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Cientistas analisaram mais de 300 kg de gelo antártico e descobriram vestígios de poeira estelar radioativa deixados por antigas explosões de supernovas na Terra

Publicado em 26/05/2026 às 15:33
Atualizado em 26/05/2026 às 15:38
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Imagem: Ilustração artística
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Pesquisadores analisaram mais de 300 quilos de gelo antigo da Antártida e identificaram ferro-60, isótopo raro associado a supernovas, reforçando a ligação entre a Terra e a Nuvem Interestelar Local

Vestígios de poeira estelar radioativa foram identificados em amostras de gelo da Antártida com idade entre 40.000 e 80.000 anos, indicando que partículas formadas por antigas explosões estelares chegaram à Terra e ficaram preservadas no gelo. A descoberta envolve o ferro-60, isótopo raro associado a supernovas.

Ferro-60 no gelo aponta para poeira estelar, material vindo de supernovas

Uma equipe liderada por Dominik Koll, do Instituto de Física de Feixes de Íons e Pesquisa de Materiais do HZDR, analisou gelo antigo da Antártida em busca de sinais de material radioativo produzido fora da Terra.

O estudo, publicado na Physical Review Letters, identificou átomos de ferro-60 incrustados nas amostras. Esse isótopo é considerado importante para os astrofísicos porque não é produzido naturalmente em grandes quantidades no planeta.

A descoberta liga diretamente o gelo antártico a partículas de poeira interestelar. Segundo os pesquisadores, esse material pode ter se formado após uma explosão estelar, condensado em pequenos grãos e atravessado o espaço antes de alcançar o sistema solar.

O ferro-60 já havia sido encontrado em sedimentos oceânicos antigos. A diferença, neste caso, é que as amostras da Antártida trazem um registro muito mais recente da chegada desse tipo de material interestelar à Terra.

Gelo antártico revela poeira espacial
© Crédito: L. Brucker/Centro de Voos Espaciais Goddard

Mais de 300 quilos de gelo antigo foram processados

Para chegar ao resultado, os pesquisadores coletaram e processaram mais de 300 quilos de gelo da Antártida.

As amostras foram derretidas, passaram por tratamento químico e foram examinadas por espectrometria de massa com acelerador.

A técnica permite identificar isótopos extremamente raros com alto grau de precisão, contando átomos individualmente. Foi esse método que permitiu isolar traços de ferro-60 no material analisado.

“Procuramos átomos individuais do isótopo radioativo 60Fe”, afirmou Dominic Koll. “Esse isótopo é uma impressão digital de estrelas em explosão.”

A frase resume por que o achado é relevante para a pesquisa espacial. O ferro-60 funciona como um marcador de processos cósmicos associados a supernovas, permitindo rastrear a presença de poeira originada fora do sistema solar.

Poeira estelar radioativa pode estar ligada à Nuvem Interestelar Local

Os resultados sugerem que o material de uma supernova próxima ficou aprisionado na Nuvem Interestelar Local, uma região formada por gás, poeira e plasma dispersos entre estrelas próximas.

O sistema solar se move por essa região há dezenas de milhares de anos, segundo os cientistas. A presença do ferro-60 no gelo ajuda a investigar como esse ambiente cósmico ao redor do sistema solar pode ter se formado.

A pesquisa amplia um estudo publicado em 2019, quando integrantes da mesma equipe identificaram ferro-60 pela primeira vez na neve da Antártida. Na ocasião, a origem do isótopo ainda não estava clara.

“Não sabíamos de onde vinha”, disse Koll. “Então continuamos trabalhando nisso, rastreando o fluxo… e chegamos à conclusão de que está relacionado à nuvem interestelar local.”

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Diferença entre neve recente e gelo antigo reforça nova hipótese

Os pesquisadores compararam amostras de neve recentes com camadas de gelo muito mais antigas. A análise mostrou uma diferença importante na concentração de ferro-60.

As amostras mais antigas tinham quantidades menores do isótopo. Isso indica que menos poeira interestelar atingiu a Terra naquele período, em comparação com registros mais recentes.

O padrão também não corresponde aos depósitos de ferro-60 encontrados anteriormente em sedimentos oceânicos com milhões de anos.

Essa diferença levou a equipe a considerar uma origem mais local, conectada ao ambiente interestelar que envolve o sistema solar.

Segundo as informações compartilhadas com o Space.com, o estudo oferece uma das primeiras oportunidades diretas de investigar a origem das nuvens interestelares ao redor do sistema solar.

“Isso significa que as nuvens que envolvem o sistema solar estão ligadas a uma explosão estelar”, afirmou Koll em comunicado. “E, pela primeira vez, isso nos dá a oportunidade de investigar a origem dessas nuvens.”

Os cientistas estimam que o sistema solar entrou na Nebulosa Local entre 40.000 e 124.000 anos atrás. A próxima etapa será examinar gelo ainda mais antigo, depositado antes desse intervalo, para acompanhar com mais precisão a chegada da poeira interestelar à Terra.

Esta matéria foi elaborada com base em informações do estudo publicado na Physical Review Letters e de informações compartilhadas com o Space.com, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

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Romário Pereira de Carvalho

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