1. Início
  2. Ciência e Tecnologia
  3. Cientistas revelam a maior imagem já feita do coração da Via Láctea com 60 milhões de estrelas, recorde histórico obtido pelo telescópio Euclid que promete acelerar a busca por novos planetas e desvendar alguns dos maiores mistérios do Universo
Faça um comentário 7 min de leitura

Cientistas revelam a maior imagem já feita do coração da Via Láctea com 60 milhões de estrelas, recorde histórico obtido pelo telescópio Euclid que promete acelerar a busca por novos planetas e desvendar alguns dos maiores mistérios do Universo

Imagem de perfil do autor Felipe Alves da Silva
Escrito por Felipe Alves da Silva Publicado em 02/07/2026 às 13:48 Atualizado em 02/07/2026 às 13:52
Centro da Via Láctea com milhões de estrelas registrado pelo telescópio espacial Euclid em imagem de altíssima resolução.
Representação fotojornalística inspirada nas observações do telescópio espacial Euclid destaca o bojo da Via Láctea e uma das imagens astronômicas mais detalhadas já produzidas.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Uma imagem sem precedentes capturada pelo telescópio espacial Euclid revelou o retrato mais detalhado já produzido do coração da Via Láctea, registrando cerca de 60 milhões de estrelas em uma única composição e abrindo novas possibilidades para a descoberta de exoplanetas e para o estudo da estrutura da nossa galáxia.

Olhar para o céu noturno sempre despertou a curiosidade da humanidade. Mesmo após décadas de avanços tecnológicos, a Via Láctea ainda guarda inúmeros segredos sobre sua origem, evolução e composição. Agora, uma nova conquista da astronomia promete mudar a forma como cientistas estudam a nossa galáxia.

Segundo informações divulgadas pela Agence France-Presse (AFP) e pela Agência Espacial Europeia (ESA) na quarta-feira, uma das imagens mais impressionantes já produzidas do Universo acaba de ser apresentada ao público. O registro foi obtido pelo telescópio espacial Euclid, que capturou o maior e mais detalhado retrato já feito do centro da Via Láctea em luz visível.

O resultado impressiona não apenas pela beleza da imagem, mas também pelo enorme valor científico. A fotografia reúne aproximadamente 60 milhões de estrelas, permitindo aos pesquisadores investigar desde a distribuição de matéria na galáxia até a presença de planetas localizados muito além do Sistema Solar.

O coração da Via Láctea aparece em detalhes nunca vistos

Centro da Via Láctea com milhões de estrelas registrado pelo telescópio espacial Euclid em imagem de altíssima resolução.
A imagem mostra uma região do bojo galáctico, no centro da Via Láctea, registrada pelo telescópio espacial Euclid, da Agência Espacial Europeia (ESA). A área é dominada por milhões de estrelas antigas, que conferem à cena sua característica coloração dourada. O recorte corresponde a uma ampliação de 10 vezes da imagem original.

As observações foram realizadas no início de 2025 com a câmera VIS do Euclid, enquanto as cores foram adicionadas posteriormente utilizando dados da câmera MegaCam, do Canada-France-Hawaiʻi Telescope (CFHT), no Havaí. A combinação das informações dos dois telescópios proporcionou uma imagem de altíssima resolução, essencial para estudos sobre a estrutura da Via Láctea e a distribuição de suas estrelas.

Crédito: ESA/Euclid/Euclid Consortium/NASA, CFHT. Processamento de imagem por J.-C. Cuillandre e E. Bertin (CEA Paris-Saclay).

No centro da Via Láctea encontra-se uma estrutura conhecida como bojo galáctico, uma gigantesca concentração de estrelas que forma uma espécie de bolha luminosa em torno do núcleo da galáxia.

Essa região sempre representou um enorme desafio para os astrônomos.

A intensa concentração de estrelas, nuvens de poeira e gás dificulta a observação detalhada utilizando telescópios convencionais.

Foi justamente para superar esse obstáculo que entrou em ação o telescópio espacial Euclid, missão científica da Agência Espacial Europeia lançada em 2023.

Embora seu principal objetivo seja investigar os mistérios da matéria escura e da energia escura, responsáveis por grande parte da composição do Universo, a missão também vem produzindo imagens extraordinárias de diferentes regiões do céu.

Segundo o astrônomo francês Jean-Charles Cuillandre, integrante da missão Euclid, a equipe decidiu direcionar o telescópio para uma das áreas mais brilhantes do firmamento.

O resultado superou todas as expectativas.

Como foi produzida a maior imagem do centro da galáxia

A fotografia foi registrada em 23 de março de 2025, quando o Euclid permaneceu observando continuamente a região central da Via Láctea durante aproximadamente 26 horas.

Na época do registro, o telescópio encontrava-se a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra, posição que ocupa próximo ao ponto de equilíbrio gravitacional conhecido como L2.

A imagem final não corresponde a uma única fotografia.

Na realidade, trata-se de um enorme mosaico composto por nove imagens individuais, cada uma cobrindo uma área do céu maior que o disco aparente da Lua cheia observado da Terra.

Inicialmente, todas as fotografias foram obtidas em preto e branco utilizando a câmera de luz visível do Euclid.

Posteriormente, especialistas adicionaram cores com base em observações realizadas pelo Canada-France-Hawaii Telescope, localizado no Havaí.

O resultado final revela uma paisagem cósmica impressionante, repleta de estrelas distribuídas em diferentes tonalidades e intensidades luminosas.

Segundo Cuillandre, o objetivo do trabalho nunca foi apenas criar uma imagem bonita.

Cada detalhe registrado possui enorme importância científica.

