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Cientistas chineses identificaram 122 asteroides viáveis para mineração de asteroides em larga escala e traçaram o plano Tiangong Kaiwu para explorar gelo de água espacial e metais em todo o Sistema Solar até 2100

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 02/04/2026 às 13:57
Atualizado em 02/04/2026 às 14:01
Cientistas chineses mapearam 122 asteroides para mineração e lançaram o Tiangong Kaiwu para explorar gelo de água espacial em todo o Sistema Solar até 2100
Cientistas chineses mapearam 122 asteroides para mineração e lançaram o Tiangong Kaiwu para explorar gelo de água espacial em todo o Sistema Solar até 2100
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O roteiro Tiangong Kaiwu apresentado por cientistas chineses descreve quatro fases de mineração de asteroides e extração de gelo de água espacial que pretendem transformar o Sistema Solar em uma rede de abastecimento conectando a Lua, Marte e a região de Júpiter até o fim do século

Cientistas chineses ligados à Corporação de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da China identificaram 122 asteroides próximos da Terra que são considerados técnica e economicamente viáveis para mineração de asteroides em larga escala. O número faz parte de um levantamento maior que mapeou cerca de 700 objetos com materiais avaliados em mais de 100 trilhões de dólares cada, e agora sustenta um plano de quatro fases para explorar recursos em todo o Sistema Solar até o ano 2100.

A iniciativa se chama Tiangong Kaiwu e foi apresentada pelo acadêmico Wang Wei como um roteiro de longo prazo que vai muito além de missões científicas. O plano prevê extração de gelo de água espacial nos polos lunares, reabastecimento de naves em pontos de equilíbrio gravitacional e uma rede de transporte conectando Terra, Lua, Marte e o cinturão principal de asteroides, transformando a exploração espacial em uma economia industrial permanente.

De uma enciclopédia do século XVII a um plano para minerar o Sistema Solar

Cientistas chineses mapearam 122 asteroides para mineração e lançaram o Tiangong Kaiwu para explorar gelo de água espacial em todo o Sistema Solar até 2100

O nome Tiangong Kaiwu não foi escolhido por acaso. Ele vem de uma enciclopédia chinesa de artesanato e tecnologia publicada em 1637 que documentava como as pessoas transformavam materiais naturais em ferramentas e produtos.

Os cientistas chineses adotaram o título para sinalizar uma continuidade de ideias: os materiais nascem na natureza e a habilidade humana os transforma em civilização.

Em 2023, Wang Wei e seus colegas apresentaram o Tiangong Kaiwu como conceito de desenvolvimento, que depois foi divulgado pela Administração Espacial Nacional da China como uma visão oficial em três etapas: prospecção, extração e utilização.

Na prática, o roteiro avança em quatro grandes fases que cobrem desde levantamentos de recursos lunares até a construção de uma rede de estações de abastecimento por todo o Sistema Solar, conectando o espaço cislunar, Marte e a região de Júpiter em uma única cadeia de suprimentos.

Quatro fases que vão de 2035 à mineração de asteroides em Júpiter

A primeira fase, prevista para até 2035, concentra esforços em levantamentos detalhados de recursos nos polos lunares e em pequenos corpos próximos da Terra, além de demonstrações iniciais de tecnologia de extração.

É nessa etapa que os 122 asteroides mapeados pelos cientistas chineses ganham importância prática, servindo como alvos prioritários para as primeiras operações de mineração de asteroides.

Até meados do século, o plano prevê extração piloto de gelo de água espacial no polo sul da Lua e em asteroides ricos em voláteis, com os primeiros postos de reabastecimento no espaço cislunar.

Por volta de 2075, a atividade se estenderia a Marte e ao cinturão principal de asteroides com processamento em órbita, e até 2100 os cientistas chineses imaginam uma rede completa ligando o Sistema Solar em rotas de transporte entre Terra, Lua, Marte e Júpiter.

Os pontos de Lagrange, zonas de equilíbrio gravitacional entre corpos celestes, funcionariam como depósitos onde naves seriam reabastecidas e carga transferida.

Gelo de água espacial vale tanto quanto metais nesse plano

Entre todos os recursos mencionados no Tiangong Kaiwu, o gelo de água espacial ocupa posição tão estratégica quanto os metais preciosos.

Isso porque a água encontrada em crateras lunares e asteroides pode ser decomposta em oxigênio e hidrogênio, fornecendo ar respirável, combustível para propulsão e água potável sem a necessidade de transportar tudo desde a superfície da Terra.

