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Com 1.000 ônibus enviados ao Chile, fabricante brasileira consolida a força da tecnologia nacional e reforça o protagonismo do Brasil no transporte público da América Latina

Escrito por Ana Alice
Publicado em 07/04/2026 às 23:57
Assista o vídeoMarcopolo amplia exportações de ônibus ao Chile e reforça o papel da indústria brasileira no transporte público da América Latina. (Imagem: Ilustrativa)
Marcopolo amplia exportações de ônibus ao Chile e reforça o papel da indústria brasileira no transporte público da América Latina. (Imagem: Ilustrativa)
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Exportações da Marcopolo para o Chile ganharam escala nos últimos anos e colocaram a indústria brasileira no centro das discussões sobre renovação de frota, tecnologia embarcada, acessibilidade e ônibus de menor emissão no transporte urbano da América Latina.

A Marcopolo ampliou sua presença no transporte público chileno nos últimos anos e transformou o Chile em um de seus principais mercados externos no segmento urbano.

Em material divulgado pela própria fabricante, a empresa informou que, desde o fim de 2018, havia enviado cerca de 800 unidades ao país até março de 2020.

Mais tarde, em dezembro de 2022, afirmou que o volume havia chegado a cerca de 1.000 ônibus novos destinados ao mercado chileno.

Esses números mostram a relevância da operação brasileira no setor, embora não confirmem, com segurança, um embarque único de 1.000 veículos em 2026.

Marcopolo no Chile e a presença brasileira nas frotas urbanas

A atuação da Marcopolo no Chile ajuda a dimensionar o espaço ocupado pela indústria brasileira nesse mercado.

Em março de 2020, a companhia anunciou o fornecimento de 240 ônibus para o sistema Red Movilidad, em Santiago.

Na ocasião, informou que a remessa reforçava sua participação no transporte urbano do país vizinho e declarou que cerca de 1.600 veículos com carrocerias da marca já integravam a frota local.

Dois anos depois, a empresa divulgou outro contrato de grande porte: 391 novos ônibus para o mesmo sistema, operado pela Redbus Transdev.

Segundo a fabricante, aquele foi o maior contrato de exportação da companhia em 2022.

O lote incluía versões do Torino Low Entry e do Torino Low Entry Articulado, modelos voltados ao transporte urbano de maior demanda.

 Imagem: Reprodução/Marcopolo/BMC
Modelo Marcopolo Torino Low Entry com acessibilidade operando no transporte coletivo chileno (Imagem: Reprodução/Marcopolo/BMC)

O histórico desses fornecimentos ajuda a explicar a frequência com que a marca aparece em processos de renovação de frota na região.

Esse movimento também se refletiu nos resultados mais recentes da empresa.

A Marcopolo informou que encerrou 2025 com receita líquida consolidada de R$ 9,06 bilhões, enquanto as exportações a partir do Brasil cresceram 31,1% no ano, somando R$ 1,14 bilhão.

Além disso, a companhia declarou que os negócios internacionais passaram a representar 45,4% da receita líquida total.

O dado indica avanço em relação ao exercício anterior e reforça o peso crescente do mercado externo na operação da fabricante.

Torino Low Entry, acessibilidade e tecnologia no transporte urbano

No caso do Torino Low Entry, a proposta da fabricante é atender corredores e linhas urbanas com maior exigência operacional.

Na apresentação oficial do modelo, a Marcopolo descreve o veículo como uma solução voltada à operação urbana, com foco em facilitar a manutenção e ampliar a disponibilidade da frota.

A empresa informa medidas entre 11,5 metros e 13,48 metros de comprimento, 2,60 metros de largura e 3,17 metros de altura.

Nos contratos divulgados para Santiago, a companhia apresentou configurações distintas.

Em 2022, informou que 305 unidades tinham 12,5 metros, 38 veículos mediam 10,99 metros e 48 articulados chegavam a 18 metros.

Também declarou que todos os ônibus daquele lote utilizavam tecnologia Euro 6, padrão de emissões adotado em motores a diesel.

Já no anúncio feito em 2020, a Marcopolo informou que os articulados do sistema chileno tinham 18,6 metros, capacidade para 152 passageiros, piso baixo, ar-condicionado, portas USB, cabine separada para o motorista e preparação para recursos eletrônicos de comunicação, áudio e vídeo.

