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China cria uma “máquina de pegar brinquedos” gigante para erguer caixões colossais de concreto de 1.540 toneladas e 18 metros, usa satélites para encaixá-los com precisão no mar e instala 75 em pouco mais de dois meses

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Escrito por Ana Alice Publicado em 09/09/2026 às 22:45 Atualizado em 09/09/2026 às 22:46
Máquina gigante ergue caixões de 1.540 toneladas no Canal de Pinglu, na China, com precisão para acelerar uma das maiores obras hídricas. - Imagem: Ilustrativa
Máquina gigante ergue caixões de 1.540 toneladas no Canal de Pinglu, na China, com precisão para acelerar uma das maiores obras hídricas. – Imagem: Ilustrativa
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Na China, uma estrutura que lembra uma máquina de pegar brinquedos passou a movimentar blocos de concreto de 1.540 toneladas com precisão, ajudando a acelerar uma das etapas mais complexas do Canal de Pinglu.

Uma estrutura de concreto de 1.540 toneladas, 18 metros de altura e dimensões comparáveis às de um pequeno edifício é erguida sobre a água por um equipamento que, visto de longe, lembra a garra de uma máquina de pegar brinquedos.

A cena foi registrada em Qinzhou, no sul da China, durante uma das etapas mais delicadas da construção do Canal de Pinglu.

O sistema chamou atenção em agosto de 2026 ao aparecer em imagens das obras do Ancoradouro nº 1 do Canal de Pinglu, na Região Autônoma de Guangxi.

Por trás da aparência curiosa, porém, existe uma operação de engenharia pesada: ferramentas de içamento especialmente desenvolvidas trabalham em conjunto com um navio-guindaste de 2.600 toneladas de capacidade para levantar enormes caixões pré-moldados e posicioná-los com precisão no mar.

A etapa avançou rapidamente depois das primeiras imagens.

O primeiro caixão foi instalado em 25 de junho de 2026 e, em 4 de setembro, os responsáveis concluíram a colocação das 75 estruturas previstas no ancoradouro.

A conclusão ocorreu poucos dias antes de outro marco do megaprojeto.

Em 8 de setembro, a autoridade de transporte aquaviário de Guangxi informou que o Canal de Pinglu já reunia condições para iniciar a operação experimental de navegação em 16 de setembro de 2026.

A “garra” precisa controlar mais de 1.500 toneladas de concreto

Os elementos movimentados pelo sistema são chamados de caixões, ou caissons: grandes estruturas pré-fabricadas usadas em obras marítimas e portuárias.

No Ancoradouro nº 1, todas as 75 unidades possuem formato especial e integram em uma única estrutura pré-fabricada o caixão e parte do sistema superior da instalação marítima.

Um dos modelos utilizados, identificado como tipo D, possui 12 metros de comprimento, 10,5 metros de largura e 18 metros de altura, com peso próprio de 1.540 toneladas.

Um dos caixões do Canal de Pinglu é suspenso durante a etapa de posicionamento marítimo; o maior modelo usado na obra chega a 1.540 toneladas e 18 metros de altura. Crédito: Pinglu Canal Group/Divulgação, via Sohu.
Um dos caixões do Canal de Pinglu é suspenso durante a etapa de posicionamento marítimo; o maior modelo usado na obra chega a 1.540 toneladas e 18 metros de altura. Crédito: Pinglu Canal Group/Divulgação, via Sohu.

Levantar uma estrutura desse tamanho é apenas parte do problema.

Ela precisa chegar ao ponto correto, ser baixada sobre a água e ficar alinhada em uma área marítima sujeita a marés, ondas, correntes e mudanças de tempo.

Foi justamente para lidar com o formato incomum e a distribuição desigual do peso que a equipe desenvolveu equipamentos específicos de içamento.

A comparação com uma “máquina de garra gigante” ganhou força porque o dispositivo prende o enorme bloco de concreto por cima antes de levantá-lo e conduzi-lo à etapa seguinte da instalação.

A Xinhua utilizou a mesma analogia ao divulgar a conclusão dos trabalhos em setembro, descrevendo a montagem como uma versão gigantesca de uma máquina de pegar brinquedos.

Um navio-guindaste de 2.600 toneladas entra na operação

O equipamento que envolve o caixão não trabalha sozinho.

Segundo informações divulgadas após a conclusão da instalação, foram desenvolvidos dois conjuntos de ferramentas especiais de içamento, utilizados com um navio-guindaste de capacidade de 2.600 toneladas.

