Vídeo raro da TV estatal mostra como a guerra eletrônica chinesa usa o destróier de mísseis guiados Tipo 055 Yanan para lançar quatro mísseis de interferência e afastar aeronaves estrangeiras na região de Taiwan.
A televisão estatal chinesa exibiu imagens excepcionalmente detalhadas de um encontro tenso no mar: o destróier de 11.000 toneladas Yanan, um Tipo 055 da Marinha do Exército de Libertação Popular, usando guerra eletrônica chinesa para reagir a aeronaves militares estrangeiras que se aproximavam de Taiwan. Pela primeira vez, o público consegue ver o navio alternando o radar para alta potência, coordenando com um porta-aviões e disparando mísseis de interferência eletrônica em um cenário real de dissuasão.
Na sequência exibida, o Yanan detecta múltiplos grupos de aeronaves alterando rota e altitude perto da embarcação. A tripulação passa rapidamente do monitoramento para uma postura ativa de contramedidas, preparando mísseis capazes de interferência ativa e passiva, pedindo apoio aéreo ao porta-aviões Shandong e, só depois da confirmação dos contatos, disparando quatro mísseis de interferência eletrônica. O resultado é um retrato raro de como a guerra naval moderna, para a China, passa cada vez mais pela guerra eletrônica chinesa tanto quanto por canhões e mísseis convencionais.
Um raro olhar sobre a guerra eletrônica chinesa no mar
As imagens fazem parte de uma série da CCTV sobre a crescente força naval chinesa e foram apresentadas como o primeiro registro público do Yanan executando “contramedidas eletrônicas” em águas próximas a Taiwan. Isso vai muito além de simples propaganda.
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A sequência mostra a rotina de alerta a bordo: um marinheiro observa o horizonte com binóculos, identifica possíveis aeronaves se aproximando e avisa o lado estibordo do navio.
Em seguida, a central de combate intensifica o uso de sensores, e a guerra eletrônica chinesa entra em cena não como conceito abstrato, mas como procedimento operacional: mudar modo de radar, ampliar alcance, preparar sistemas de interferência.
Em vez de apenas mostrar o poder de fogo bruto, a TV estatal escolhe enfatizar como a Marinha integra sensores, mísseis e guerra eletrônica chinesa em uma mesma resposta coordenada.
É um recado tanto técnico quanto político sobre como Pequim quer ser vista neste momento.
Yanan entra em ação perto de Taiwan

O destróier Yanan é apresentado como um dos navios de combate de superfície mais avançados da frota chinesa.
Nas imagens, ele aparece no que parece ser uma patrulha de rotina em águas próximas a Taiwan quando os contatos aéreos começam a surgir.
As aeronaves não são identificadas nominalmente na transmissão, mas o contexto é claro: são aviões militares estrangeiros operando em uma zona sensível, em um momento de tensão crescente em torno de Taiwan.
A emissora descreve movimentos repetidos dessas aeronaves, alterando rotas de voo, o que obriga o navio a elevar o nível de prontidão.
Nesse ponto, o Yanan suspende qualquer postura passiva e passa a operar como nó de um sistema maior: identifica, classifica, informa, pede apoio e, só então, faz uso da guerra eletrônica chinesa através de mísseis de interferência.
Do radar em alta potência aos mísseis de interferência
Um dos momentos mais importantes do vídeo é o instante em que o Yanan alterna seu radar para o modo de alta potência.
Segundo a emissora, essa mudança é feita para ampliar o alcance de detecção e melhorar a qualidade do rastreio dos alvos aéreos.
Ao mesmo tempo, o sistema de guerra eletrônica chinesa do navio prepara mísseis capazes de interferência ativa e passiva.
Isso indica que os projéteis não são apenas munição física, mas plataformas projetadas para saturar, enganar ou interromper os sistemas de comunicação e navegação das aeronaves próximas.
Depois que os contatos são reportados, o Yanan solicita apoio do porta-aviões Shandong, que envia três aeronaves para confirmar a presença dos aviões não identificados.
Só após essa checagem cruzada é que o destróier dispara quatro mísseis de interferência eletrônica, numa transição clara do monitoramento para uma resposta completa em guerra eletrônica chinesa.
A mensagem implícita é direta: o navio não age isoladamente nem dispara por impulso. Ele faz parte de um quadro tático maior, em que sensores no mar e no ar operam em conjunto antes de qualquer emprego de contramedidas.
Frota chinesa e doutrina de guerra multidomínio
Durante a transmissão, o membro da tripulação Wang Liang explica a lógica por trás dessa postura. Para ele, a Marinha do Exército de Libertação Popular opera hoje na linha de frente de dois níveis de conflito: o convencional, com mísseis, defesa aérea, operações antissubmarino; e o digital, com guerra eletrônica chinesa, interferência de sinais e domínio de espectro.
Wang enfatiza que a guerra naval moderna não se resume ao poder de um único navio, por mais avançado que seja, mas à forma como todos os sistemas operacionais marítimos e aéreos passam a operar em conjunto.
Em outras palavras, a força real não está apenas no casco de 11.000 toneladas, mas na rede de sensores, radares, mísseis e sistemas de guerra eletrônica chinesa conectados entre si.
Esse discurso encaixa o Yanan dentro de uma doutrina de guerra multidomínio, em que o mar, o ar e o espectro eletromagnético são tratados como um único campo de manobra.
Taiwan no centro das tensões e das mensagens estratégicas

