Navegantes, em Santa Catarina, iniciou a montagem do canteiro de obras para o alargamento em praia no bairro Gravatá, que vai esticar a faixa de areia para 70 metros ao longo de 2,3 quilômetros. A obra de R$ 31,5 milhões será executada pela multinacional belga Jan de Nul, especializada em engenharia marítima, com prazo contratual de cinco meses e expectativa de conclusão em três.
O alargamento em praia é uma das intervenções mais complexas e caras que uma cidade litorânea pode realizar, e Navegantes acaba de dar o primeiro passo concreto para transformar a Praia do Gravatá. O canteiro de obras está sendo montado no trecho entre a Avenida Prefeito Cirino Adolfo Cabral e a Avenida Prefeito José Juvenal Mafra, onde duas estações de montagem prepararão tubos de 900 milímetros de diâmetro que serão usados para bombear areia do fundo do mar até a faixa de praia. As peças chegam em seções de 6 e 12 metros e serão unidas pelas equipes até formarem segmentos de 24 metros.
Segundo informações do portal da NSC, o prefeito Ricardo Ventura classificou a instalação do canteiro como uma etapa decisiva para o início efetivo do alargamento em praia. A intervenção vai cobrir um trecho de 2,3 quilômetros entre a Foz do Rio Gravatá e o Rio das Pedras, e após o engordamento da faixa de areia, a expectativa é que a praia passe a contar com 70 metros de extensão. Para uma praia que vem perdendo faixa de areia ao longo dos anos, como mostram registros fotográficos de 2005 e 2006 comparados com imagens atuais, o alargamento representa a recuperação de um espaço que o mar vinha tomando.
Como funciona o alargamento de uma praia
O processo de alargamento em praia, também chamado de engordamento, consiste em retirar areia do fundo do mar por meio de dragagem e bombeá-la até a costa, depositando o material ao longo da faixa que se deseja ampliar. No caso da Praia do Gravatá, tubulações de 900 milímetros de diâmetro conectarão o equipamento de dragagem no mar à praia, transportando a areia em forma de polpa líquida que, ao chegar à costa, se deposita e é nivelada por equipes e máquinas de terraplanagem.
-
O Mali quer abrir caminho para o oceano cavando 900 km de hidrovia pelo Rio Senegal: projeto de US$ 800 milhões promete reduzir custos logísticos em até 60%, criar uma rota direta ao Atlântico e transformar a exportação de ouro de um dos países mais isolados da África sem depender de estradas ou ferrovias
-
Quanto custa o metro do reboco? Profissional cita média entre R$ 25 e R$ 30
-
Um estudo na China revelou que as juntas de borracha que vedam os túneis submersos sob o mar se degradam muito mais rápido do que se imaginava quando a salinidade e a compressão constante agem juntas, perdendo até 67% da força de vedação ao longo da vida útil, embora as obras existentes não corram risco imediato
-
O Corredor de Lobito, uma ferrovia que rasga a África para levar o cobre do interior até o Atlântico, começa a sair do papel

A escolha de tubos com 900 milímetros de diâmetro indica o volume de material que será movimentado. Cada seção de 24 metros, montada a partir da junção de peças menores, forma uma linha contínua que precisa suportar a pressão da mistura de areia e água bombeada a alta velocidade. A estruturação dessa tubulação iniciou nessa terça-feira (12). no canteiro de obras deve prosseguir até 10 de junho, quando a fase de dragagem propriamente dita poderá começar.
Jan de Nul: a multinacional belga por trás da obra

imagem: Prefeitura de Navegantes.
A empresa responsável pelo alargamento em praia no Gravatá é a Jan de Nul, multinacional belga especializada em engenharia marítima e dragagem. A companhia opera em projetos de grande porte ao redor do mundo, incluindo ampliação de portos, construção de ilhas artificiais e recuperação de praias em países da Europa, Ásia e Américas. A presença de uma empresa desse calibre em Navegantes reflete a complexidade técnica da operação, que exige equipamentos especializados e experiência em trabalhos subaquáticos.

