Estudo publicado em 28 de fevereiro no periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society mostra que sinais específicos na luz de estrelas com baixa atividade magnética podem indicar sistemas com exoplanetas próximos, permitindo estimar até 300 planetas ainda não detectados
Cientistas identificaram sinais fracos na luz de estrelas que podem indicar a presença de planetas ainda desconhecidos. A técnica já permitiu detectar vários exoplanetas e sugere que centenas de novos mundos podem estar escondidos em sistemas estelares próximos.
sinais nas estrelas podem revelar novos planetas
Pesquisadores desenvolveram um método que analisa sinais específicos na luz de estrelas para identificar sistemas que podem abrigar exoplanetas. A técnica se baseia na detecção de padrões de absorção provocados por detritos gerados por planetas muito próximos de suas estrelas hospedeiras.
Esses detritos são formados principalmente por gases liberados de planetas intensamente irradiados. Ao orbitar as estrelas, esse material absorve parte da luz estelar em frequências visíveis específicas, criando assinaturas que podem indicar a presença de mundos ainda não detectados.
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Segundo Matthew Standing, pesquisador do Centro Europeu de Astronomia Espacial da Agência Espacial Europeia em Madri e autor principal do estudo, essa absorção pode fazer com que certas estrelas pareçam magneticamente menos ativas do que realmente são.
como a observação das estrelas foi realizada
Para testar a hipótese, a equipe analisou inicialmente um conjunto de 24 estrelas que apresentavam atividade magnética aparentemente baixa. Essas estrelas foram selecionadas dentro do Projeto Planeta de Matéria Dispersa, conhecido como DMPP.
Os pesquisadores coletaram espectros de luz visível dessas estrelas utilizando telescópios do Observatório Espacial Europeu no Chile. Os espectros correspondem às curvas de luz associadas aos comprimentos de onda da radiação eletromagnética visível aos seres humanos.
Cada estrela foi observada pelo menos dez vezes durante períodos que chegaram a duas semanas. Caso houvesse planetas orbitando essas estrelas, a atração gravitacional exercida por esses corpos provocaria oscilações detectáveis nos espectros de luz.
Esse método de detecção é conhecido como técnica de velocidade radial. Ele permite identificar pequenas variações no movimento das estrelas causadas pela presença de planetas que orbitam ao redor delas.
resultados mostram dezenas de exoplanetas em torno das estrelas
Após a coleta de dados, a equipe utilizou um algoritmo computacional para analisar as mudanças observadas nas curvas de luz das estrelas. O sistema avaliou se essas variações poderiam indicar a presença de até quatro planetas em cada sistema estelar.
Os resultados mostraram que 14 estrelas analisadas hospedavam um total de 24 exoplanetas. Entre eles estavam sete planetas recém-descobertos distribuídos em cinco sistemas estelares diferentes.
A análise também indicou que a frequência de exoplanetas em torno dessas estrelas era significativamente maior do que em levantamentos tradicionais de velocidade radial. A ocorrência foi estimada entre oito e dez vezes superior à observada em outros estudos semelhantes.
exoplanetas próximos às estrelas não são considerados habitáveis
Muitos dos mais de 6.000 exoplanetas já conhecidos orbitam extremamente perto de suas estrelas hospedeiras. Essa proximidade expõe suas superfícies a intensa radiação estelar, o que normalmente impede condições consideradas favoráveis à habitabilidade.
Alguns desses mundos liberam material que forma caudas de detritos semelhantes às de cometas. Um exemplo citado no estudo é o exoplaneta K2-22b, analisado pelo Telescópio Espacial James Webb em 2025.
Esses detritos podem permanecer por milhões de anos como uma nuvem orbitando a estrela hospedeira. Apesar do ambiente extremo, esse material ajuda os cientistas a identificar sistemas onde planetas próximos estão se desintegrando.
levantamento aponta centenas de planetas ainda ocultos nas estrelas
Os pesquisadores também avaliaram a eficiência do método desenvolvido. O levantamento conseguiu identificar quase 95% dos exoplanetas que possuem mais de dez vezes a massa da Terra e que completam órbitas ao redor de suas estrelas em cinco dias ou menos.
A equipe ampliou a análise para uma região maior do espaço, compilando uma lista de cerca de 16.000 estrelas localizadas até 1.600 anos-luz do sistema solar. Um ano-luz corresponde à distância que a luz percorre em um ano, aproximadamente 9,46 trilhões de quilômetros.
Entre essas estrelas, os cientistas identificaram 241 com assinaturas semelhantes de baixa atividade magnética. Com base na proporção de exoplanetas encontrada no estudo, os pesquisadores estimam que essas estrelas possam abrigar aproximadamente 300 planetas ainda não descobertos.
Standing afirmou que o potencial da técnica ainda precisa ser confirmado com amostras maiores. Segundo ele, se os resultados se mantiverem, o método poderá tornar as buscas por exoplanetas mais eficientes.
A equipe planeja ampliar o tamanho da amostra analisada e continuar monitorando dados de velocidade radial. O objetivo é identificar novos sinais de planetas orbitando estrelas que apresentam essas assinaturas características.
