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Cientistas descobriram no espaço a maior molécula orgânica já encontrada entre as estrelas, uma estrutura de 13 átomos que pode ser o “elo perdido” entre a química do cosmos e a origem da vida na Terra

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 19/04/2026 às 18:59
Atualizado em 19/04/2026 às 19:01
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Achado perto do centro da Via Láctea reforça a hipótese de que compostos decisivos para a biologia podem ter se formado no espaço e alcançado a Terra muito antes do surgimento da vida

Uma equipe internacional identificou no espaço a maior molécula orgânica com enxofre já encontrada entre as estrelas. A estrutura tem 13 átomos, foi anunciada em janeiro de 2026 e colocou a discussão sobre a origem da vida na Terra de volta no centro da astrobiologia.

O composto apareceu na nuvem molecular G+0,693 0,027, a cerca de 27 mil anos luz da Terra, perto do centro da Via Láctea. O impacto é imediato porque o enxofre é peça importante em moléculas ligadas à vida e amplia o mapa da química que existe no cosmos.

Por isso, o achado ganhou força como possível elo entre a química do espaço e a vida, ao sugerir que ingredientes cruciais podem ter surgido muito antes do nascimento do planeta.

Nuvem G+0,693 0,027 a 27 mil anos luz virou o palco da descoberta

A região onde a molécula foi detectada já chama atenção dos astrônomos por concentrar uma química rica e incomum. Ficar perto do centro da Via Láctea transforma essa nuvem em um laboratório natural para observar como compostos complexos surgem no ambiente interestelar.

Foi nesse cenário que os cientistas localizaram um sinal compatível com uma molécula orgânica sulfurada maior e mais complexa do que tudo o que havia sido confirmado até agora entre as estrelas. O resultado elevou o peso de G+0,693 0,027 no debate sobre a formação de compostos ligados à vida.

Estrutura com 13 átomos supera o que já havia sido visto com enxofre no espaço

A nova molécula tem fórmula C6H6S e reúne 13 átomos em uma estrutura estável que chamou atenção pela complexidade. Até aqui, os compostos com enxofre detectados no espaço interestelar eram menores e deixavam uma lacuna importante entre a química do cosmos e a química encontrada em corpos do Sistema Solar.

Esse salto de escala muda a leitura do tema. A presença de uma estrutura tão elaborada sugere que o espaço profundo pode formar moléculas mais sofisticadas do que se imaginava, inclusive com características próximas das substâncias vistas em cometas, meteoritos e asteroides.

Confirmação em 23 de janeiro de 2026 veio do cruzamento entre laboratório e radiotelescópios

Este é um espectrômetro de laboratório de última geração desenvolvido pela própria equipe. Os cientistas do MPE Christian Endres e Mitsunori Araki, à direita, coordenam o experimento: um conduz a produção de uma nova molécula, enquanto o outro capta suas assinaturas por meio de espectroscopia de precisão. No centro da foto está uma enorme câmara de vácuo, o espaço onde uma nova molécula nasce e é imediatamente colocada sob medição. Fonte. MPE

Segundo Nature Astronomy, revista científica internacional revisada por pares, a equipe confirmou a molécula ao combinar medições feitas em laboratório com sinais captados por radiotelescópios na Espanha. Esse cruzamento deu robustez ao resultado e afastou a chance de uma identificação apressada.

O método também ajuda a explicar por que a descoberta chamou tanta atenção. Primeiro, os pesquisadores obtiveram a assinatura da molécula em ambiente controlado. Depois, procuraram esse mesmo padrão na observação do céu profundo e encontraram a coincidência na nuvem molecular perto do centro galáctico.

Enxofre entra em aminoácidos e leva a descoberta para o debate sobre a vida

O enxofre é o décimo elemento mais abundante do universo e participa de aminoácidos essenciais ao funcionamento da vida, como os que ajudam a formar proteínas. Quando uma molécula grande com esse elemento aparece entre as estrelas, a discussão deixa de ser apenas astronômica e entra direto no campo da origem da vida.

Isso não significa que os cientistas encontraram vida no espaço. O que surgiu foi uma pista forte de que a química necessária para montar ingredientes biológicos pode começar muito antes da formação de planetas, em nuvens frias e densas espalhadas pela galáxia.

Cometas, meteoritos e asteroides ganham novo peso nessa rota química

A descoberta reforça a hipótese de que parte dos compostos que abasteceram a Terra antiga veio do espaço em cometas, meteoritos e asteroides. Se moléculas orgânicas sulfuradas complexas já existiam no meio interestelar, a ponte entre o cosmos e a química do planeta fica mais curta.

É por isso que o achado passou a ser tratado como um possível elo perdido. A molécula recém detectada não resolve sozinha o mistério da vida, mas fortalece a ideia de que o material químico que abriu caminho para ela pode ter começado a se organizar muito antes da Terra existir.

A descoberta amplia o que a ciência sabe sobre a química do cosmos e dá novo fôlego à busca por compostos ainda maiores no espaço. Cada avanço nessa área aproxima os pesquisadores de entender como elementos espalhados pela galáxia puderam virar matéria orgânica complexa.

No fim, o peso do anúncio está no que ele representa. Encontrar a maior molécula orgânica com enxofre já vista entre as estrelas muda o patamar da astroquímica e reposiciona a discussão sobre como os ingredientes da vida podem ter chegado à Terra.

Este artigo foi produzido com base em informações publicadas pela revista Nature, uma das principais publicações científicas do mundo.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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