O investimento previsto para a intervenção é de R$ 31,5 milhões, valor que cobre a mobilização de equipamentos, a dragagem do fundo do mar, o transporte da areia por tubulação e o acabamento da nova faixa de praia. Para Navegantes, uma cidade que vive do turismo de praia e da movimentação portuária, o investimento representa uma aposta na valorização do litoral como ativo econômico e na qualidade de vida dos moradores que utilizam o Gravatá como área de lazer.
De 2005 até hoje: a praia que o mar foi engolindo

imagem: Prefeitura de Navegantes.
Registros fotográficos da Praia do Gravatá feitos em 2005 e 2006 mostram uma faixa de areia significativamente mais larga do que a que existe atualmente. Ao longo de duas décadas, a erosão costeira reduziu o espaço entre a água e as construções, um processo natural agravado por fatores como a elevação do nível do mar, mudanças nos padrões de corrente e intervenções humanas que alteram a dinâmica sedimentar da região.

imagem: Prefeitura de Navegantes.
O alargamento em praia é a resposta técnica a esse processo erosivo. Em vez de construir muros e barreiras rígidas que apenas transferem o problema para o trecho vizinho, o engordamento devolve areia à praia e reconstrói a faixa perdida. A desvantagem é que a areia depositada também está sujeita à erosão futura, o que significa que o alargamento pode precisar de manutenção periódica ao longo dos anos. Mesmo assim, a técnica é considerada a mais adequada para praias urbanas onde a faixa de areia tem valor econômico e social direto.
Alterações no trânsito durante as obras
A montagem do canteiro de obras já está gerando mudanças no tráfego da região do Gravatá. A prefeitura de Navegantes orienta motoristas e moradores a utilizarem rotas alternativas pelas ruas Olindo José Bernardes, Bernardo Antônio Narciso, Alfredo José Rebello e Antônio Inácio durante o período de montagem das tubulações. Equipes de orientação estarão no local para auxiliar com eventuais intercorrências.
A administração municipal pediu compreensão dos moradores em relação às mudanças temporárias no trânsito. Para quem mora no entorno do Gravatá, o transtorno é o preço de curto prazo por um ganho de longo prazo: quando a obra estiver concluída, a praia terá 70 metros de faixa de areia onde hoje há apenas uma fração disso. O período de maior impacto no trânsito será durante a montagem das tubulações, que deve se estender até 10 de junho.
Prazo: cinco meses no contrato, três na expectativa
O contrato entre a prefeitura de Navegantes e a Jan de Nul prevê cinco meses para a conclusão total do alargamento em praia, contando desde a mobilização do canteiro de obras até a entrega da faixa de areia finalizada. A expectativa da administração municipal, porém, é que a obra seja concluída em três meses, o que colocaria a Praia do Gravatá pronta antes do início da temporada de verão.
O cronograma acelerado depende de condições climáticas favoráveis e da ausência de imprevistos técnicos durante a dragagem. Trabalhos no mar são particularmente sensíveis a ondulação, ventos e correntes que podem interromper a operação por dias. Se o tempo colaborar, a Jan de Nul tem capacidade técnica para cumprir o prazo otimista. Caso contrário, o contrato de cinco meses oferece margem para absorver atrasos sem comprometer a entrega final.
Uma praia com 70 metros e uma pergunta para os moradores
A Praia do Gravatá em Navegantes vai ganhar 70 metros de faixa de areia ao longo de 2,3 quilômetros, numa obra de R$ 31,5 milhões executada por uma das maiores empresas de engenharia marítima do mundo. O alargamento em praia vai devolver ao Gravatá o espaço que o mar tomou ao longo de duas décadas, transformando uma praia que vinha encolhendo em um dos trechos mais amplos do litoral norte catarinense.
Você acompanha as obras de alargamento em praias de Santa Catarina? Conte nos comentários o que acha do investimento de R$ 31,5 milhões no Gravatá, se já visitou a Praia do Gravatá antes e se acredita que o engordamento da faixa de areia vai durar ou se o mar vai tomar de volta. Queremos ouvir a sua opinião.


-
2 pessoas reagiram a isso.