Concentração urbana no litoral paulista transformou Santos em referência nacional de verticalização, com maioria da população vivendo em edifícios residenciais, paisagem dominada por prédios e dinâmica urbana moldada por limites geográficos, dados do Censo e décadas de crescimento controlado.
Santos, no litoral de São Paulo, lidera o ranking nacional de moradores vivendo em apartamentos, segundo dados do Censo Demográfico 2022.
O levantamento do IBGE indica que 63,4% da população do município residia em unidades desse tipo, a maior proporção entre as cidades brasileiras.
Basta circular por bairros próximos à orla para entender por que a cidade ganhou fama de “capital dos prédios”.
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A paisagem é marcada por fileiras de edifícios residenciais que se repetem por quilômetros, com poucas interrupções.
Embora outras cidades sejam lembradas pela altura de suas torres, Santos se destaca pela concentração de moradores e domicílios em apartamentos.
Dados do Censo revelam liderança nacional
Os dados oficiais divulgados pelo IBGE apontam que Santos foi o único município do país, em 2010, em que já predominavam moradores em apartamentos.
Na comparação com o Censo anterior, a proporção subiu de 57,8% em 2010 para 63,4% em 2022, reforçando um padrão urbano consolidado ao longo de décadas.
No recorte nacional, o IBGE informou que a predominância de moradores em apartamentos é exceção.
Entre os municípios brasileiros, apenas três registraram mais pessoas vivendo em apartamentos do que em casas no Censo 2022.
Além de Santos, aparecem Balneário Camboriú, em Santa Catarina, e São Caetano do Sul, em São Paulo, cada um com características urbanas próprias.
Outro dado que ajuda a explicar a percepção de que “quase todo mundo mora em prédio” é o perfil dos domicílios.
Em Santos, o Censo 2022 também aponta 67,1% das moradias classificadas como apartamentos.
Essa diferença costuma gerar confusão entre o número de moradores e o total de unidades residenciais.
Limitações geográficas moldaram a cidade vertical
A verticalização santista não é um movimento recente, nem se resume a um fenômeno imobiliário dos últimos anos.
A formação do município sempre conviveu com limites físicos claros.
De um lado está o mar.
Em outras áreas, predominam manguezais.
Ao fundo, a Serra do Mar impede a expansão territorial.
Com pouco espaço para crescer horizontalmente, a cidade passou a se desenvolver de forma vertical ao longo do século XX.
A proximidade com a Região Metropolitana de São Paulo, o peso econômico do Porto de Santos e o apelo do litoral como endereço permanente reforçaram a demanda por moradia em áreas já consolidadas.
Ao longo do tempo, o apartamento deixou de ser exceção e passou a representar o padrão dominante.
Orla concentra prédios e bairros seguem o mesmo padrão
A orla da praia funciona como a principal vitrine desse modelo urbano.
O alinhamento quase contínuo de edifícios residenciais ao longo da faixa litorânea é um dos traços mais reconhecíveis da cidade.
Quem chega a Santos pela primeira vez costuma notar esse cenário de forma imediata.
Ainda assim, a verticalização não se limita à beira-mar.
Bairros como Gonzaga, Boqueirão, Aparecida e Ponta da Praia apresentam predominância de edifícios residenciais.
Nessas regiões, casas térreas se tornaram raras, especialmente em áreas valorizadas e próximas de comércio e serviços.
Esse padrão difere de grande parte das cidades brasileiras.
Em outros municípios, é comum a coexistência de bairros horizontais extensos com núcleos verticalizados pontuais.
Em Santos, os prédios se espalham de maneira mais homogênea, criando a sensação de verticalização permanente.
Vida em apartamentos influencia rotina e infraestrutura
Quando a maior parte da população vive em edifícios, a rotina urbana se reorganiza.
Condomínios, portarias, elevadores e áreas comuns passam a fazer parte do cotidiano da maioria dos moradores.
Isso afeta desde a convivência social até a circulação de pessoas em horários de maior movimento.
A alta densidade populacional em áreas relativamente pequenas também pressiona a infraestrutura urbana.
Sistemas de abastecimento de água, esgoto, energia elétrica, coleta de resíduos e mobilidade precisam atender a uma grande concentração de moradores.
No litoral, essa demanda ainda sofre variações sazonais associadas ao turismo.
Por outro lado, o adensamento contribui para um município mais compacto.
Serviços, escolas, comércio e transporte público ficam mais próximos das áreas residenciais.
Em muitos bairros, as atividades do dia a dia podem ser resolvidas a pé ou em trajetos curtos.
Benefícios e limites de um território adensado

A verticalização permite que Santos abrigue uma população expressiva em um território limitado.
Esse fator ajuda a explicar por que a cidade mantém a maior proporção de moradores em apartamentos do país.
Em municípios costeiros, onde barreiras ambientais são frequentes, essa estratégia urbana se repete com intensidades diferentes.
Ao mesmo tempo, o modelo impõe desafios.
A concentração de edifícios exige atenção constante à manutenção, especialmente em prédios mais antigos.
Questões estruturais, segurança, modernização de sistemas e gestão condominial fazem parte da agenda permanente da cidade.
Santos e as exceções da verticalização no Brasil
Balneário Camboriú costuma ser lembrada como símbolo da verticalização brasileira pela altura de seus edifícios.
Santos se diferencia por outro aspecto. O destaque está na proporção de moradores e domicílios em apartamentos, e não apenas na altura das construções.
Os dados do IBGE mostram que, no país, a moradia em casas ainda predomina de forma ampla. Por isso, a situação santista chama atenção. Trata-se de um caso consolidado e singular no urbanismo brasileiro.

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