As imagens vão ao ar em um contexto mais amplo de tensão em torno de Taiwan. Em dezembro, o Departamento de Estado dos Estados Unidos aprovou a venda de cerca de 11,1 bilhões de dólares em novas armas para a ilha, medida criticada repetidamente por Pequim.
Ao mesmo tempo, declarações de autoridades japonesas sobre possível resposta militar caso a China atacasse Taiwan ampliaram a sensação de que mais potências regionais estão sendo arrastadas para o debate sobre o futuro do estreito.
Exibir a guerra eletrônica chinesa em ação, com o Yanan afastando aeronaves estrangeiras perto de Taiwan, funciona também como recado diplomático filmado.
Sem citar diretamente quais forças estrangeiras estavam envolvidas no encontro, o vídeo sugere que Pequim quer mostrar dois pontos ao mesmo tempo: que monitora de perto a presença aérea na região e que está disposta a usar contramedidas eletrônicas, não apenas escoltas ou notas oficiais, para sinalizar limites.
Nanchang, Liaoning e o recado da marinha chinesa
No mesmo segmento, a CCTV também mostra o destróier Tipo 055 Nanchang operando com o porta-aviões Liaoning em alto-mar.
As imagens registram o navio alterando repetidamente o curso para impedir que duas embarcações estrangeiras cruzem o grupo aeronaval.
Esse paralelo não é por acaso. Ao exibir tanto o Yanan quanto o Nanchang em ações coordenadas com porta-aviões, a China reforça a ideia de que sua guerra eletrônica chinesa, seus destróieres pesados e seus grupos de porta-aviões fazem parte de uma mesma arquitetura de dissuasão.
O recado que fica é que as áreas ao redor de Taiwan e os corredores pelos quais navios e aeronaves estrangeiras transitam estão sob observação constante.
E que os instrumentos usados para responder a essa presença não se limitam mais a interceptações visíveis, mas incluem interferência eletrônica, bloqueio de rotas e construção de um ambiente cada vez mais saturado de sensores chineses.
No fim, o vídeo do Yanan mostra um cenário em que a linha entre demonstração de força e teste operacional fica cada vez mais fina. Para a audiência, é uma rara chance de ver como a China enxerga a próxima fase da guerra no mar.
Para as forças estrangeiras que operam perto de Taiwan, é um aviso de que a guerra eletrônica chinesa já está sendo praticada em tempo real, não apenas simulada em exercícios.
Esse tipo de demonstração pública de guerra eletrônica chinesa perto de Taiwan ajuda a evitar um conflito maior ou só aumenta ainda mais o risco de um incidente no estreito?

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