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China fica sem lixo para queimar após construir mais de 1.000 usinas de incineração e começa a escavar aterros para alimentar fornos

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 05/01/2026 às 10:01
Atualizado em 05/01/2026 às 18:13
China fica sem lixo para queimar após construir mais de 1.000 usinas de incineração e começa a escavar aterros para alimentar fornos
A expansão das usinas criou excesso de capacidade, forçou operação abaixo do ideal e levou empresas a buscar resíduos onde antes havia sobra
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A expansão das usinas criou excesso de capacidade, forçou operação abaixo do ideal e levou empresas a buscar resíduos onde antes havia sobra

A China investiu pesado em incinerar resíduos para gerar eletricidade e aliviar a pressão sobre aterros lotados. A estratégia avançou rápido e virou uma das maiores estruturas do planeta nesse tipo de energia.

Agora, o cenário mudou. Com mais de 1.000 usinas, parte do sistema passou a enfrentar falta de lixo para manter os fornos em ritmo constante, e algumas operações recorrem até a aterros antigos.

O que aconteceu e por que isso chamou atenção

As usinas de incineração no país operam abaixo de 80 % em vários casos, mesmo com uma estrutura gigantesca já instalada. O volume de resíduos não acompanha o tamanho do parque industrial.

A capacidade diária chegou a 1,1 milhões de toneladas. Esse patamar superou metas definidas nos últimos anos e deixou claro um descompasso entre oferta de fornos e disponibilidade de lixo urbano.

O resultado aparece no chão de fábrica. Há linhas paradas, períodos curtos de operação e um custo fixo que pesa quando o forno não tem o que queimar.

Por que há menos lixo urbano disponível

Um incinerador de resíduos para geração de energia em Nanjing, província de Jiangsu (Imagem: Alamy)

A geração de resíduos caiu com uma combinação de desaceleração econômica, redução de população e melhoria na gestão doméstica. Menos consumo tende a gerar menos descarte.

Em 2022, a capacidade das plantas era de 333 milhões de toneladas por ano, enquanto a coleta de lixo doméstico ficou em 311 milhões de toneladas. Mesmo assim, a capacidade continuou crescendo depois disso.

Esse desenho deixa o sistema vulnerável. Quando a entrada de resíduos diminui, as usinas perdem volume para diluir custos e a conta fecha com dificuldade.

Como as usinas estão tentando alimentar os fornos

Algumas instalações passaram a pagar para conseguir resíduos, algo impensável no auge das crises de descarte. Outras tentam complementar a carga com resíduos industriais e restos de construção.

Também surgiram casos de escavação de aterros antigos para buscar material que ainda possa ser queimado. É uma saída que evita desligar equipamentos, já que parar completamente pode elevar perdas.

Em Anhui e Hebei, operadores admitem trabalhar bem abaixo da capacidade nominal. Em certos casos, uma em cada três linhas fica fechada o ano todo por falta de lixo, não por falha técnica.

Excesso de capacidade vira risco econômico

O problema deixou de ser tecnologia e passou a ser estrutura. Quando há mais fornos do que resíduos, a competição pelo material aumenta e a rentabilidade cai.

Linhas que operam apenas alguns meses por ano indicam um modelo sob pressão. A expansão em paralelo, sem considerar a tendência de queda do lixo urbano, amplia o risco de ativos subutilizados.

A indústria enfrenta um dilema direto: manter fornos ligados exige fluxo constante de resíduos, mas o volume disponível já não garante esse abastecimento.

Pontos de atenção sobre saúde, emissões e resíduos gerados

As emissões foram reduzidas com melhorias em filtragem, controle de gases e normas ambientais. Mesmo assim, a incineração continua produzindo materiais que exigem tratamento cuidadoso.

Em 2024, as usinas produziram 13 milhões de toneladas de cinzas volantes e 63 milhões de toneladas de lixiviados. Apenas 15 % das cinzas foram reaproveitadas, principalmente em materiais de construção.

O restante segue como resíduo complexo, caro de tratar e com destino limitado. O debate ambiental continua vivo, especialmente quando o manejo desses subprodutos falha.

Separação obrigatória reduz o lixo que chega aos fornos

A separação obrigatória de resíduos avançou desde 2017 em várias cidades. Onde a regra foi aplicada com rigor, o lixo mudou de perfil e parte dele deixou de ir para incineração como antes.

Em Shenzhen, com 18 milhões de habitantes, não há envio de resíduos domésticos para aterros. A gestão ocorre com valorização e sistemas avançados de separação.

Cinco instalações cobrem uma capacidade diária de 20.000 toneladas, ajustada ao volume atual. Para o ambiente, menos lixo é um ganho, mesmo que complique a operação financeira das usinas.

A China construiu uma rede enorme de incineração, mas o país passou a gerar menos resíduos do que consegue queimar, criando excesso de capacidade e forçando adaptações.

A consequência prática já aparece na rotina das usinas, com operação abaixo de 80 %, busca por novos tipos de resíduos e até escavação de aterros para manter os fornos funcionando.

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James
James
12/01/2026 11:45

They can get garbage from Australia if they want. We already have more “human garbage” here than government knows what to do with.

Rodrigo
Rodrigo
08/01/2026 20:15

Pq pq não trazer essa tecnologia para o Brasil e até outros países preservando um bem maior que seria o planeta? Ser humano se julga inteligente, mas na verdade não é.

Lufe Bittencourt
Lufe Bittencourt
Em resposta a  Rodrigo
25/01/2026 15:57

Pq é um desastre ao meio ambiente e só vai piorar a questão do Aquecimento Global ao invés de melhorar pois estimula o consumismo e o desperdício. Entendeu? Abraços, Lufe Bittencourt, geógrafo.

Adriano
Adriano
08/01/2026 13:29

Compra lixo do Brasil aqui tem muito em Brasília…

Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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