Empresa de tecnologia climática captura CO₂ do ar na Islândia e converte em rocha subterrânea em até 2 anos, usando basalto e energia renovável para reduzir emissões globais
No interior da Islândia, uma tecnologia começa a chamar atenção de cientistas, governos e empresas de energia. O sistema captura dióxido de carbono diretamente da atmosfera e o transforma em rocha sólida no subsolo.
A operação acontece perto da central geotérmica de Hellisheiði, onde uma instalação industrial remove CO₂ do ar e o injeta em formações vulcânicas profundas. O processo prende o carbono de forma permanente e pode se tornar uma nova ferramenta na estratégia global contra o aquecimento.
O projeto ainda é pequeno em escala, mas já demonstra que retirar carbono da atmosfera e armazená lo com segurança pode ser viável.
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Tecnologia captura carbono diretamente da atmosfera
O sistema começa com grandes ventiladores que puxam o ar ambiente para dentro de filtros especiais.
Esses filtros utilizam materiais químicos capazes de capturar moléculas de dióxido de carbono presentes na atmosfera. Quando ficam saturados, eles são aquecidos para liberar o gás concentrado.
Nesse momento o CO₂ passa a ser tratado como matéria prima para armazenamento geológico. A tecnologia é conhecida como captura direta de carbono do ar, uma das soluções mais discutidas no debate climático atual.
CO₂ dissolvido em água segue para rochas vulcânicas
Depois de capturado, o dióxido de carbono é dissolvido em água, criando uma solução rica em carbono.
Essa mistura é então bombeada para o subsolo a centenas de metros de profundidade. O destino são camadas de rocha basáltica, formação vulcânica abundante em regiões como a Islândia.
O basalto contém minerais como cálcio, magnésio e ferro. Esses elementos reagem naturalmente com o carbono dissolvido e iniciam um processo de transformação mineral.
Reação química transforma gás em rocha sólida
Quando a solução rica em carbono entra em contato com o basalto, ocorre uma reação química conhecida como mineralização.
O carbono reage com os minerais presentes na rocha e forma carbonatos estáveis. Esses minerais permanecem presos na estrutura da rocha por períodos extremamente longos.
Conforme dados de Carbfix, empresa islandesa que desenvolve tecnologia de mineralização de carbono subterrâneo, cerca de 95% do CO₂ injetado vira pedra em menos de 2 anos.
Na natureza, esse mesmo processo pode levar milhares ou até milhões de anos.

Planta Orca captura milhares de toneladas por ano
Uma das instalações mais conhecidas do projeto se chama Orca, inaugurada em 2021.
A planta tem capacidade para capturar cerca de 3.600 toneladas de CO₂ por ano utilizando energia geotérmica para alimentar o sistema.
Uma nova instalação chamada Mammoth, inaugurada em 2024, foi projetada para alcançar 36.000 toneladas anuais quando estiver funcionando em plena capacidade.
Embora esses números ainda sejam pequenos diante das emissões globais, eles representam um passo importante no desenvolvimento da tecnologia.
Islândia reúne condições ideais para armazenar carbono
O país reúne fatores geológicos e energéticos que facilitam esse tipo de projeto.
Grande parte do território islandês é formada por rochas vulcânicas basálticas, ideais para transformar carbono em minerais sólidos.
Além disso, a Islândia possui grande disponibilidade de energia geotérmica, o que permite operar a captura de carbono com baixa emissão adicional.
Essas condições transformaram o país em um dos principais centros de pesquisa mundial para armazenamento permanente de carbono.
Potencial global pode ajudar metas climáticas
Especialistas afirmam que remover carbono da atmosfera pode ser necessário para limitar o aquecimento global.
As emissões humanas ultrapassam 36 bilhões de toneladas de CO₂ por ano, volume muito superior à capacidade atual das tecnologias de captura.
Mesmo assim, as formações de basalto apresentam enorme potencial. Esse tipo de rocha cobre grande parte do fundo dos oceanos e cerca de 5% das áreas continentais do planeta.
Isso significa que o armazenamento geológico pode oferecer capacidade suficiente para guardar grandes quantidades de carbono no futuro.
A experiência na Islândia mostra que transformar poluição atmosférica em rocha deixou de ser apenas hipótese científica. A tecnologia começa a ganhar espaço no radar da estratégia climática global e altera a forma como governos e empresas avaliam o combate ao aquecimento do planeta.

