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Cientistas “ouvem o coração” do Sol e, após 40 anos, descobrem algo verdadeiramente surpreendente

Publicado em 16/06/2026 às 14:18
Atualizado em 16/06/2026 às 14:21
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Imagem: Ilustração artística
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Dados heliosísmicos do BiSON indicam que a atividade magnética do Sol pode estar se concentrando em camadas superficiais, com sinais fortes no ciclo solar 25 e impacto no estudo do clima espacial

A atividade solar apresentou uma mudança misteriosa nos últimos 40 anos, segundo cientistas que analisaram ondas sonoras no interior do Sol por meio da heliosismologia. O estudo, publicado em 28 de maio no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, indica alterações abaixo da superfície solar entre 1987 e 2025.

Atividade solar
Uma imagem dividida mostrando um Sol ativo durante o máximo solar (à esquerda, foto tirada em 2014) e um Sol calmo durante o mínimo solar (à direita, foto tirada em 2019) — Foto: NASA/SDO

Dados do BiSON revelam mudança interna

A descoberta foi feita a partir de dados heliosísmicos de seis telescópios da Rede de Oscilações Solares de Birmingham, conhecida como BiSON, na Inglaterra.

Os pesquisadores observaram uma mudança gradual na estrutura logo abaixo da superfície solar ao longo de vários ciclos.

Segundo o estudo, o atual 25º ciclo solar mostra sinais particularmente fortes dessa alteração. A análise sugere que a atividade magnética está sendo comprimida em uma camada cada vez mais rasa, logo abaixo da superfície visível.

O professor Bill Chaplin, da Universidade de Birmingham e autor principal do estudo, afirmou em comunicado que esta é a primeira descoberta desse tipo e que ela teria sido impossível sem as longas observações feitas pelo BiSON.

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Atividade solar parece se concentrar a menos de 1.000 km da superfície

Tradicionalmente, a atividade solar cresce e diminui em ciclos de 11 anos. Esse movimento está ligado a erupções solares, ejeções de partículas altamente carregadas e ejeções de massa coronal, fenômenos que podem gerar tempestades geomagnéticas e auroras.

Para investigar o comportamento da estrela, os pesquisadores analisaram oscilações do modo p, formadas por ondas sonoras no interior da estrela. Essas frequências mudam em resposta à atividade magnética solar.

A equipe concluiu que a estrutura interna do Sol mudou ao longo dos ciclos 22 a 25, período que vai de 1987 a 2025.

As alterações ficaram cada vez mais confinadas a camadas superficiais, a menos de 1.000 km da superfície da estrela.

Atividade solar
À medida que a atividade solar varia ao longo de cada ciclo solar de 11 anos – de períodos de alta atividade (máximos solares) a períodos de baixa atividade (mínimos solares) – as oscilações solares, causadas por ondas sonoras em seu interior, aumentam e diminuem em frequência. Dessa forma, as oscilações acompanham e sondam o biorritmo ativo do Sol.
WJ Chaplin
Tipo de licença
Atribuição (CC BY 4.0)

Ciclo 25 mostra diferença entre medições internas e de superfície

Os cientistas agruparam as oscilações em faixas de baixa, média e alta frequência e compararam esses dados com medidas tradicionais da atividade solar. A partir disso, identificaram mudanças significativas desde o 23º ciclo.

Um dos pontos centrais é que o 25º ciclo parece mais fraco pelos indicadores tradicionais de superfície. No entanto, ele aparece comparativamente forte quando observado nos dados heliosísmicos de alta frequência.

Para Sarbani Basu, professora da Universidade de Yale, as mudanças não podem ser explicadas apenas por campos magnéticos mais fracos.

Segundo ela, os dados indicam uma reorganização estrutural de como a atividade magnética do Sol é armazenada abaixo da superfície.

Descoberta ajuda a acompanhar o clima espacial

A importância prática do estudo está no acompanhamento do clima espacial. A atividade solar pode afetar satélites, comunicações, sistemas de GPS e redes elétricas na Terra.

Os pesquisadores esperam que novos dados do BiSON, coletados durante o restante do 25º ciclo e no 26º ciclo solar, ajudem a determinar se as mudanças fazem parte de uma alteração de longo prazo no comportamento magnético.

Esta matéria foi elaborada com base em informações do Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, da Universidade de Birmingham, da Rede de Oscilações Solares de Birmingham e da Universidade de Yale, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

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Romário Pereira de Carvalho

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