Incêndio, falhas técnicas e meses de operação contínua colocam o USS Gerald R. Ford no centro de uma nova crise militar, em meio a questionamentos sobre desgaste da tripulação, manutenção do navio e impacto estratégico no Oriente Médio.
O USS Gerald R. Ford, maior porta-aviões em operação no mundo, deve ser retirado temporariamente da frente de combate ligada à ofensiva dos Estados Unidos contra o Irã para passar por reparos em Souda Bay, na ilha de Creta, após um incêndio a bordo e novos relatos de falhas técnicas.
A saída ocorre depois de um longo período no mar e tende a reduzir, ainda que de forma temporária, a presença naval americana na região, onde a embarcação vinha sendo usada como plataforma de ataques aéreos.
Entre os episódios mais recentes está um incêndio descrito por autoridades americanas como “sem relação com combate”, iniciado na área de lavanderia do navio.
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O fogo deixou feridos e danificou cerca de 100 leitos, segundo relatos de oficiais citados pela imprensa internacional.
Apesar disso, a propulsão não foi afetada e o porta-aviões permaneceu operacional enquanto os militares organizavam sua ida ao porto para manutenção.
A retirada do Gerald R. Ford ocorre depois de meses de uso intenso.
O navio foi deslocado para a área do Oriente Médio após ter atuado antes em operações no Caribe e acabou incorporado ao esforço militar americano contra o Irã.
Nesse período, as aeronaves embarcadas participaram de ataques, enquanto o tempo prolongado de permanência no mar passou a ser citado por autoridades e parlamentares em meio ao debate sobre a condução da operação.
Incêndio no USS Gerald R. Ford levou navio a uma parada para reparos
A avaria provocada pelo fogo ampliou a pressão sobre um navio que já vinha operando sob exigência elevada.
O senador Mark Warner, vice-presidente do Comitê de Inteligência do Senado dos EUA, afirmou em nota divulgada em 17 de março de 2026 que o Ford e sua tripulação foram “levados ao limite” após quase um ano no mar.

Na mesma manifestação, ele declarou que centenas de militares ficaram sem camas em meio a um desdobramento de longa duração.
Por outro lado, a Marinha e autoridades militares sustentaram que o incêndio não interrompeu de imediato a capacidade operacional do porta-aviões.
A avaliação divulgada até aqui é que o problema atingiu as condições internas de habitabilidade e reforçou a necessidade de uma parada técnica, sem indicação pública de dano estrutural no sistema de propulsão ou incapacidade de lançar aeronaves até a chegada ao porto.
Problemas nos banheiros do porta-aviões voltam a aparecer
Além do incêndio, o Gerald R. Ford voltou a enfrentar um problema antigo: o sistema sanitário.
Relatos publicados pela imprensa americana descreveram entupimentos, mau funcionamento de ralos e filas nos banheiros durante a missão.
O tema reapareceu porque a dificuldade já havia sido registrada oficialmente anos antes.
Um relatório do Government Accountability Office, órgão de auditoria do Congresso dos Estados Unidos, apontou em 2020 que o sistema de esgoto dos porta-aviões CVN 77 e CVN 78 sofria com entupimentos “inesperados e frequentes”.
O documento informou ainda que a limpeza com ácido, usada para desobstrução, custava em torno de US$ 400 mil por procedimento, sem que o impacto total desse gasto ao longo da vida útil dos navios estivesse plenamente calculado.

Em resposta aos relatos recentes, a Marinha americana reconheceu as ocorrências, mas afirmou que os episódios são tratados rapidamente por equipes técnicas treinadas, com tempo de indisponibilidade considerado mínimo.
Ainda assim, o reaparecimento do problema durante a missão recolocou em discussão a prontidão do navio e os efeitos de uma operação prolongada sobre equipamentos e rotina da tripulação.
Saída temporária afeta operação dos EUA no Oriente Médio
A retirada temporária do Gerald R. Ford diminui a presença imediata de um dos principais ativos navais dos Estados Unidos no teatro de operações.
O navio transporta mais de 75 aeronaves e integra um grupo de ataque escoltado por destróieres e outros meios de proteção, o que o coloca no centro da capacidade de projeção de força e cobertura aérea da Marinha americana.
De acordo com relatos publicados por veículos internacionais, o provável substituto é o USS George H.W. Bush, que vinha concluindo exercícios de preparação antes de um possível envio ao Oriente Médio.
Até agora, porém, a substituição foi tratada pela imprensa como cenário provável, sem detalhamento formal do Pentágono sobre cronograma e escopo da troca.
Esse movimento tem peso operacional porque a retirada de um porta-aviões nuclear afeta, ainda que temporariamente, a capacidade de ataque, dissuasão e rotação entre grupos navais.
Em missões de longa duração, esse tipo de mudança costuma ser acompanhado de perto por autoridades militares e por parlamentares que monitoram o emprego da frota.
Dimensões, custo e histórico do USS Gerald R. Ford
O USS Gerald R. Ford é o navio líder de sua classe e entrou em serviço na Marinha dos Estados Unidos em 2017.
Impulsionado por dois reatores nucleares, tem cerca de 1.106 pés de comprimento, o equivalente a aproximadamente 337 metros, desloca cerca de 100 mil toneladas e supera 30 nós de velocidade, algo acima de 55 km/h.
A própria Marinha o descreve como o mais novo porta-aviões da frota.
O custo do programa do navio é frequentemente arredondado para cerca de US$ 13 bilhões, valor citado em reportagens e análises sobre a classe Ford.
Ao longo da trajetória da embarcação, também houve registros de dificuldades relacionadas à integração de sistemas e ao funcionamento de equipamentos, tema que voltou a aparecer agora com a combinação entre incêndio, falhas sanitárias e missão prolongada.
Antes de seguir para a área ligada ao conflito com o Irã, o Ford passou por missões no Caribe dentro de operações militares dos EUA.
Nesse intervalo, esteve associado a ações de interdição marítima e à campanha americana contra embarcações ligadas a redes sob sanções.
Esse histórico recente tem sido mencionado em reportagens sobre a atual missão para contextualizar a sequência de operações do navio antes do deslocamento ao Oriente Médio.
A soma desses episódios levou o caso para além da esfera técnica e passou a mobilizar também autoridades políticas e militares nos Estados Unidos.
De um lado, a Marinha afirma que o navio permaneceu em condições de operar até a ida a Creta.
De outro, parlamentares usaram o caso para questionar o tempo de emprego da embarcação e os efeitos desse ritmo de operação sobre a vida a bordo.

