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Cientista mergulha a quase 5 mil metros no oceano profundo, entra em um mundo sem luz solar, encontra água-viva gigante do tamanho de um ônibus e revela como a vida consegue existir em um ambiente que desafia tudo o que conhecemos

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Escrito por Caio Aviz Publicado em 19/03/2026 às 23:12 Atualizado em 19/03/2026 às 23:13
Cientistas analisam amostras marinhas em laboratório enquanto telão exibe coral de águas profundas, em estudo sobre oceano profundo inspirado nas pesquisas de María Emilia Bravo
Análise de amostras do oceano profundo ganha apoio de telão com imagens ampliadas de corais, refletindo pesquisas como as lideradas por María Emilia Bravo
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Expedições no Alasca e no mar argentino revelam novas espécies, ecossistemas quimiossintéticos e desafios da exploração do oceano profundo

A bióloga marinha María Emilia Bravo constrói uma trajetória de destaque na ciência oceânica ao explorar regiões sem luz solar. Suas pesquisas revelam novas espécies, corais gigantes e ecossistemas extremos, ainda pouco conhecidos.

O oceano cobre cerca de 70% da superfície do planeta, mas grande parte permanece inexplorada. Esse cenário amplia a importância de estudos científicos voltados ao fundo do mar.

María Emilia atua no Igeba, no Conicet e na Universidade de Buenos Aires. Seu trabalho integra um grupo restrito de cientistas que já observaram diretamente o oceano profundo.

Exploração do oceano ainda é limitada

Dados de junho de 2025 da Noaa mostram que apenas 27,3% do fundo marinho foi mapeado com alta resolução. A Nasa aponta que existem mapas mais detalhados da Lua do que dos oceanos.

Mais de 90% do oceano possui profundidade superior a 200 metros, o que limita a exploração. Exploradores observaram menos de 0,001% do fundo profundo, segundo a Noaa.

Mergulho histórico no Alasca impressiona comunidade científica

Em 2024, no projeto Methanosphaera, María Emilia mergulhou 4.907 metros no Alasca e permaneceu cerca de 12 horas submersa. A baleia cachalote, por exemplo, atinge cerca de 2 mil metros, o que destaca a dimensão da missão.

A equipe utilizou o submersível Alvin, conhecido por explorar o Titanic. Durante a expedição, os pesquisadores estudaram ecossistemas quimiossintéticos, onde a vida não depende da luz solar.

Investigação científica revela ecossistemas únicos

Esses ambientes funcionam com base em microrganismos que metabolizam compostos químicos do fundo do mar. Os animais dependem dessa fonte de energia para sobreviver.

A missão liderada por Lisa Levin identificou diferentes padrões de biodiversidade. A fauna varia conforme profundidade, presença de metano, oxigênio e características do solo.

Os pesquisadores também identificaram uma rede complexa de interações entre organismos e ambiente. Os estudos continuam com apoio do Scripps Institution of Oceanography.

Os corais de águas profundas têm crescimento lento e são longevos.

Expedição vida em extremos amplia descobertas no mar argentino

Entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, María Emilia liderou a expedição “Vida em Extremos” no mar argentino. A missão ocorreu a bordo do navio Falkor, com transmissão ao vivo.

A pesquisa contou com o apoio do Schmidt Ocean Institute e da Universidade de Buenos Aires. O trabalho ampliou o conhecimento sobre o oceano profundo da região.

Durante a campanha, a equipe registrou descobertas relevantes:

  • Água-viva fantasma gigante, com tamanho comparável a um ônibus
  • Maior recife de Bathelia candida conhecido, próximo ao tamanho do Vaticano
  • 28 possíveis novas espécies, conforme a equipe científica

Os recifes abrigam diversas espécies e sustentam a biodiversidade local. Esses ambientes desempenham papel ecológico fundamental.

Os peixes da espécie Centrolophus niger nadam ao redor da campânula de uma Stygiomedusa gigantea – mais conhecida como medusa fantasma gigante.

Impactos ambientais e desafios da exploração

Esses ecossistemas são considerados ambientes marinhos vulneráveis. Atividades como a pesca com redes de arrasto podem causar danos irreversíveis.

A exploração dessas regiões exige tecnologia avançada, como submersíveis tripulados e veículos autônomos (AUVs). Esses equipamentos mapeiam áreas extensas e coletam dados em alta resolução.

As pesquisas identificaram vazamentos de metano e novos habitats. Esses dados ampliam o conhecimento científico sobre o oceano profundo.

Importância científica e representatividade feminina

Segundo María Emilia, compreender esses ambientes permite identificar a distribuição das espécies e avaliar mudanças ambientais. As informações orientam decisões sobre conservação.

Dados da ONU mostram que apenas 31,1% dos pesquisadores eram mulheres em 2022. A Unesco aponta que apenas 1 em cada 10 líderes em STEM é mulher.

A trajetória da pesquisadora reforça a importância da diversidade na ciência. Ela também amplia o impacto global das pesquisas oceânicas.

Diante de um oceano ainda pouco explorado e repleto de vida desconhecida, quantas descobertas ainda permanecem escondidas nas profundezas do planeta?

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Anna Luisa
Anna Luisa
27/03/2026 09:25

Muito, muito interessante!!! Só demonstra quanto ainda temos para descobrir!!!

Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

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