Pesquisadores criam novo material que converte luz visível em luz ultravioleta e amplia aplicações da fotônica avançada em energia e indústria.
Pesquisadores da Universidade de Kyushu, no Japão, desenvolveram um novo material capaz de converter luz visível em luz ultravioleta utilizando apenas a luz solar natural. A descoberta representa um avanço para a fotônica avançada e pode abrir caminho para equipamentos ópticos mais eficientes, além de novas aplicações em energia solar, impressão 3D e processos industriais.
Segundo matéria publicada na Revista Nature no dia 23 de junho em 2026, o semicondutor orgânico atingiu 1,9% de eficiência na conversão de luz usando apenas uma molécula doadora e apresentou rendimento de fluorescência superior a 60%. O material também utiliza matéria-prima de baixo custo e já foi submetido a pedido de patente.
Luz visível impulsiona um mecanismo inédito de conversão para luz ultravioleta
O estudo foi conduzido pela equipe da Faculdade de Engenharia da Universidade de Kyushu, liderada pelo pesquisador Yoichi Sasaki. A pesquisa utiliza um fenômeno conhecido como conversão ascendente, que combina dois fótons de baixa energia da luz visível para gerar um único fóton de luz ultravioleta.
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Esse processo já era conhecido pela ciência, mas reproduzi-lo em materiais sólidos com boa eficiência sempre foi um desafio. O diferencial deste trabalho é conseguir realizar essa transformação utilizando apenas a iluminação natural do Sol.
Hoje, a radiação ultravioleta corresponde a cerca de 6% da luz solar que chega à superfície da Terra, sendo que apenas uma parte desse total pode ser aproveitada em aplicações tecnológicas.
Novo material organiza moléculas para aumentar a conversão de luz
Para alcançar esse resultado, os cientistas modificaram a estrutura molecular do novo material adicionando cadeias alquílicas a átomos de carbono. A mudança permitiu controlar com precisão a distância entre moléculas vizinhas.
Esse equilíbrio favorece a transferência de energia e reduz perdas provocadas por interações eletrônicas indesejadas, aumentando a eficiência do sistema.
Os principais resultados obtidos foram:
- eficiência de 1,9% na conversão ascendente;
- fluorescência acima de 60%;
- funcionamento com luz solar natural;
- matéria-prima de baixo custo;
- tecnologia submetida a pedido de patente.
Segundo Yoichi Sasaki, o desempenho alcançado é expressivo porque poucos materiais sólidos conseguem atingir esse nível funcionando apenas com a luz do Sol.
Os pesquisadores estimam que o sistema produz aproximadamente 2 fótons de luz ultravioleta para cada 100 fótons de luz visível absorvidos.
Avanço fortalece a fotônica avançada e amplia possibilidades tecnológicas
A descoberta representa um passo importante para a fotônica avançada, área dedicada ao desenvolvimento de tecnologias baseadas na manipulação da luz.
Como a quantidade de luz ultravioleta disponível naturalmente é limitada, transformar parte da abundante luz visível em radiação UV pode aumentar a eficiência de diversos equipamentos sem exigir fontes artificiais de alta potência.
Além da economia de energia, o uso de um semicondutor orgânico pode facilitar o desenvolvimento de dispositivos mais leves e acessíveis para diferentes setores.
Conversão de luz pode beneficiar energia solar, impressão 3D e área da saúde
Os pesquisadores acreditam que o novo material poderá ser utilizado em diversas aplicações que dependem da radiação ultravioleta.
Entre elas estão:
- aumento da eficiência de sistemas de energia solar;
- purificação do ar em ambientes internos;
- impressão 3D com resinas ativadas por UV;
- endurecimento de resinas odontológicas;
- cura de géis utilizados em procedimentos estéticos;
- secagem de revestimentos especiais.
Como o sistema utiliza a luz solar natural, essas aplicações poderão reduzir o consumo de energia e ampliar a eficiência de diversos processos industriais.
Tecnologia pode acelerar a próxima geração de equipamentos ópticos
Embora a pesquisa ainda esteja em desenvolvimento, os resultados mostram que a conversão de luz em materiais sólidos pode alcançar níveis relevantes de eficiência utilizando apenas a iluminação natural.
O trabalho da Universidade de Kyushu demonstra que a combinação entre luz visível, luz ultravioleta e um novo material pode impulsionar a evolução da fotônica avançada, criando oportunidades para equipamentos ópticos mais eficientes, soluções industriais sustentáveis e novas tecnologias voltadas para energia, saúde e manufatura.
