1. Início
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / Cientistas dopam 105 salmões com cocaína e metabólito na Suécia, e peixes expostos nadam até 14 km a mais em oito semanas, acendendo alerta sobre como drogas despejadas nos rios podem alterar ecossistemas inteiros
Tempo de leitura 6 min de leitura Comentários 2 comentários

Cientistas dopam 105 salmões com cocaína e metabólito na Suécia, e peixes expostos nadam até 14 km a mais em oito semanas, acendendo alerta sobre como drogas despejadas nos rios podem alterar ecossistemas inteiros

Escrito por Carla Teles
Publicado em 23/04/2026 às 10:26
Atualizado em 23/04/2026 às 10:31
Cientistas dopam 105 salmões com cocaína e metabólito na Suécia, e peixes expostos nadam até 14 km a mais em oito semanas, acendendo alerta sobre como drogas despejadas nos rios
Salmões expostos à cocaína mostram como drogas em rios podem alterar ecossistemas aquáticos, aponta estudo feito na Suécia.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
73 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Salmões expostos à cocaína e à benzoilecgonina em um experimento no Lago Vättern, na Suécia, passaram a nadar distâncias maiores, ocupar áreas diferentes e mudar seu comportamento, em um resultado que reforça o risco ambiental da presença de drogas ilícitas e resíduos químicos em ambientes aquáticos naturais

Os salmões viraram alvo de um experimento incomum na Suécia após uma equipe de cientistas decidir testar, em ambiente natural, como a exposição à cocaína e ao principal metabólito da substância poderia alterar o comportamento da fauna aquática. Ao todo, 105 peixes juvenis de piscicultura foram divididos em grupos, receberam implantes especiais e depois foram soltos no Lago Vättern, no sul do país, onde passaram a ser monitorados por oito semanas.

O resultado chamou atenção porque os salmões expostos às substâncias passaram a percorrer distâncias bem maiores do que os peixes do grupo de controle. Os animais que receberam cocaína nadaram, em média, cinco quilômetros a mais, enquanto os expostos à benzoilecgonina chegaram a nadar quase 14 quilômetros extras. Para os pesquisadores, isso mostra que resíduos de drogas encontrados em rios e lagos podem alterar o comportamento da fauna e provocar efeitos mais amplos sobre ecossistemas inteiros.

O que os cientistas fizeram com os salmões na Suécia

O experimento foi conduzido por pesquisadores ligados à Universidade Griffith, à Sociedade Zoológica de Londres, ao Instituto Max Planck e a outras instituições. A proposta era entender o que acontece com a fauna aquática quando ela entra em contato, em condições naturais, com substâncias químicas que já são encontradas em rios e lagos do mundo.

Para isso, os salmões foram divididos em três grupos. Um recebeu implantes que liberavam cocaína lentamente no organismo. Outro recebeu dispositivos semelhantes, mas com benzoilecgonina, o principal metabólito da cocaína. O terceiro grupo não recebeu nenhuma substância e serviu como controle da pesquisa.

Como o experimento foi montado e acompanhado no lago

Salmões expostos à cocaína mostram como drogas em rios podem alterar ecossistemas aquáticos, aponta estudo feito na Suécia.
Imagem: Unsplash

Depois da preparação, os salmões foram soltos no Lago Vättern. Todos eram juvenis e carregavam um sistema de rastreamento que permitia aos cientistas monitorar seus deslocamentos com ajuda de sensores instalados ao redor do lago.

Esse acompanhamento durou oito semanas. Durante esse período, os pesquisadores conseguiram medir a distância percorrida a nado por cada grupo e comparar como a exposição às substâncias influenciava o deslocamento, a dispersão e o uso do espaço pelos peixes em um ambiente real.

Os números que explicam por que o estudo chamou tanta atenção

Os dados do experimento ajudam a entender o impacto da exposição. Os salmões que receberam cocaína nadaram em média cinco quilômetros a mais do que os peixes não expostos. Já os que receberam benzoilecgonina tiveram uma resposta ainda mais forte e nadaram quase 14 quilômetros extras.

Segundo a Universidade Griffith, os peixes expostos ao metabólito nadavam até 1,9 vez mais longe por semana do que os não expostos e se dispersavam até 12,3 quilômetros mais longe. Os efeitos também ficaram mais evidentes com o passar dos dias, o que sugere um impacto crescente da substância sobre o comportamento dos animais.

Por que a benzoilecgonina preocupou mais do que a própria cocaína

Um dos pontos mais importantes do estudo foi a diferença entre a ação da cocaína e a do metabólito. Embora a cocaína tenha alterado o deslocamento dos salmões, a benzoilecgonina provocou mudanças ainda mais profundas no movimento e no comportamento dos peixes.

