Município do interior paulista ganhou projeção nacional ao liderar sua faixa populacional em ranking de cidades inteligentes, com destaque para educação, urbanismo, economia, saneamento e conectividade. Resultado reforça a visibilidade de Jaguariúna fora da região de Campinas e amplia o interesse sobre seu modelo de desenvolvimento urbano.
Jaguariúna, no interior paulista, consolidou sua presença entre os destaques do desenvolvimento urbano no país ao liderar, pelo quarto ano seguido, o recorte das cidades com 50 mil a 100 mil habitantes no Ranking Connected Smart Cities.
O desempenho veio acompanhado de posições relevantes em áreas diretamente ligadas ao cotidiano da população, como Educação, Urbanismo e Economia, e ampliou a exposição nacional de um município que tinha 59.347 moradores no Censo 2022 e 141,391 km² de área territorial, segundo o IBGE.
Ranking Connected Smart Cities coloca Jaguariúna em evidência
O resultado não se explica por um único indicador nem por uma vitrine tecnológica isolada.
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A lógica do Connected Smart Cities é mais ampla e cruza dados de infraestrutura, serviços públicos, planejamento urbano e ambiente econômico para medir a capacidade de desenvolvimento dos municípios.
Na edição de 2024, o estudo avaliou 74 indicadores em 656 cidades brasileiras com mais de 50 mil habitantes, distribuídos em 11 eixos temáticos, entre eles mobilidade, urbanismo, meio ambiente, tecnologia e inovação, economia, educação, saúde, segurança, empreendedorismo, governança e energia.
Dentro desse universo, Jaguariúna apareceu não apenas como a mais bem posicionada entre as cidades de porte semelhante, mas também como 11ª colocada no ranking geral e 7ª no recorte do Sudeste.
Além disso, ficou em 2º lugar em Educação, 3º em Urbanismo e 6º em Economia, sinal de que a boa colocação não dependeu de um único ponto forte.
O avanço reforça a leitura de que cidades médias podem ganhar espaço quando conseguem transformar estrutura urbana e gestão em resultados comparáveis aos de centros maiores.
Saneamento, 5G e banda larga ajudam a explicar o resultado
Uma parte importante dessa trajetória aparece nos dados de infraestrutura destacados pelo próprio ranking.
Jaguariúna registra 100% de água encanada, 98,2% de atendimento na coleta de esgoto e 73% de tratamento do esgoto coletado, além de 83% de cobertura da coleta de resíduos residenciais, com base em informações do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento.
Em um levantamento que busca relacionar qualidade urbana e capacidade de entrega de serviços, esse conjunto ajuda a sustentar a posição da cidade entre as mais bem avaliadas do país em sua categoria.
A conectividade também apareceu como um diferencial.
O estudo registra velocidade média de 80,82 Mbps nas conexões de banda larga contratada e 99% de cobertura 5G no município.
Esses números não funcionam apenas como dado tecnológico, mas como indicativo da base material disponível para atividades econômicas, serviços digitais, operação de empresas e acesso da população a uma rede urbana mais integrada.
Em rankings desse tipo, o peso da conectividade cresce quando vem acompanhado de estrutura urbana e indicadores sociais consistentes.
Educação e economia sustentam o destaque nacional
Na educação, Jaguariúna teve um dos resultados mais expressivos da edição de 2024.
Segundo o Connected Smart Cities, 97,6% dos docentes do ensino médio têm ensino superior, a nota do Ideb nos anos finais do ensino público é 6, a taxa de abandono no 1º ano do ensino médio público é de 2,7% e o investimento em educação chega a R$ 2.753 por habitante.
A combinação desses indicadores ajuda a explicar o segundo lugar nacional no eixo, já que o ranking considera tanto desempenho quanto permanência escolar e capacidade de sustentar políticas públicas na área.
O recorte econômico, por sua vez, reforça a leitura de uma cidade com atividade produtiva diversificada.
O ranking aponta que 93% dos empregos locais estão fora do setor público, houve crescimento de 2,8% no número de empregos em 2024 e avanço de 14,1% no número de empresas no período analisado.
O levantamento também informa que 22,4% da força de trabalho formal está no setor de tecnologia da informação e comunicação e registra a existência de uma incubadora de empresas voltada a negócios inovadores.
Esse quadro ganha outra dimensão quando comparado aos dados do IBGE.
O instituto informa que o PIB per capita de Jaguariúna foi de R$ 247.373,54 em 2023, número elevado mesmo dentro do interior paulista e relevante para contextualizar a presença do município entre os destaques do eixo de economia.
Embora o ranking não se resuma à renda, a força econômica local ajuda a entender por que a cidade aparece com frequência em discussões sobre capacidade de investimento, dinamismo empresarial e oferta de serviços.
Cidade média supera centros maiores em visibilidade urbana
Parte do interesse despertado por Jaguariúna vem justamente do contraste entre seu porte populacional e a posição que alcançou no cenário nacional.
O município não integra o grupo das capitais nem das grandes metrópoles que costumam concentrar visibilidade quando o assunto é inovação urbana.
Ainda assim, conseguiu manter a liderança na sua faixa populacional em quatro edições consecutivas, o que reduz a chance de o resultado ser lido como oscilação pontual e reforça a percepção de continuidade administrativa e estabilidade de indicadores.
A metodologia do ranking ajuda a entender esse movimento.
Como a comparação usa fontes secundárias padronizadas e recortes equivalentes para todos os municípios avaliados, o tamanho absoluto deixa de ser o único fator relevante.
Passam a contar, com mais peso, a eficiência da estrutura urbana, a cobertura de serviços, a qualidade dos indicadores educacionais, o ambiente econômico e a capacidade de articulação entre diferentes áreas da gestão.
Nesse formato, cidades médias com base fiscal, planejamento e serviços consistentes conseguem disputar espaço com centros muito mais populosos.
Conhecida regionalmente pela proximidade com Campinas e pela presença de atividades industriais e de serviços, Jaguariúna já tinha relevância econômica no interior de São Paulo.
O que o Connected Smart Cities fez foi ampliar esse enquadramento, inserindo a cidade em uma vitrine nacional mais associada à ideia de município inteligente e conectado.
O desempenho em saneamento, conectividade, educação e mercado de trabalho ajuda a explicar por que o nome passou a circular com mais força fora da região e por que a cidade entrou de vez no radar de rankings sobre desenvolvimento urbano.


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