transformação mais ampla: o aumento da inclusão financeira no Brasil. Hoje, milhões de pessoas que antes estavam sub-bancarizadas ou sem relacionamento com uma instituição financeira formal têm acesso a serviços bancários através de plataformas digitais.
O uso intensivo de smartphones e aplicativos facilitou esse processo, reduzindo barreiras como exigência de renda mínima, comprovação de endereço ou visitas a agências. A base de 112 milhões de clientes — que representa uma parcela significativa da população adulta brasileira — é um indicador de como esse modelo tem ampliado o acesso ao sistema financeiro no país.
O que vem a seguir para o Nubank
Ultrapassar o Bradesco é apenas um marco; o próximo passo estratégico para o Nubank pode ser desafiar a liderança da Caixa, especialmente na medida em que expande seus produtos e fortalece o engajamento dos clientes ativos. Também há expectativa de que a instituição intensifique sua atuação no crédito, investimentos e serviços financeiros empresariais.
No plano global, o Nubank já opera fora do Brasil e tem planos de crescimento em outros mercados da América Latina, o que pode diluir ainda mais a distinção entre bancos tradicionais e bancos digitais globalmente.
