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Cidade submersa no Egito revela porto perdido há 1200 anos com navios intactos, templo colossal e segredos ainda escondidos sob o Mediterrâneo

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 18/03/2026 às 14:19
Atualizado em 18/03/2026 às 14:20
Assista o vídeoRuínas submersas de templo na cidade perdida Thonis-Heracleion no Egito com mergulhador explorando estruturas antigas
Estrutura monumental submersa em Thonis-Heracleion evidencia como a antiga cidade portuária foi engolida pelo mar após eventos sísmicos
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Descoberta arqueológica no Egito mostra como uma metrópole portuária desapareceu, foi identificada e ainda guarda estruturas intactas sob o mar

Uma descoberta arqueológica de grande relevância histórica foi consolidada ao longo das últimas décadas, atraindo atenção internacional.
A antiga cidade de Thonis-Heracleion, localizada na Baía de Aboukir, foi encontrada a cerca de 6,5 km da costa egípcia, submersa sob aproximadamente 10 metros de profundidade.

Antes mesmo da fundação de Alexandria, todo navio grego precisava passar por esse porto estratégico, o que reforça sua importância comercial.
A cidade era conhecida como Thonis pelos egípcios e Heracleion pelos gregos, o que gerou confusão histórica durante séculos.

Atualmente, apenas 5% da área total foi escavada, segundo o Instituto Europeu de Arqueologia Subaquática (IEASM), o que indica amplo potencial de novas descobertas.
Esse cenário revela que a cidade permanece como uma das maiores áreas arqueológicas submersas ainda pouco exploradas.

Formação geológica explica o desaparecimento da cidade

O solo do delta do Nilo é composto por argila saturada e areia instável, característica que favorece eventos geológicos extremos.
Quando terremotos atingiram a região, ocorreu o fenômeno conhecido como liquefação do solo, fazendo com que o terreno perdesse sua consistência.

Com isso, o solo passou a se comportar como líquido, e, consequentemente, templos, estátuas e construções inteiras foram engolidos gradualmente.
Pesquisas conduzidas pelo IEASM, em parceria com o Smithsonian Institution e a Universidade Stanford, confirmaram que diversos fatores atuaram simultaneamente.

Entre esses fatores estão a subsistência progressiva do solo, a elevação do nível do mar e a ocorrência de eventos sísmicos recorrentes.
Por volta do século II a.C., um grande terremoto destruiu parte do templo de Amon, derrubando blocos sobre embarcações.

Mesmo após esse evento, pequenas áreas permaneceram habitáveis até o século VI d.C., quando ainda existia um convento ativo.
No entanto, no século VIII d.C., um novo abalo sísmico submergiu definitivamente a cidade, que permaneceu oculta por cerca de 1200 anos.

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Descoberta moderna resolve um enigma histórico

A identificação da cidade começou a ganhar força em 1933, quando um piloto da Royal Air Force observou estruturas submersas na Baía de Aboukir.
Somente em 1996, o arqueólogo francês Franck Goddio iniciou pesquisas sistemáticas na região.

Os estudos utilizaram tecnologias como magnetômetro de ressonância magnética nuclear, sonar de varredura lateral e perfilador de subfundo, o que permitiu localizar vestígios submersos.
Em 2000, os primeiros achados concretos foram registrados, e, ao longo de seis anos, uma área de cerca de 110 km² foi mapeada.

Uma descoberta decisiva ocorreu com a identificação de uma estela de granodiorito negro, ligada ao faraó Nectanebo I (378–362 a.C.).
Esse artefato confirmou que Thonis e Heracleion eram a mesma cidade, encerrando um debate histórico de séculos.

Relatos históricos conectam a cidade à guerra de Troia

O historiador grego Heródoto, que visitou a região por volta de 450 a.C., registrou eventos ligados à narrativa da Guerra de Troia.
Segundo ele, Páris e Helena passaram por Thonis durante a fuga de Esparta.

Servos teriam relatado o ocorrido aos sacerdotes locais, o que levou à intervenção das autoridades.
O guardião do Nilo, chamado Thonis, teria capturado Páris, enquanto Helena foi levada a Mênfis para julgamento pelo faraó Proteu.

Heródoto também afirmou que Helena não chegou a Troia, o que sugere uma versão alternativa da história.
Esse relato coloca Thonis-Heracleion no centro de uma das narrativas mais conhecidas da Antiguidade.

Achado arqueológico confirma descrição antiga

Escavações realizadas entre 2009 e 2011 revelaram uma embarcação conhecida como Ship 17.
O navio, com cerca de 28 metros de comprimento, estava 70% preservado sob o lodo, o que permitiu análises detalhadas.

Sua estrutura correspondia ao tipo de barco descrito por Heródoto, chamado baris, caracterizado por pranchas curtas e encaixes específicos.
Durante décadas, essa descrição foi questionada por estudiosos.

Em 2019, o Oxford Centre for Maritime Archaeology confirmou que o relato de Heródoto era preciso.
O arqueólogo Alexander Belov sugeriu que o navio pode ter sido construído no mesmo estaleiro descrito pelo historiador.

Estruturas navais e esculturas impressionam pesquisadores

As escavações identificaram mais de 700 âncoras e 64 naufrágios, formando um dos maiores cemitérios navais do mundo antigo.
Essas embarcações datam entre os séculos VI e II a.C., refletindo a intensa atividade portuária da cidade.

Algumas dessas estruturas parecem ter sido afundadas intencionalmente para proteger canais e reforçar a infraestrutura.
Entre os achados mais impressionantes está a estátua do deus Hapy, esculpida em granito vermelho.

A escultura possui 5,4 metros de altura e pesa cerca de 6 toneladas, sendo considerada a maior já encontrada de uma divindade egípcia, segundo o IEASM.
Além disso, estátuas de um rei e uma rainha ptolomaicos também foram recuperadas.

Cidade submersa ainda preserva a maior parte de seus segredos

A cidade de Thonis-Heracleion permanece em grande parte inexplorada, com cerca de 95% de sua área ainda intacta.
Esse cenário transforma o local em uma verdadeira cápsula do tempo arqueológica.

Entre os objetos encontrados estão joias de ouro, instrumentos de prata, cerâmicas gregas e cestas com sementes preservadas por cerca de 2400 anos.
Esses itens demonstram o nível de conservação proporcionado pelo ambiente submerso.

Em 2023, pesquisadores identificaram um santuário dedicado a Afrodite, o que indica presença grega permanente na cidade.
Segundo Franck Goddio, seriam necessários cerca de 200 anos adicionais de pesquisa para compreender totalmente o local.

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