Isso ganhou peso extra porque, segundo os pesquisadores, esse metabólito é encontrado em concentrações mais elevadas na natureza. Ou seja, justamente a substância que mais alterou os peixes pode ser uma das mais presentes em ambientes aquáticos contaminados, o que amplia o alerta ambiental.

O que muda na prática quando os salmões nadam mais e se espalham mais

À primeira vista, o fato de os salmões nadarem distâncias maiores pode parecer apenas uma curiosidade. Mas os próprios cientistas destacam que isso é bem mais sério do que parece. Quando os peixes passam a ocupar áreas diferentes, eles mudam também os locais onde se alimentam, os riscos que enfrentam e a forma como interagem com outras espécies.

Mais deslocamento também significa mais gasto de energia. Isso obriga os animais a buscar mais alimento para compensar o esforço físico, o que pode alterar a dinâmica de populações inteiras. Em outras palavras, uma mudança individual de comportamento pode acabar se refletindo na estrutura de todo o ecossistema.

Por que drogas nos rios podem afetar muito mais do que um único animal

O estudo reforça uma preocupação que já vinha crescendo entre pesquisadores: a presença de drogas ilícitas, produtos farmacêuticos e outras substâncias químicas nos rios não afeta apenas a qualidade da água, mas também o comportamento da vida selvagem.

Os salmões serviram como exemplo concreto desse problema em ambiente natural. Segundo os cientistas, se a contaminação estiver alterando a forma como os peixes se movem, se alimentam e ocupam o espaço, então o impacto pode atingir ecossistemas inteiros de maneiras que ainda estão apenas começando a ser compreendidas.

O que já se sabia antes e o que esse estudo conseguiu mostrar de novo

Pesquisas anteriores já haviam detectado vestígios de cocaína, cetamina e outros compostos em ambientes aquáticos e em organismos expostos a esse tipo de contaminação. Os cientistas também já sabiam que algumas substâncias poderiam mudar o comportamento de espécies silvestres em laboratório.

O avanço deste estudo está no fato de ter levado a investigação para um ambiente natural. Em vez de observar os salmões em condições isoladas, os pesquisadores acompanharam os peixes no mesmo tipo de cenário em que a fauna realmente vive, o que torna o resultado mais relevante para entender o impacto ecológico da poluição química.

Por que o experimento exigiu tanto cuidado

Salmões expostos à cocaína mostram como drogas em rios podem alterar ecossistemas aquáticos, aponta estudo feito na Suécia.
Imagem: Unsplash

Segundo os pesquisadores, o estudo foi conduzido em condições seguras tanto para o ecossistema quanto para os humanos. Mesmo assim, conseguir as permissões necessárias para realizar um experimento desse tipo não foi simples.

Os cientistas relataram que o processo para obter autorização foi trabalhoso. Isso ajuda a mostrar por que pesquisas em ambiente natural ainda são mais raras, mesmo quando podem oferecer respostas mais próximas da realidade enfrentada pela fauna.

O que os pesquisadores querem descobrir agora

Após os resultados, os cientistas defendem novos estudos para compreender melhor as consequências da contaminação por drogas em rios, lagos e mares. A principal preocupação agora é aprofundar o entendimento sobre o papel dos metabólitos e derivados dessas substâncias, que podem estar sendo subestimados em avaliações ambientais.

No caso dos salmões, o experimento mostrou que ignorar compostos como a benzoilecgonina pode significar deixar de enxergar uma parte importante do risco ao qual esses animais estão expostos. Para os pesquisadores, isso abre caminho para uma revisão mais ampla sobre como a poluição química está sendo medida e interpretada na natureza.

Por que esse estudo vai além da curiosidade científica

A imagem de salmões dopados com cocaína parece inusitada, mas o estudo não foi feito para gerar espanto. O objetivo era responder a uma pergunta ambiental relevante: o que acontece com a fauna quando drogas e resíduos químicos chegam aos cursos d’água?

A resposta, pelo menos neste caso, mostrou que o efeito pode ser profundo, cumulativo e capaz de mexer com a organização do ecossistema. A Terra já convive com rios contaminados por compostos produzidos pela atividade humana, e os peixes agora ajudam a mostrar que as consequências desse contato podem ser maiores do que se imaginava.

Na sua opinião, estudos como esse deveriam pressionar governos e cidades a tratar com mais rigor o despejo de substâncias químicas e drogas nos rios?

Inscreva-se
Notificar de
guest
2 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Lenny
Lenny
30/04/2026 06:21

Convenceu ninguem de nada.
Muito pelo contrário, parecia propaganda de droga.

Almir neto
Almir neto
24/04/2026 17:35

Eu imaginando alguem comer um Sushi coçando…..experiência sem pé nem cabeça e maldade com um ser vivo inocente do que estão fazendo com ele….

Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
2
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x