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China planta mais florestas que o resto do mundo somado em uma década, com 1,36 milhão de hectares por ano, enquanto Brasil perde área verde e entra na contramão global

Publicado em 22/03/2026 às 21:43
China lidera reflorestamento com florestas contra desertificação; Brasil perde área florestal e expõe escolhas ambientais na década.
China lidera reflorestamento com florestas contra desertificação; Brasil perde área florestal e expõe escolhas ambientais na década.
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Relatório da FAO indica que a China plantou, de 2015 a 2025, média de 1,36 milhão de hectares de florestas por ano, superando a soma dos nove países seguintes. No mesmo período, o Brasil perdeu área florestal e reverteu um ciclo de expansão anterior com impactos ambientais, econômicos e políticos.

A China liderou o reflorestamento global na última década ao registrar média anual de 1,36 milhão de hectares de florestas plantadas entre 2015 e 2025, um ritmo que, na prática, coloca o país isolado no topo da lista de expansão florestal.

Ao mesmo tempo, o Brasil aparece na direção oposta: o país reduziu sua área florestal em média 72.440 hectares por ano no período recente analisado, revertendo um cenário anterior de crescimento e abrindo um contraste difícil de ignorar quando se fala em clima, território e políticas públicas.

O dado que colocou a China muito à frente dos demais

O número central é direto: a China manteve 1,36 milhão de hectares de floresta plantada por ano de 2015 a 2025. Essa média supera, sozinha, a soma do desempenho dos outros nove países que mais plantaram florestas no período observado.

Na comparação, o Canadá, 2º colocado, registrou 444 mil hectares por ano, menos de um terço da média chinesa. A Índia, 3ª colocada, aparece com 152 mil hectares por ano. A leitura é simples: a distância não é marginal, é estrutural, e muda a escala do debate sobre restauração florestal no mundo.

Por que a China acelerou o reflorestamento na última década

O plantio de árvores é tratado como prioridade na China há décadas, com presença recorrente em planos nacionais. Um fator explicitamente associado a esse impulso é a desertificação no norte do país, que afetava a produtividade das terras e se conectava à ocorrência de tempestades de areia.

Quando a degradação do solo e o avanço de áreas áridas começam a pressionar a agricultura, o abastecimento e a estabilidade de infraestruturas, a resposta tende a deixar de ser pontual e passa a virar política de Estado.

Nesse contexto, reflorestamento não é só paisagem: vira ferramenta para reduzir impactos ambientais, proteger áreas produtivas e diminuir riscos para cidades, estradas e comunidades.

Taklamakan e a barreira de 3.000 quilômetros ao redor do deserto

No noroeste do país está o deserto de Taklamakan, descrito como o 2º maior de areias móveis do mundo. A região registrou expansão a partir dos anos 1950, e as dunas se deslocam com o vento, o que historicamente prejudicava áreas ao redor e ameaçava estruturas como rodovias e habitações.

É nesse cenário que entra um marco citado: em 1978, a China iniciou um grande projeto de reflorestamento de áreas áridas, com a implantação de uma barreira de 3.000 quilômetros de árvores ao redor do Taklamakan.

Entre os resultados associados, aparecem a redução de tempestades de areia e o uso de áreas antes problemáticas para atividades econômicas, como cultivo de frutas e plantas medicinais.

Plantar árvores como política climática e também como economia

A China também associa o reflorestamento a efeitos além do controle da desertificação. Entre os exemplos citados, estão a mitigação do calor em cidades e a abertura de caminhos para o ecoturismo, mostrando como o plantio de árvores pode ser tratado como investimento de longo prazo, com retorno ambiental e social.

Em 2025, foi informado que a taxa de cobertura florestal da China atingiu 25,1%. No mesmo conjunto de dados, zonas de ecoturismo registraram mais de 3 bilhões de viagens no ano anterior, um indicador de que áreas verdes e turismo podem caminhar juntos quando há infraestrutura e política pública contínua.

A escala de 2025 e o que esses números dizem sobre prioridades

Os registros de 2025 apontam que as áreas de reflorestamento na China ultrapassaram 3,56 milhões de hectares no ano.

Além disso, houve restauração de quase 4,93 milhões de hectares de pastagens degradadas, ampliando a ideia de recuperação ambiental para além de florestas, com ações em diferentes tipos de paisagens e usos do solo.

Na prática, isso sugere um esforço em múltiplas frentes: plantar, restaurar e reorganizar territórios degradados para reduzir vulnerabilidades e, ao mesmo tempo, sustentar atividades econômicas. É uma agenda que mistura ambiente, infraestrutura e desenvolvimento, ainda que os resultados e desafios variem conforme região e implementação.

Brasil na contramão e o contraste que mudou de sinal

Enquanto a China expande, o relatório citado registra que o Brasil recuou sua área florestal em média 72.440 hectares por ano na última década considerada.

O contraste fica ainda mais evidente porque isso reverte a tendência anterior: de 2000 a 2015, o país manteve média de 419 mil novos hectares de floresta por ano.

Essa virada de sinal importa porque muda a posição do Brasil no cenário comparativo: de um período associado a expansão para outro marcado por perda. Não é apenas uma disputa de ranking, mas um retrato de como escolhas nacionais, capacidade de execução e prioridades podem alterar o rumo de um indicador ambiental em poucos anos.

Com informações do portal 360.

Quando você coloca lado a lado a China plantando em escala recorde e o Brasil perdendo área verde, qual leitura faz mais sentido para você: falta de prioridade, dificuldade de execução, mudanças de estratégia ou uma combinação disso tudo?

O que deveria virar meta concreta no Brasil para a próxima década: reflorestamento, recuperação de áreas degradadas, fiscalização, incentivos econômicos, ou tudo ao mesmo tempo? Compartilhe sua opinião com um exemplo prático do que você acha que funcionaria.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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