1. Início
  2. / Curiosidades
  3. / Ciclones e chuva acima da média chegam ao Brasil, impulsionados por anomalias no Pacífico, acumulados extremos como 539,9 mm, frio com mínimas de 13°C e risco elevado de geadas no Sul
Tempo de leitura 6 min de leitura Comentários 0 comentários

Ciclones e chuva acima da média chegam ao Brasil, impulsionados por anomalias no Pacífico, acumulados extremos como 539,9 mm, frio com mínimas de 13°C e risco elevado de geadas no Sul

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 30/04/2026 às 12:29
Atualizado em 30/04/2026 às 12:39
El Niño, ciclones e frio devem mudar o clima no Brasil em maio, com chuva acima da média no Sul e risco maior de geada.
El Niño, ciclones e frio devem mudar o clima no Brasil em maio, com chuva acima da média no Sul e risco maior de geada.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

Mudança no padrão climático em maio traz combinação de frio mais intenso no Sul, avanço do El Niño e volumes elevados de chuva em algumas regiões, enquanto áreas do Brasil Central entram em período mais seco com temperaturas acima da média histórica.

O comportamento do clima no Brasil deve passar por uma mudança relevante em maio, com avanço do frio no Sul, aumento da chuva em parte da região e sinais consistentes de formação do El Niño no Pacífico Equatorial, conforme projeções da MetSul Meteorologia.

Esse cenário se insere em uma fase do outono climático em que o padrão atmosférico já se aproxima gradualmente do inverno, sobretudo na segunda metade do mês, favorecendo noites mais frias, tardes amenas e maior frequência de episódios de geada.

Na capital gaúcha, as normais climatológicas de 1991 a 2020 apontam mínima média de 13,6°C em maio, valor inferior aos 16,8°C registrados em abril, refletindo o aumento de noites frias e a redução gradual da temperatura ao longo do mês.

Além disso, a máxima média mensal recua de 26,4°C para 22,6°C, reforçando a transição para um padrão mais típico de inverno, com tardes menos quentes e maior predominância de condições térmicas moderadas.

Já em São Paulo, os dados da estação do Mirante de Santana indicam mínima média de 14,7°C em maio e máxima média de 23,4°C, evidenciando comportamento semelhante ao observado na Região Sul, ainda que com menor intensidade.

Ao mesmo tempo, áreas do Centro-Oeste, Sudeste e até parte do Norte podem registrar incursões de ar frio de origem continental, capazes de provocar quedas acentuadas de temperatura e episódios característicos de friagem.

Frio ganha força e risco de geada aumenta no Sul

Com o avanço do mês, cresce a probabilidade de mínimas mais baixas, especialmente nos estados do Sul, onde as condições atmosféricas favorecem a formação de geada em um número maior de dias.

Em situações mais intensas, o fenômeno pode atingir áreas de menor altitude e avançar para regiões do Centro-Oeste e do Sudeste, trazendo impacto potencial para lavouras sensíveis, como o milho de segunda safra.

No Rio Grande do Sul, a expectativa é de aumento na frequência de incursões de ar frio a partir da segunda semana, impulsionadas por sistemas atmosféricos que favorecem a entrada de massas de ar polar.

Nesse contexto, a atuação de ciclones extratropicais no Atlântico Sul tende a intensificar os ventos, reduzir as temperaturas e ampliar o número de noites frias ao longo do período.

Apesar desse cenário, a ocorrência de neve segue considerada rara em maio, já que depende de uma combinação específica de fatores atmosféricos que não podem ser previstos com grande antecedência.

Mesmo assim, há registros históricos relevantes, como o episódio de 1979 no Sul do Brasil e eventos associados à tempestade subtropical Yakecan, que em 2022 trouxe condições favoráveis à ocorrência do fenômeno.

Mais recentemente, no fim de maio de 2025, um ciclone extratropical favoreceu neve com acumulação em São José dos Ausentes e no Planalto Sul de Santa Catarina, reforçando a variabilidade climática desse período.

Para 2026, no entanto, esse tipo de evento não pode ser antecipado em previsões de longo prazo, já que depende de condições específicas observadas apenas em curto prazo.

Formação do El Niño ganha força com aquecimento do Pacífico

Paralelamente às mudanças regionais, o cenário no Pacífico Equatorial indica a possibilidade de formação do El Niño entre maio e junho, em um processo considerado mais precoce que o padrão histórico.

