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Chuvas de quase 200 mm devastam Pernambuco e Paraíba em menos de 24 horas, deixam seis mortos, 2.190 desabrigados, quebram recordes pluviométricos de 30 anos e provocam deslizamentos que soterraram mãe e bebê de seis meses em Olinda, enquanto quase 500 pessoas precisaram ser resgatadas ilhadas pelas enchentes

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 03/05/2026 às 08:02
Atualizado em 03/05/2026 às 11:49
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Temporais extremos atingiram Pernambuco e Paraíba no feriadão, deixaram 2.190 pessoas desabrigadas ou desalojadas
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Temporais extremos atingiram Pernambuco e Paraíba no feriadão, deixaram 2.190 pessoas desabrigadas ou desalojadas, provocaram seis mortes, romperam pontes, bloquearam rodovias e registraram acumulados próximos de 200 mm em 24 horas, enquanto o INMET mantém alerta laranja para novos temporais no Nordeste.

Segundo o Diário do Grande ABC, o balanço da Defesa Civil de Pernambuco divulgado na manhã deste sábado, 2 de maio, contabiliza 1.096 pessoas desabrigadas, que perderam suas casas, e outras 1.094 desalojadas, que precisaram deixar temporariamente seus imóveis. Ao todo, 2.190 pessoas foram diretamente afetadas pelos temporais que atingiram o estado desde a tarde de sexta-feira, 1º de maio.

Seis pessoas morreram: quatro em Pernambuco, vítimas de dois deslizamentos em Olinda e no Recife, e duas na Paraíba, eletrocutadas durante uma corrida em Guarabira, quando um fio energizado entrou em contato com uma poça d’água. A cidade de Abreu e Lima registrou 199 milímetros de chuva. Goiana registrou 196 mm, Paulista 189 mm, Camaragibe 187 mm, e Olinda e Igarassu chegaram a 184 mm e 183 mm, respectivamente.

Na Paraíba, Alhandra acumulou 191 mm e Pilar chegou a 170 mm, volumes que, segundo a Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba, superam os maiores índices registrados nos últimos 30 anos. O governador Lucas Ribeiro decretou estado de calamidade pública na sexta-feira, e a governadora Raquel Lyra, de Pernambuco, sobrevoou as áreas mais afetadas e resumiu a dimensão do evento: “O volume de água superou as expectativas.”

Deslizamentos em Olinda e no Recife deixaram quatro mortos durante o pico das chuvas

Os quatro mortos de Pernambuco foram vítimas de dois deslizamentos que ocorreram com poucos minutos de diferença na Região Metropolitana do Recife, durante a madrugada de sexta para sábado. Naquele momento, as chuvas atingiam o pico de intensidade e o solo encharcado das encostas começou a ceder.

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O primeiro deslizamento ocorreu no Alto da Bondade, em Olinda. A barreira cedeu sobre uma residência, soterrando uma mulher de 21 anos e sua filha de seis meses, que não sobreviveram. Cinco pessoas ficaram feridas no mesmo deslizamento, mas seus estados de saúde não foram divulgados pela Defesa Civil.

O segundo deslizamento foi em Dois Unidos, na zona norte do Recife. Uma mulher, cuja idade não foi informada, e seu filho de seis anos foram soterrados pela barreira que desabou sobre a casa da família. Os dois eventos ocorreram em bairros de encosta, onde a combinação entre chuva extrema, solo saturado e ocupação vulnerável transforma a madrugada em risco imediato de morte.

Encostas vulneráveis de Olinda, Recife e Camaragibe repetem padrão visto em tragédias anteriores

Os deslizamentos ocorreram em bairros onde casas foram construídas progressivamente sobre terrenos íngremes, muitas vezes sem a infraestrutura de contenção exigida por chuvas extremas. São áreas que já apareceram em tragédias anteriores da Região Metropolitana do Recife.

Em abril de 2022, chuvas em Pernambuco deixaram mais de 100 mortos na região metropolitana. A estrutura das encostas, em muitos pontos, segue vulnerável. O padrão de ocupação e risco também permanece, especialmente em comunidades com pouca margem para evacuação rápida.

Em Paulista, um deslizamento no bairro Jardim Paulista Baixo atingiu um imóvel e deixou oito pessoas desalojadas. No Recife, no bairro Passarinho, outro deslizamento seguido de desabamento levou à informação de duas pessoas soterradas, e equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas.

