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Cientistas desenvolveram uma bateria fluida inovadora que pode assumir praticamente qualquer formato

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 17/04/2025 às 23:35
Atualizado em 17/04/2025 às 23:42
bateria
Pesquisadores da Universidade de Linköping desenvolveram uma bateria que pode assumir qualquer formato. Crédito: Thor Balkhed
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Uma inovação promissora no campo da energia está chamando atenção: uma bateria fluida que pode assumir qualquer formato. Desenvolvida por pesquisadores em busca de soluções mais flexíveis e eficientes, essa tecnologia permite que o sistema de armazenamento energético se adapte a superfícies irregulares, estruturas móveis e dispositivos com design não convencional.

Um novo tipo de bateria está chamando a atenção de pesquisadores e da indústria. Ela é macia, pode ser moldada em qualquer formato e foi desenvolvida por cientistas da Universidade de Linköping, na Suécia.

A descoberta pode transformar a forma como dispositivos eletrônicos são alimentados no futuro. A pesquisa foi publicada na revista Science Advances.

Nova abordagem para baterias flexíveis

A grande inovação está na transformação dos eletrodos, que deixaram de ser sólidos e passaram a ter forma fluida.

O material lembra uma pasta de dente. Ele pode ser colocado, por exemplo, em uma impressora 3D e moldado conforme necessário. Segundo o professor assistente Aiman Rahmanudin, essa mudança abre caminho para novos formatos de tecnologia.

Diferente das baterias convencionais, que são sólidas e ocupam muito espaço, essa bateria fluida se adapta ao projeto do aparelho.

Isso representa uma mudança significativa, principalmente para tecnologias que precisam ser discretas, pequenas e integradas ao corpo humano.

Aplicações em diferentes dispositivos

A estimativa é de que mais de um trilhão de dispositivos estejam conectados à internet nos próximos dez anos. Isso inclui não só smartphones e computadores, mas também aparelhos médicos como marca-passos, bombas de insulina e sensores vestíveis.

A longo prazo, a nova bateria pode ser usada em robótica leve, tecidos eletrônicos e até implantes nervosos.

Rahmanudin explica que as baterias atuais são o maior componente de qualquer eletrônico. Como são rígidas, limitam o design e a experiência do usuário. Com uma bateria moldável, essas barreiras desaparecem. O eletrônico pode ser desenhado de forma totalmente diferente, adaptado ao formato do corpo, por exemplo.

Superando antigos desafios

Anteriormente, outras equipes tentaram criar baterias flexíveis, com base em materiais que podiam ser esticados ou com peças deslizantes. Mas o problema era sempre o mesmo: quanto mais capacidade se desejava, mais material era necessário, tornando o dispositivo rígido novamente.

A equipe da Universidade de Linköping resolveu essa questão ao mostrar que é possível ter uma bateria de alta capacidade sem abrir mão da flexibilidade. Eles foram os primeiros a demonstrar que a rigidez não precisa estar ligada ao desempenho da bateria.

Eletrodos fluidos já haviam sido estudados no passado. Alguns tentaram usar metais líquidos como o gálio. No entanto, esse tipo de material só funcionava de um lado da bateria e podia se solidificar durante o uso, o que comprometia sua eficiência.

Sustentabilidade como vantagem

Outro ponto importante do novo modelo é a sustentabilidade. Em vez de metais raros e poluentes, os cientistas usaram materiais abundantes e recicláveis. A bateria foi feita com polímeros condutores — chamados de polímeros conjugados — e lignina, um subproduto da indústria de papel.

A lignina, que geralmente é descartada, foi transformada em um material de alto valor. Isso ajuda a criar um sistema mais circular, que reaproveita resíduos da indústria para novas aplicações. Mohsen Mohammadi, pesquisador do laboratório de eletrônica orgânica, destaca que essa abordagem reduz o impacto ambiental.

A nova bateria pode ser recarregada mais de 500 vezes sem perda de desempenho. Além disso, ela pode ser esticada até o dobro do seu tamanho e continuar funcionando normalmente.

Próximos passos no desenvolvimento

Mesmo com os avanços, a bateria ainda precisa melhorar. Atualmente, ela tem uma voltagem de 0,9 volts. Os pesquisadores estão buscando formas de aumentar esse valor para que a bateria seja compatível com mais tipos de aparelhos.

Uma das alternativas em estudo é o uso de outros compostos químicos, como zinco ou manganês. Ambos são metais comuns e mais acessíveis. A equipe acredita que esses elementos podem ajudar a alcançar uma voltagem mais alta.

O projeto continua em desenvolvimento no Campus LiU de Norrköping. A expectativa é que, com o tempo, essa tecnologia possa ser aplicada de forma comercial em diversos setores.

A última informação relevante é que, com mais testes e ajustes, a nova bateria tem potencial para se tornar um marco no avanço de dispositivos inteligentes — unindo flexibilidade, desempenho e sustentabilidade em um só produto.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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