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Círculos nas plantações do Saara: ISS revela Sharq El Owainat, no Egito, irrigado por pivô central com água do Aquífero de Arenito da Núbia, crescendo entre 1998 e 2019, a 290 km da cidade próxima

Escrito por Carla Teles
Publicado em 05/04/2026 às 22:33
Atualizado em 05/04/2026 às 22:37
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Círculos nas plantações em Sharq El Owainat, no Deserto do Saara, usam irrigação por pivô central e o Aquífero de Arenito da Núbia. Imagem: NASA
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Os círculos nas plantações aparecem a 290 km da cidade mais próxima e crescem entre 1998 e 2019 graças à irrigação por pivô central com água subterrânea do Aquífero de Arenito da Núbia.

Os círculos nas plantações vistos do espaço transformam Sharq El Owainat, no sudoeste do Egito, em um contraste raro: vegetação em plena paisagem do Deserto do Saara. A imagem registrada por um astronauta a bordo da Estação Espacial Internacional mostra padrões circulares que parecem desenhados com régua, mas são resultado direto de uma técnica agrícola.

O que sustenta esses círculos nas plantações é um sistema planejado para usar água de forma eficiente no deserto. Ali, a irrigação por pivô central gira ao redor de um ponto fixo, criando campos circulares que se multiplicam ao longo do tempo e revelam, em série de imagens, como a área agrícola se expandiu de 1998 a 2019.

Onde ficam os círculos nas plantações e por que o lugar chama atenção

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Sharq El Owainat é um posto agrícola remoto no Deserto do Saara. A área fica a aproximadamente 290 quilômetros da cidade mais próxima e a cerca de 210 quilômetros dos lagos Toshka, o que reforça a sensação de isolamento total quando se olha o mapa.

É justamente essa distância que torna os círculos nas plantações tão impressionantes. Em um país em que mais de 95% do território é deserto inabitável e a precipitação média anual citada na base é de 0 milímetros, qualquer mancha verde contínua já chama atenção. Quando essa mancha vira um padrão geométrico perfeito, o efeito visual fica ainda mais marcante.

O que cria o formato circular perfeito no meio do Saara

Os círculos nas plantações são resultado da irrigação por pivô central, um método descrito como eficiente para conservar água na agricultura. Funciona assim: a água subterrânea é extraída de poços no centro do círculo e segue por longos tubos giratórios, que aspergem ou gotejam água enquanto giram em torno do pivô.

O desenho final é praticamente inevitável: se o equipamento gira ao redor do centro, o campo nasce circular. A série de imagens de satélite citada na base ajuda a visualizar o processo em escala, mostrando o surgimento e a ampliação desses círculos ao longo de mais de duas décadas.

A água que alimenta os campos vem do subsolo

No caso de Sharq El Owainat, a base aponta o Sistema Aquífero de Arenito da Núbia como a fonte que permite que pequenas áreas agrícolas sobrevivam em meio ao deserto. Essa água subterrânea, armazenada no subsolo por longos períodos, é descrita como essencial para egípcios que vivem longe do Rio Nilo.

Outro detalhe importante citado na base é a qualidade: a água na região tem baixo teor de sal, o que favorece o cultivo em um ambiente onde a salinização poderia virar um obstáculo silencioso para a produtividade.

O que está sendo cultivado nos círculos nas plantações

Pelas cores e padrões observados, a base indica que parte das lavouras provavelmente inclui batatas, trigo e também plantas medicinais e aromáticas, como camomila. A variação de tons ajuda a distinguir áreas em estágios diferentes de cultivo e manejo.

Há também círculos em tom bege-claro que, segundo a base, provavelmente passaram por queimadas controladas para remover excesso de matéria vegetal e limpar a área para o próximo plantio. Esse detalhe mostra que, além de irrigar, o projeto exige gestão constante do ciclo agrícola.

Logística no deserto: para onde vai essa produção

Os círculos nas plantações não são apenas um fenômeno visual, eles fazem parte de uma cadeia logística. A base descreve que as plantações, destinadas à população da província de New Valley, seguem por estrada desértica com conexões para Abu Simbel, o Oásis de Dakhla e o Aeroporto de Sharq El Owainat.

Isso explica por que a área não se limita a plantar, mas precisa funcionar como um sistema completo: produção, escoamento e infraestrutura mínima para manter um polo agrícola operando longe dos grandes corredores tradicionais.

Um crescimento que dá para ver entre 1998 e 2019

A base também descreve um conjunto de imagens que destaca como o projeto agrícola se desenvolveu entre janeiro de 1998 e março de 2019, usando uma longa série com mais de 150 imagens. Nesse período, fica visível o surgimento de mais campos circulares e mudanças sutis dentro dos próprios campos.

Cada círculo aparece com cerca de 800 metros de diâmetro, segundo a base, o que ajuda a dimensionar o tamanho real do que parece “miniatura” quando visto do espaço. É agricultura em escala, desenhada por mecânica, água e repetição.

As dunas também se movem e entram na história do satélite

Mesmo com o crescimento agrícola, o Saara continua presente no quadro. A base destaca a presença de dunas de areia à deriva, visíveis especialmente em parte das imagens, como um fenômeno comum em desertos arenosos com ventos constantes.

Esse contraste é o que torna Sharq El Owainat um caso tão visual: de um lado, a geometria dos círculos nas plantações; de outro, o relevo vivo do deserto mudando com o vento, lembrando que o cenário nunca fica totalmente estático.

Você acha que esses círculos nas plantações são um exemplo impressionante de adaptação humana ao deserto ou um tipo de agricultura que sempre vai depender de um equilíbrio delicado com a água do subsolo?

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Carla Teles

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