O Brasil participou como país convidado de honra do China Space Day 2026, em Chengdu, reforçando uma parceria espacial de 38 anos que já colocou em órbita satélites do programa CBERS usados para monitorar a Amazônia. Os dois países agora negociam o CBERS-6, equipado com radar que gera imagens mesmo sob chuva, e o CBERS-5, que será o primeiro satélite geoestacionário da cooperação. A missão amplia a autonomia tecnológica brasileira na geração de dados ambientais.
A China convidou o Brasil como país de honra do China Space Day 2026, o principal evento do setor espacial chinês, realizado em Chengdu, na província de Sichuan. A distinção reflete uma cooperação que já dura 38 anos e que produziu os satélites do programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite), utilizados diariamente por sistemas como Deter e Prodes para monitorar desmatamento, incêndios e uso do solo na Amazônia e em outros biomas brasileiros. A delegação do MCTI foi liderada pelo chefe de gabinete Rubens Diniz e incluiu representantes da Agência Espacial Brasileira e do INPE.
Os próximos passos da parceria vão muito além de repetir o que já foi feito. O Brasil e a China negociam o desenvolvimento do CBERS-6, satélite equipado com tecnologia de radar capaz de gerar imagens mesmo em períodos de chuva e nebulosidade, limitação que os satélites ópticos atuais não conseguem superar. Também está em discussão o CBERS-5, que será o primeiro satélite geoestacionário da cooperação, ampliando a capacidade nacional de gerar dados meteorológicos e ambientais sem depender de informações fornecidas por outros países.
O que é o programa CBERS e por que ele importa para o Brasil
Segundo informações divulgadas pelo GOV, o programa CBERS é a maior cooperação bilateral em tecnologia espacial entre um país em desenvolvimento e a China. Iniciado em 1988, o projeto já colocou em órbita múltiplos satélites de sensoriamento remoto que fornecem imagens da superfície terrestre usadas em monitoramento ambiental, planejamento urbano, gestão de recursos naturais e resposta a desastres. Os dados são distribuídos gratuitamente, beneficiando não apenas Brasil e China, mas também outras nações da América do Sul e da África.
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Para o Brasil, o CBERS é a espinha dorsal do monitoramento da Amazônia. Os sistemas Deter e Prodes, operados pelo INPE, utilizam imagens dos satélites CBERS para detectar desmatamento em tempo quase real e calcular taxas anuais de perda florestal, informações que orientam operações de fiscalização do Ibama e políticas públicas de conservação. Sem os satélites próprios, o país dependeria inteiramente de dados fornecidos por agências estrangeiras, o que comprometeria a autonomia na gestão do maior ativo ambiental do planeta.
O CBERS-6 com radar que enxerga através da chuva
A principal limitação dos satélites ópticos é que eles dependem de céu limpo para gerar imagens úteis. Na Amazônia, onde a cobertura de nuvens é intensa durante boa parte do ano, essa restrição significa que grandes áreas ficam invisíveis por semanas ou meses, justamente nos períodos em que o desmatamento pode avançar sem ser detectado. O CBERS-6 resolve esse problema com tecnologia de radar de abertura sintética (SAR).
O radar emite ondas eletromagnéticas que atravessam nuvens e chuva, refletem na superfície e retornam ao satélite, gerando imagens independentemente das condições atmosféricas. Para o monitoramento da Amazônia, isso significa capacidade de vigilância contínua 365 dias por ano, sem as janelas de invisibilidade que desmatadores exploram para operar durante a estação chuvosa. A China possui experiência avançada em satélites com radar e transferirá parte dessa tecnologia para o projeto conjunto.
O CBERS-5: o primeiro satélite geoestacionário da parceria
Enquanto os satélites CBERS anteriores operam em órbita baixa e passam sobre cada ponto da Terra a cada poucos dias, o CBERS-5 será posicionado em órbita geoestacionária, a cerca de 36 mil quilômetros de altitude, onde permanecerá fixo em relação a um ponto do planeta. Essa posição permite monitoramento contínuo em tempo real de uma região inteira, algo que os satélites de órbita baixa não conseguem fazer.
Para o Brasil, um satélite geoestacionário próprio amplia a capacidade de gerar dados meteorológicos, acompanhar eventos climáticos extremos e prever desastres naturais com antecedência. A iniciativa reduz a dependência de informações fornecidas por satélites americanos e europeus e dá ao país autonomia para operar seus próprios sistemas de previsão do tempo e alerta de desastres. A cooperação com a China viabiliza um projeto que o Brasil dificilmente conseguiria executar sozinho pelo custo e pela complexidade tecnológica envolvidos.
O que mais Brasil e China discutiram no China Space Day
Além do CBERS, a delegação brasileira apresentou outras frentes de cooperação científica que ampliam a parceria para além do sensoriamento remoto. Entre as iniciativas estão o laboratório sino-brasileiro de clima espacial, experimentos científicos com o radiotelescópio Bingo e a articulação para uma constelação de satélites no âmbito do BRICS. Também foram discutidas ações de formação acadêmica e intercâmbio, com oportunidades para estudantes brasileiros em instituições chinesas.
O presidente Lula enviou carta ao presidente Xi Jinping, lida durante o evento, na qual destacou que os satélites do programa CBERS contribuem diretamente para o monitoramento ambiental e o planejamento territorial. “O China Space Day celebra os avanços notáveis da China no campo espacial e reafirma o valor da cooperação internacional para o uso pacífico do espaço exterior”, escreveu o presidente brasileiro, sinalizando que a parceria tem respaldo no mais alto nível político dos dois países.
O que a parceria espacial com a China significa para a soberania brasileira
A cooperação com a China no setor espacial é um dos raros exemplos em que o Brasil consegue participar de projetos de alta tecnologia como parceiro, não como comprador de produtos prontos. Cada satélite CBERS desenvolvido em conjunto transfere conhecimento para engenheiros e cientistas brasileiros, fortalecendo a capacidade nacional de projetar, construir e operar sistemas espaciais de forma cada vez mais autônoma.
Em um contexto global de tensões geopolíticas, a parceria ganha dimensão estratégica adicional. O Brasil demonstra que a colaboração científica pode funcionar como instrumento de desenvolvimento e paz, como destacou Rubens Diniz durante o evento. Para um país que depende do monitoramento da Amazônia para cumprir compromissos climáticos internacionais e proteger o maior bioma tropical do mundo, ter satélites próprios não é luxo tecnológico: é necessidade soberana.
Você sabia que o Brasil e a China constroem satélites juntos há quase quatro décadas, ou achava que o país dependia totalmente de tecnologia americana e europeia para monitorar a Amazônia? Conte nos comentários o que pensa sobre a parceria espacial e se acredita que o Brasil deveria investir mais em tecnologia própria de satélites.

Eu penso que é o fim dos tempos e que Jesus vai voltar, arrebatará sua igreja, fará justiça para com todos os humanos e anjos caídos e alguns receberam a vida eterna, o céu e alguns outros a condenação eterna. Mas basta crer, confiar, se arrepender de seus pecados, aceitar Cristo como seu unico e suficiente Senhor e Salvador e seguir uma vida na presença de Deus.