Muito além da beleza: uma ferramenta para descobrir novos mundos

A riqueza de informações contida na imagem permitirá que pesquisadores estudem com muito mais precisão o comportamento das estrelas existentes no centro da Via Láctea.

Embora o Euclid dificilmente descubra diretamente novos exoplanetas nessa fotografia específica, os dados obtidos terão papel fundamental na investigação de sistemas planetários já conhecidos e daqueles que ainda serão identificados.

Isso acontece graças a um fenômeno chamado microlente gravitacional.

Previsto pela Teoria da Relatividade Geral, esse efeito ocorre quando uma estrela passa exatamente à frente de outra.

A gravidade da estrela mais próxima curva a luz emitida pelo astro localizado ao fundo, funcionando como uma gigantesca lente de aumento cósmica.

Quando existe um planeta orbitando essa estrela, sua gravidade provoca pequenas alterações adicionais no brilho observado.

Mesmo sendo extremamente sutis, essas variações podem ser detectadas pelos instrumentos modernos e utilizadas para revelar a existência de mundos invisíveis aos métodos tradicionais de observação.

Nas últimas duas décadas, essa técnica permitiu a descoberta de quase 300 exoplanetas, todos localizados na direção do centro da Via Láctea e identificados por telescópios instalados na Terra.

Com a qualidade das imagens produzidas pelo Euclid, os cientistas acreditam que será possível tornar essas medições muito mais precisas e ampliar significativamente o conhecimento sobre sistemas planetários distantes.

A técnica que transforma estrelas em verdadeiras lentes naturais

Entre as maiores contribuições da missão Euclid está a capacidade de aperfeiçoar os estudos baseados na chamada microlente gravitacional, um fenômeno previsto por Albert Einstein e considerado uma das ferramentas mais eficientes para detectar exoplanetas muito distantes da Terra.

Esse efeito ocorre quando uma estrela passa exatamente à frente de outra sob a perspectiva do observador.

Nesse alinhamento raro, a gravidade da estrela localizada em primeiro plano curva o espaço-tempo e desvia a luz emitida pela estrela situada ao fundo, funcionando como uma gigantesca lente de aumento cósmica.

O resultado é um pequeno aumento temporário no brilho observado pelos telescópios.

Caso exista um planeta orbitando a estrela mais próxima, sua gravidade também interfere nesse feixe luminoso, produzindo uma variação ainda mais sutil.

É justamente essa pequena alteração que permite aos astrônomos identificar mundos invisíveis por outros métodos de observação.

Embora a nova imagem do Euclid não tenha sido produzida para descobrir diretamente novos exoplanetas, ela representa uma base de dados extremamente valiosa para futuras pesquisas.

Mais de 50 sistemas planetários já aparecem no novo mosaico

Segundo a Agência Espacial Europeia, a gigantesca fotografia obtida pelo Euclid já reúne 51 sistemas planetários conhecidos dentro da região observada.

Esses sistemas servirão como referência para análises futuras, permitindo medir com muito mais precisão as massas dos planetas e compreender melhor suas características orbitais.

O astrônomo francês Jean-Philippe Beaulieu, um dos especialistas envolvidos na missão, destacou que a técnica da microlente gravitacional já permitiu a descoberta de quase 300 exoplanetas ao longo dos últimos 20 anos.

Todos eles foram encontrados por observatórios terrestres voltados para o centro da Via Láctea.

Entre essas descobertas está um planeta gelado identificado pela própria equipe de Beaulieu, cuja aparência foi comparada ao planeta fictício Hoth, da franquia Star Wars, devido às suas temperaturas extremamente baixas.

Agora, com a precisão do Euclid, os cientistas esperam ampliar significativamente esse número e estudar esses sistemas com um nível de detalhe nunca alcançado anteriormente.

A missão Euclid vai muito além da busca por exoplanetas

Lançado em 2023, o telescópio espacial Euclid foi desenvolvido principalmente para investigar dois dos maiores mistérios da cosmologia moderna: a matéria escura e a energia escura.

Juntas, essas duas componentes invisíveis representam aproximadamente 95% do Universo, mas continuam praticamente desconhecidas pelos cientistas.

Durante sua missão, o observatório espacial deverá mapear cerca de um terço de todo o céu, produzindo um dos maiores levantamentos astronômicos já realizados.

Esse gigantesco banco de dados permitirá compreender como galáxias evoluíram ao longo de bilhões de anos e como a gravidade moldou a estrutura do Universo desde suas primeiras fases.

Ao mesmo tempo, cada imagem registrada também poderá contribuir para pesquisas envolvendo estrelas, nebulosas, aglomerados estelares, buracos negros, exoplanetas e inúmeros outros objetos celestes.

Um retrato histórico da Via Láctea

Muito além do impacto visual, a nova fotografia representa um marco para a astronomia moderna.

Ao registrar cerca de 60 milhões de estrelas em uma única composição de altíssima resolução, o Euclid oferece aos pesquisadores uma oportunidade inédita para estudar a região mais populosa da nossa galáxia.

Cada ponto luminoso presente no mosaico corresponde a uma estrela cuja luz percorreu enormes distâncias até alcançar os sensores do telescópio.

Nas próximas décadas, essa imagem deverá servir como referência para centenas de estudos científicos, ajudando a compreender desde a dinâmica do bojo galáctico até a formação de novos sistemas planetários.

Mais do que um registro impressionante, o mosaico demonstra o enorme potencial das futuras observações do Euclid e reforça como a exploração espacial continua expandindo os limites do conhecimento humano sobre o Universo.

A imagem foi divulgada pela Agência Espacial Europeia (ESA) com informações da Agence France-Presse (AFP), tendo sido produzida a partir de observações realizadas em 23 de março de 2025 pelo telescópio espacial Euclid.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x