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China e Rússia se unem às vésperas de votação na ONU e enviam recado direto aos EUA e Israel sobre a guerra no Oriente Médio, entenda o que está em jogo

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 07/04/2026 às 10:19
Atualizado em 07/04/2026 às 10:38
China e Rússia anunciam cooperação na ONU antes de votação sobre o Oriente Médio. Os dois países pedem cessar-fogo e pressionam EUA e Israel no Conselho de Segurança.
China e Rússia anunciam cooperação na ONU antes de votação sobre o Oriente Médio. Os dois países pedem cessar-fogo e pressionam EUA e Israel no Conselho de Segurança.
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China e Rússia anunciaram cooperação conjunta no Conselho de Segurança da ONU para reduzir as tensões no Oriente Médio, às vésperas de votação sobre resolução de proteção à navegação no Estreito de Ormuz, por onde passa 25% do petróleo marítimo mundial.

Às vésperas de uma reunião decisiva no Conselho de Segurança das Nações Unidas, China e Rússia anunciaram que estão prontas para cooperar no órgão da ONU com o objetivo de reduzir as tensões no Oriente Médio e pressionar por um cessar-fogo na guerra que envolve Estados Unidos, Israel e Irã. A declaração conjunta foi feita após conversa telefônica entre o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, e o chanceler da Rússia, Sergei Lavrov, segundo informações das agências Xinhua e Reuters.

O Conselho de Segurança deve votar nesta semana uma resolução proposta pelo Bahrein sobre proteção à navegação comercial no Estreito de Ormuz, que está parcialmente bloqueado pelo Irã em razão dos ataques dos Estados Unidos e Israel ao país persa, segundo Estadão. China e Rússia são membros permanentes do Conselho com poder de veto, o que significa que qualquer posição conjunta dos dois países pode determinar se a resolução será aprovada ou bloqueada. A coordenação entre Pequim e Moscou transforma a votação em um embate diplomático com implicações que vão além do Oriente Médio.

O que Wang Yi e Lavrov declararam sobre a cooperação entre China e Rússia

China e Rússia anunciam cooperação na ONU antes de votação sobre o Oriente Médio. Os dois países pedem cessar-fogo e pressionam EUA e Israel no Conselho de Segurança.

O ministro chinês Wang Yi foi direto ao descrever a gravidade da situação. Segundo a agência Xinhua, ele declarou que a situação no Oriente Médio continua a piorar e que as hostilidades na região ainda estão se intensificando.

Para Wang Yi, a solução fundamental para garantir a navegação pelo Estreito de Ormuz reside em alcançar um cessar-fogo o quanto antes e encerrar a guerra. A mensagem é clara: enquanto houver conflito, o Estreito permanecerá em risco.

Wang Yi afirmou que China e Rússia devem “envidar esforços conjuntos para ajudar a reduzir a escalada da situação no Oriente Médio, salvaguardar a paz e a estabilidade regionais e defender a segurança comum do mundo”. O ministro chinês acrescentou que os dois países devem adotar uma abordagem objetiva e equilibrada e buscar maior compreensão e apoio da comunidade internacional.

Do lado russo, Lavrov declarou que Moscou está muito preocupada com a escalada contínua e que as operações militares devem ser interrompidas imediatamente. A Rússia afirmou estar pronta para manter comunicação e coordenação estreitas com a China.

Por que o Estreito de Ormuz é o centro da disputa e como ele conecta China e Rússia ao conflito

O Estreito de Ormuz não é um detalhe geográfico secundário nessa crise. Segundo a Agência Internacional de Energia, cerca de 25% do transporte marítimo de petróleo e derivados do mundo passa por essa rota, que separa o Irã da Península Arábica.

O bloqueio parcial pelo Irã, em resposta aos ataques dos Estados Unidos e Israel, afeta diretamente os preços globais de energia e as cadeias de suprimentos que alimentam economias em todos os continentes.