Para os cientistas chineses, essa capacidade de produzir suprimentos essenciais diretamente no espaço é o que viabiliza missões de longa duração e torna a mineração de asteroides economicamente sustentável.

Sem o gelo de água espacial, cada quilograma de combustível e cada litro de água precisariam ser lançados da Terra a custo altíssimo, inviabilizando operações permanentes no Sistema Solar.

O roteiro também menciona uma infraestrutura digital de escala de gigawatts combinando comunicações, computação e rastreamento de detritos, transformando o espaço orbital em um corredor industrial.

Por que a China quer minerar o espaço: crise de recursos na Terra

O Tiangong Kaiwu não é apresentado apenas como projeto de prestígio espacial. Wang Wei argumenta que o desenvolvimento de recursos espaciais pode aliviar a escassez de recursos, as crises energéticas e a poluição ambiental que já afetam a Terra, injetando impulso no desenvolvimento sustentável do planeta.

Os números justificam a urgência. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente relata que a extração global de recursos naturais triplicou nas últimas cinco décadas, com projeção de aumento de mais 60% até 2060.

A Agência Internacional de Energia estima que a demanda por minerais de tecnologias limpas pode triplicar até 2030 e quadruplicar até 2040, com a demanda por lítio crescendo mais de quarenta vezes.

Para os cientistas chineses, a mineração de asteroides oferece uma alternativa: extrair metais e voláteis fora da Terra protegeria florestas, montanhas e rios enquanto mantém a produção de baterias, turbinas eólicas e veículos elétricos.

Os riscos que o plano ainda precisa resolver

Apesar da ambição, o Tiangong Kaiwu enfrenta obstáculos sérios. Cada lançamento que transporta equipamento de mineração para o espaço consome combustível e deixa resíduos na alta atmosfera, e estudos recentes alertam que a fuligem de foguetes na estratosfera pode aquecer o ar e retardar a recuperação da camada de ozônio caso as taxas de lançamento aumentem.

A congestão orbital é outro problema. Agências espaciais já monitoram cerca de 40 mil fragmentos de detritos maiores que uma bola de softball, além de milhares de satélites ativos.

Um Sistema Solar mais industrializado, com petroleiros e estações de processamento espalhados pelo espaço cislunar, agravaria essa superlotação. Há também a questão legal: o Tratado do Espaço Exterior proíbe reivindicações de soberania sobre corpos celestes, mas leis nacionais nos Estados Unidos e em Luxemburgo já permitem que empresas sejam proprietárias dos recursos que extraem no espaço.

O Tiangong Kaiwu adiciona um poderoso ator estatal a essa corrida, e a pergunta que os cientistas chineses ainda não responderam é quem definirá as regras para impedir que a mineração de asteroides repita os piores hábitos da mineração terrestre.

Você acredita que a mineração espacial vai acontecer neste século?

O roteiro Tiangong Kaiwu é, por enquanto, um plano estratégico e não um projeto totalmente financiado.

Mas a clareza das quatro fases, o mapeamento de 122 asteroides viáveis e a ênfase no gelo de água espacial mostram que os cientistas chineses estão tratando a exploração do Sistema Solar como política de Estado, não como ficção científica.

Você acha que a mineração de asteroides vai se tornar realidade até 2100? A exploração espacial é a solução para a crise de recursos da Terra ou apenas vai exportar os mesmos problemas para o espaço? Deixe sua opinião nos comentários.

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Anderson
Anderson
06/04/2026 16:14

Vamos nos matar antes de 2100.

edy marcos santana de arruda marcos
edy marcos santana de arruda marcos(@mr_santana_arruda)
06/04/2026 14:53

Na natureza terrestre nada se cria, tudo se transforma, dessa forma, o que implicaria na gravidade, rotação… se alterasse seu peso, massa?

Clésio Berri
Clésio Berri
05/04/2026 09:41

A exploração espacial não se tornará realidade porque a humanidade ainda não está consciente do que estão fazendo. Seria muito importante primeiro a humanidade refletir em desenvolver e despertar a consciência para saber o que fazer.
A ESCOLHA é nossa. Se continuarmos no caminho que estamos é muito provável que vamos nos auto destruir em menos de uma década.
Para sair disso muitíssimas pessoas teriam que ler e praticar um pequeno livro HERCÓLUBUS OU PLANETA VERMELHO do Mestre Rabolú e pratique os dois últimos capítulos e você poderá encontrar esse livro no site Associação Alcione. É gratuito.

Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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