Torino Low Entry (Imagem: Reprodução/Marcopolo)
Torino Low Entry (Imagem: Reprodução/Marcopolo)

A fabricante também destacou a presença de rampa de acesso ao salão para ampliar a acessibilidade.

Essas características aparecem com frequência em contratos de sistemas urbanos de maior porte.

Em operações desse tipo, embarque mais rápido, adaptação para passageiros com mobilidade reduzida e integração com equipamentos de bordo costumam ter peso relevante nas especificações técnicas.

Ainda assim, a capacidade de passageiros varia conforme a configuração contratada, o chassi e o layout interno, o que impede tratar um único número como padrão para toda a família Torino Low Entry.

Exportação de ônibus e impacto da indústria brasileira

O desempenho externo da Marcopolo também tem reflexos na indústria brasileira.

No balanço de 2025, a companhia informou produção consolidada de 15.024 unidades e manutenção da liderança no mercado brasileiro.

No mesmo documento, declarou que o avanço dos mercados internacionais compensou a acomodação do mercado interno ao longo do ano.

No segundo trimestre de 2025, a empresa registrou 3.904 unidades na receita líquida consolidada, sendo 343 exportadas a partir do Brasil e 693 faturadas diretamente nas operações internacionais.

A companhia também informou que mantém fábricas nos cinco continentes e que seus veículos circulam em mais de 140 países.

Com essa estrutura, os contratos externos passaram a ganhar espaço maior na composição das receitas.

O dado ajuda a situar a exportação de ônibus dentro de um movimento mais amplo de internacionalização da fabricante.

A base industrial instalada no Brasil tem papel central nesse processo.

Em relatório de sustentabilidade, a Marcopolo afirma que a unidade de Ana Rech, em Caxias do Sul, produz modelos rodoviários e urbanos para o mercado brasileiro e para exportação.

Segundo a companhia, a planta também concentra áreas administrativas, comerciais, de engenharia e treinamento.

Ônibus Euro 6, renovação de frota e sustentabilidade

A discussão sobre tecnologia brasileira no transporte público regional também passa pelo tema das emissões e pela renovação das frotas.

Nos contratos destinados ao Chile, a Marcopolo associou o padrão Euro 6 à redução de poluentes locais e afirmou, em seus comunicados, que essa tecnologia reduz material particulado e óxidos de nitrogênio em comparação com veículos mais antigos.

Ao mesmo tempo, Santiago avançou em outras frentes de modernização.

Em agosto de 2025, a Red Movilidad informou a incorporação de 176 novos ônibus elétricos à rede, em substituição a unidades a diesel em diferentes áreas da capital.

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O anúncio indica que o mercado regional tem combinado duas frentes: a atualização de veículos a diesel para padrões mais rígidos de emissão e a ampliação gradual das frotas elétricas.

Esse cenário levou fabricantes a oferecer mais do que a estrutura física dos veículos.

Recursos de conectividade, monitoramento, conforto térmico, acessibilidade e compatibilidade com diferentes estratégias energéticas passaram a fazer parte das exigências em processos de contratação.

No caso da Marcopolo, a companhia declarou para 2026 a expectativa de ampliar entregas de veículos com propulsões alternativas no segmento urbano, ao lado de uma recuperação gradual do mercado brasileiro no segundo semestre.

Chile como vitrine do transporte público na América Latina

O Chile passou a ocupar posição de destaque entre os mercados observados pelo setor de transporte urbano na América Latina.

Isso ocorre porque o sistema de Santiago se tornou uma referência regional em renovação de frota, padronização operacional e incorporação de novas tecnologias.

Nesse contexto, contratos fechados no país costumam repercutir em outras disputas comerciais na região.

Quando uma fabricante brasileira amplia participação nesse ambiente, o movimento tende a reforçar sua presença em mercados vizinhos.

No entanto, os dados públicos localizados não permitem afirmar, com segurança, que uma única empresa domine sozinha todo o transporte público latino-americano.

O que a documentação disponível permite afirmar é que a Marcopolo mantém liderança no mercado brasileiro, presença internacional ampla e histórico relevante de fornecimento ao Chile, um dos sistemas mais acompanhados da região.

Com exportações em alta, operação internacional mais robusta e investimentos em soluções de menor emissão, a indústria brasileira segue com participação relevante nesse mercado.

Nos próximos contratos, a disputa deve considerar fatores como escala de produção, custo operacional, exigências ambientais e adaptação às necessidades de cada cidade.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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