Quase 500 pessoas foram resgatadas ilhadas em Pernambuco durante a madrugada

Ao longo da madrugada e da manhã de sábado, o Corpo de Bombeiros de Pernambuco resgatou quase 500 pessoas ilhadas pelas enchentes em diferentes pontos do estado. As operações ocorreram enquanto as chuvas ainda provocavam alagamentos, transbordamentos e dificuldade de acesso.

Esse tipo de resgate mostra que o impacto dos temporais não ficou restrito às encostas. A água avançou também sobre ruas, áreas baixas, margens de canais e imóveis em regiões urbanas com drenagem insuficiente.

Quando o volume de chuva supera a capacidade de escoamento, a cidade perde mobilidade em poucas horas. Famílias ficam presas dentro de casa, veículos são cercados pela água e equipes de emergência precisam atuar em múltiplas ocorrências ao mesmo tempo.

O que 199 milímetros de chuva em 24 horas significam para bairros de encosta e áreas urbanas

Para a maioria das pessoas, 199 milímetros de chuva é apenas um número técnico. Para quem vive em bairros de encosta de Olinda, Recife e Camaragibe, é o número que explica por que a barreira cedeu, por que a rua virou rio e por que bombeiros passaram a madrugada retirando famílias de áreas alagadas.

Um acumulado de 199 mm em 24 horas significa 199 litros de água caindo sobre cada metro quadrado de superfície. Em áreas urbanas impermeabilizadas, onde asfalto, concreto e construções cobrem grande parte do solo, praticamente toda essa água escoa. Ela não infiltra, não é absorvida e segue para calçadas, ruas, bueiros e canais.

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Quando o volume ultrapassa a capacidade dos sistemas de drenagem, projetados para eventos menores, a água transborda, invade casas e encharca encostas. A partir desse ponto, a gravidade faz o resto: o solo perde estabilidade, barreiras deslizam e imóveis em áreas de risco ficam expostos.

Seis cidades de Pernambuco superaram 180 mm de chuva e entraram em condição de chuva extrema

A Apac, Agência Pernambucana de Águas e Clima, registrou seis cidades de Pernambuco com acumulados acima de 180 mm em 24 horas. Esse patamar, pelos critérios meteorológicos brasileiros, caracteriza chuva extrema e exige resposta imediata de Defesa Civil.

Abreu e Lima chegou a 199 mm, Goiana a 196 mm, Paulista a 189 mm, Camaragibe a 187 mm, Olinda a 184 mm e Igarassu a 183 mm. Em comparação, a média histórica de chuva para todo o mês de maio no Recife é de aproximadamente 270 mm.

Chuvas de quase 200 mm devastam Pernambuco e Paraíba em menos de 24 horas, deixam seis mortos, 2.190 desabrigados, quebram recordes pluviométricos de 30 anos e provocam deslizamentos que soterraram mãe e bebê de seis meses em Olinda, enquanto quase 500 pessoas precisaram ser resgatadas ilhadas pelas enchentes
Temporais extremos atingiram Pernambuco e Paraíba no feriadão, deixaram 2.190 pessoas desabrigadas ou desalojadas

Isso significa que, em algumas cidades da região metropolitana, a chuva de uma única madrugada representou cerca de dois terços do volume esperado para o mês inteiro. A concentração temporal foi o fator decisivo: não foi apenas chover muito, foi chover muito rápido.

Paraíba decretou calamidade após recordes de chuva, pontes danificadas e rodovias intransitáveis

Enquanto Pernambuco contabilizava mortos e desabrigados, a Paraíba enfrentava seus próprios recordes. A Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado, a Aesa, documentou que os volumes registrados em Alhandra, Pilar, São José dos Ramos e Mogeiro superaram os maiores índices dos últimos 30 anos.

Alhandra acumulou 191 mm, Pilar registrou 170 mm, São José dos Ramos chegou a 128 mm e Mogeiro marcou 117 mm. A cidade de Ingá concentrou alguns dos danos estruturais mais graves, com a ponte que passa pelo trecho urbano parcialmente rompida após o transbordamento do rio que corta o município.

A BR-230, uma das principais rodovias do interior paraibano, ficou com trechos intransitáveis, assim como a PB-032 e a PB-054. O isolamento de comunidades ribeirinhas dificultou a chegada das equipes de resgate nas primeiras horas após os temporais.