A China é um dos principais destinos do petróleo que circula pelo Estreito de Ormuz, o que transforma a questão da navegação em um interesse estratégico direto de Pequim. Para a Rússia, que também tem interesses energéticos e geopolíticos na região, a cooperação com a China no Conselho de Segurança fortalece uma frente diplomática que se opõe abertamente à postura militar de Washington e Tel Aviv.

Quando China e Rússia se alinham em uma questão no Conselho de Segurança, o peso diplomático é suficiente para alterar o rumo de qualquer resolução.

O que está sendo votado no Conselho de Segurança da ONU esta semana

A resolução proposta pelo Bahrein trata especificamente da proteção à navegação comercial no Estreito de Ormuz. O texto busca garantir que embarcações comerciais possam transitar pela rota sem risco de bloqueio ou ataque, uma resposta direta ao fechamento parcial imposto pelo Irã como parte do conflito.

Para países que dependem do petróleo que circula por ali, a resolução é uma questão de segurança econômica.

O posicionamento conjunto de China e Rússia às vésperas da votação indica que os dois países podem condicionar seu apoio à resolução a exigências de cessar-fogo. Como membros permanentes do Conselho de Segurança, ambos possuem poder de veto.

Isso significa que, se a resolução não incluir linguagem sobre o fim das hostilidades contra o Irã, China e Rússia podem bloqueá-la. A dinâmica transforma a votação sobre navegação em um campo de batalha diplomático onde o conflito no Oriente Médio será debatido em termos globais.

O recado que China e Rússia enviam aos Estados Unidos e Israel

A declaração conjunta não deixa margem para ambiguidade. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou, em comunicado citado pela Reuters, que foi manifestada “satisfação com a coincidência das abordagens da Rússia e da China na maioria das questões da agenda global”, incluindo especificamente “a situação em torno do Irã, relacionada à agressão não provocada dos EUA e de Israel contra aquele país”.

A escolha das palavras é significativa: chamar as operações militares de “agressão não provocada” posiciona China e Rússia em oposição frontal à narrativa americana.

Lavrov declarou que a Rússia está pronta para continuar realizando esforços em apoio a um cessar-fogo e ao fim da guerra, e que os esforços devem se concentrar na busca de uma solução política e diplomática. A mensagem de China e Rússia para Washington e Tel Aviv é que a via militar não terá respaldo no Conselho de Segurança enquanto os dois países mantiverem sua posição conjunta.

Se o alinhamento entre Pequim e Moscou se mantiver durante a votação, qualquer tentativa de aprovar uma resolução que não contemple o cessar-fogo enfrentará resistência direta.

O que está em jogo para o mundo com o alinhamento entre China e Rússia no Conselho de Segurança

O cenário que se desenha é de uma divisão clara no Conselho de Segurança. De um lado, China e Rússia pressionam por cessar-fogo e solução diplomática. Do outro, Estados Unidos e Israel conduzem operações militares que já alteraram a estrutura de poder no Irã.

O Bahrein propõe uma resolução sobre navegação que pode funcionar como teste para medir o equilíbrio de forças no órgão mais poderoso da ONU.

Para o restante do mundo, o alinhamento entre China e Rússia significa que a crise no Oriente Médio não será resolvida apenas no campo de batalha. Os preços de petróleo, a segurança das rotas comerciais e a estabilidade geopolítica global dependem do que for decidido nesta semana no Conselho de Segurança.

A cooperação entre Pequim e Moscou, envolvendo os dois maiores rivais estratégicos dos Estados Unidos, adiciona uma camada de complexidade que transforma o conflito regional em uma disputa de alcance planetário.

O que você acha do alinhamento entre China e Rússia às vésperas da votação na ONU? Acredita que a pressão diplomática pode forçar um cessar-fogo ou que as operações militares vão continuar independentemente do Conselho de Segurança? Deixe nos comentários. Esse é o tipo de movimentação geopolítica que afeta o preço do que você paga na bomba de gasolina e no supermercado.

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Bruno Teles

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