Esse movimento está associado ao aquecimento significativo das águas subsuperficiais do oceano, que passaram a apresentar valores acima da média em diferentes profundidades.

Após o período de La Niña, uma intensa Onda de Kelvin avançou pelo oceano carregando grande volume de água aquecida entre 100 e 250 metros de profundidade.

Nesse sistema, as anomalias térmicas chegaram a cerca de 8°C acima da média, indicando um reservatório expressivo de calor pronto para emergir à superfície.

Com a tendência de ascensão desse calor nas próximas semanas, o processo de acoplamento entre oceano e atmosfera deve se intensificar, favorecendo a consolidação do fenômeno climático.

Ainda assim, os impactos mais relevantes do El Niño sobre o clima brasileiro costumam ocorrer meses depois, quando a resposta atmosférica se torna mais evidente e consistente.

Indicadores como o Índice de Oscilação Sul já apresentam sinais compatíveis com esse processo, sugerindo que a transição deve se fortalecer ao longo dos próximos meses.

Chuva acima da média no Sul contrasta com seca no Brasil Central

Enquanto o Sul deve enfrentar episódios frequentes de instabilidade, o comportamento da chuva no restante do país tende a seguir um padrão distinto, com redução gradual dos volumes em áreas do Centro-Oeste e Sudeste.

Na capital gaúcha, por exemplo, a média mensal de precipitação passou de 94,6 mm na série 1961-1990 para 112,8 mm na série 1991-2020, indicando tendência de aumento ao longo das últimas décadas.

Esse cenário ganhou destaque em maio de 2024, quando Porto Alegre registrou o mês mais chuvoso de sua série histórica iniciada em 1910, segundo dados do Inmet.

Na ocasião, o acumulado atingiu 539,9 mm, superando inclusive setembro de 2023, que até então ocupava a liderança no ranking de precipitação.

Para maio de 2026, os modelos climáticos apontam para volumes próximos ou acima da média na maior parte do Sul, com possibilidade de acumulados elevados em diferentes períodos do mês.

Em algumas áreas, a chuva pode ocorrer de forma recorrente, com episódios semanais capazes de gerar volumes expressivos já na primeira metade do período.

Rio Grande do Sul e Santa Catarina devem concentrar os maiores acumulados, enquanto o norte do Paraná tende a apresentar comportamento mais próximo da média histórica.

Por outro lado, o Centro-Oeste e o Sudeste entram em uma fase de redução das chuvas, acompanhando a aproximação do inverno e o avanço da estação seca no Brasil Central.

Nesse contexto, capitais como Brasília, Belo Horizonte e São Paulo passam a registrar volumes significativamente menores em comparação aos meses de verão.

Em São Paulo, a média de maio é de 66,3 mm, valor bem inferior aos 292,1 mm observados em janeiro, período mais chuvoso do ano.

De forma semelhante, Belo Horizonte apresenta média de 28,1 mm em maio, contra 330,9 mm em janeiro, enquanto Brasília registra cerca de 26,9 mm no mesmo período.

Temperatura acima da média em parte do país e avanço do frio no Sul

Além do contraste na chuva, o comportamento térmico também deve variar entre as regiões, com tendência de temperaturas acima da média em grande parte do Centro-Oeste e do Sudeste.

Nessas áreas, são esperados vários dias de calor ao longo do mês, intercalados com eventuais incursões de ar frio que podem provocar quedas temporárias de temperatura.

Uma dessas incursões pode ocorrer na segunda semana de maio, alcançando estados como São Paulo e regiões do sul de Minas Gerais com características mais próximas do inverno.

Mesmo com episódios pontuais de resfriamento, a tendência predominante ainda indica desvios positivos de temperatura ao longo do período.

No Sul, o comportamento deve ser mais equilibrado, com Paraná e Santa Catarina registrando valores próximos da média histórica, embora com áreas de leve aquecimento no norte paranaense.

Já no Rio Grande do Sul, a expectativa é de um mês mais frio, especialmente na Metade Sul, onde a frequência de massas de ar polar tende a ser maior.

Outro elemento típico de maio é o aumento na ocorrência de nevoeiro e neblina entre a madrugada e o período da manhã, fenômenos que podem reduzir a visibilidade em diversas regiões.

Em determinadas situações, a cerração pode persistir até o fim da manhã ou mesmo avançar pela tarde, dependendo das condições atmosféricas locais.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x