João Pessoa teve famílias desabrigadas e governo mobilizou recursos emergenciais

Em João Pessoa, 11 famílias ficaram desabrigadas e foram encaminhadas a uma escola local usada como abrigo temporário. A medida foi parte da resposta emergencial à chuva intensa que atingiu a capital e outros municípios paraibanos.

O governador Lucas Ribeiro decretou calamidade pública na tarde de sexta-feira, ainda enquanto as chuvas estavam no pico. O decreto permite mobilizar recursos de emergência com menos barreiras burocráticas.

Na prática, a medida agiliza contratações, libera recursos e permite requisição de bens e serviços em regime de urgência. Em eventos desse tipo, a velocidade da resposta pública pode definir a diferença entre isolamento prolongado e atendimento rápido às famílias atingidas.

INMET mantém alerta laranja para Pernambuco, Paraíba e outros estados do Nordeste

O Instituto Nacional de Meteorologia emitiu alerta laranja, classificação de perigo, para Pernambuco, Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte, Maranhão e Piauí neste sábado, 2 de maio. O alerta prevê temporais entre 50 e 100 mm por dia, com ventos intensos de 60 a 100 km/h.

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As regiões cobertas em Pernambuco incluem a Região Metropolitana do Recife, a Zona da Mata e o Agreste. Na Paraíba, o alerta abrange a Mata Paraibana, o Agreste Paraibano e a Borborema.

A previsão indica que Litoral, Agreste e Brejo paraibano podem seguir com tempo instável ao longo do fim de semana. Isso significa que equipes de resgate, Defesa Civil e famílias afetadas ainda podem enfrentar novas chuvas enquanto lidam com os impactos dos temporais anteriores.

Zona de Convergência Intertropical alimenta temporais no Nordeste durante o início de maio

O mecanismo meteorológico por trás dos temporais é a Zona de Convergência Intertropical, a ZCIT. Essa faixa de convecção tropical migra para o hemisfério sul entre março e junho, organizando bandas de nuvens carregadas sobre o litoral e o agreste nordestino.

Em maio de 2026, a ZCIT está posicionada de forma particularmente ativa sobre o Nordeste, favorecida por temperaturas oceânicas acima da média no Atlântico Tropical Norte. Esse mesmo mecanismo já havia intensificado chuvas de abertura da estação chuvosa nordestina ao longo de fevereiro, março e abril.

Quando a ZCIT atua sobre áreas urbanas vulneráveis e solos já úmidos, o risco aumenta rapidamente. A chuva deixa de ser apenas um evento meteorológico e passa a ser um fator de crise urbana, social e humanitária.

Rio Grande do Sul também enfrentou chuva extrema no mesmo fim de semana por outro sistema meteorológico

Enquanto o Nordeste era atingido pela ZCIT, o Rio Grande do Sul vivia seu próprio evento extremo, mas por mecanismo completamente diferente. Desde a tarde de sexta-feira e ao longo da madrugada de sábado, chuvas fortes associadas a uma frente fria causaram alagamentos, quedas de árvores, bloqueios de rodovias e deixaram centenas de pessoas desalojadas.

Ao todo, 19 municípios relataram estragos à Defesa Civil estadual. A cidade de Rosário do Sul, na Fronteira Oeste, registrou 324 mm de chuva em apenas sete horas, o maior volume informado em um único evento no estado durante o feriadão.

O Brasil entrou no primeiro fim de semana de maio com emergências climáticas simultâneas em extremos opostos do país. No Nordeste, a chuva veio da convecção tropical da ZCIT; no Sul, de uma frente fria associada a um ciclone extratropical.

Tragédia em Pernambuco e Paraíba repete padrão de risco visto em 2022, 2024 e 2025

A tragédia em Pernambuco e na Paraíba não é um episódio isolado na história recente dos dois estados. Em abril de 2022, chuvas extremas na Região Metropolitana do Recife deixaram mais de 100 mortos, na maior tragédia climática de Pernambuco em décadas.

Em junho de 2024, novos episódios de deslizamento voltaram a atingir a mesma região, com mortes em áreas de encosta. Em maio de 2025, a região metropolitana registrou eventos semelhantes, com vítimas em Olinda e Paulista.

O padrão se repete porque as causas estruturais continuam presentes. Encostas ocupadas por comunidades sem alternativas de moradia, drenagem insuficiente, solos encharcados e alertas que nem sempre conseguem se transformar em evacuação efetiva antes do pior momento da chuva.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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