Na primeira instalação, o processo envolveu ainda transporte terrestre até a área do cais, embarque, deslocamento marítimo e posicionamento submerso.

Para levar os caixões até o cais, os construtores utilizaram um sistema de elevação e movimentação com bolsas de ar.

Depois, a estrutura era içada, colocada sobre uma embarcação e transportada até a área do ancoradouro.

No destino, começava uma das etapas mais sensíveis: fazer um bloco com centenas de metros cúbicos de concreto chegar ao ponto previsto no fundo, mesmo sem o operador poder enxergar diretamente a posição final.

Caixões pré-moldados são transportados por embarcação durante as obras do Ancoradouro nº 1 do Canal de Pinglu, em Qinzhou, no sul da China. Crédito: Pinglu Canal Group/Divulgação, via Sohu.
Caixões pré-moldados são transportados por embarcação durante as obras do Ancoradouro nº 1 do Canal de Pinglu, em Qinzhou, no sul da China. Crédito: Pinglu Canal Group/Divulgação, via Sohu.

Satélites ajudam a colocar a estrutura no lugar certo

Para aumentar a precisão, a equipe adotou um sistema inteligente de posicionamento baseado em GNSS, tecnologia de navegação por satélite.

O sistema coleta as coordenadas do componente em tempo real e permite corrigir seu posicionamento enquanto a instalação acontece.

Segundo informações divulgadas pela Guangxi News, a solução foi usada justamente para enfrentar o desafio de alinhamento subaquático em uma região onde a visibilidade direta não é suficiente para orientar uma estrutura daquele porte.

O ambiente também reduzia o número de horas disponíveis para trabalhar.

O Ancoradouro nº 1 fica na região de Maowei Sea, em Qinzhou, próxima à saída para o mar.

Ali, tufões, variações de maré, ondas e correntes podem interferir simultaneamente na instalação.

Para aproveitar os períodos adequados, o projeto adotou turnos de 24 horas e programação dinâmica das atividades, ajustando parte das operações às janelas proporcionadas pelas marés.

As 75 estruturas foram instaladas em pouco mais de dois meses

O ritmo da operação fica mais claro quando se compara a primeira e a última instalação.

A primeira unidade chegou ao local em 25 de junho.

Em 4 de setembro, o último dos 75 caixões estava posicionado.

Foram pouco mais de dois meses entre os dois marcos.

Com isso, a parte principal das estruturas marítimas do ancoradouro atingiu uma etapa decisiva.

A instalação não significa que toda a área esteja completamente pronta.

Depois dos caixões, ainda há componentes auxiliares e outras estruturas necessárias para colocar o ancoradouro em funcionamento.

Quando concluído, o local deverá atender navios da classe de 5.000 toneladas, oferecendo espaço para parada, organização de comboios e espera antes da passagem pelas eclusas do canal.

Primeiro caixão do Ancoradouro nº 1 após a instalação; a operação inicial foi concluída em 25 de junho de 2026. Crédito: Pinglu Canal Group/Divulgação, via Sohu.
Primeiro caixão do Ancoradouro nº 1 após a instalação; a operação inicial foi concluída em 25 de junho de 2026. Crédito: Pinglu Canal Group/Divulgação, via Sohu.

A máquina faz parte de um projeto de 134 quilômetros

A enorme “garra” representa uma pequena parte de uma obra muito maior.

O Canal de Pinglu tem 134,2 quilômetros e liga a rede fluvial do interior de Guangxi ao Golfo de Beibu, abrindo uma conexão direta entre o sistema do rio Xijiang e o mar.

A construção começou em agosto de 2022.

O canal foi projetado segundo padrões capazes de receber embarcações de até 5.000 toneladas e possui três grandes complexos de navegação — Madao, Qishi e Qingnian — para superar uma diferença total de aproximadamente 65 metros de nível da água ao longo do percurso.

Em junho de 2026, a água passou a percorrer todo o canal e começaram testes integrados dos sistemas.

Já em agosto, quatro embarcações de diferentes portes participaram de ensaios em condições reais, incluindo passagem pelas eclusas, cruzamentos, ultrapassagens, manobras, atracação sob influência da maré e navegação noturna.

Canal deve cortar mais de 560 quilômetros da rota até o mar

A dimensão econômica ajuda a explicar o investimento na infraestrutura.

Segundo a Xinhua, quando o canal estiver em operação, cargas provenientes do sudoeste da China poderão percorrer mais de 560 quilômetros a menos por vias interiores para chegar ao mar, em comparação com a rota tradicional que passa pela região de Guangzhou.

O projeto integra o chamado Novo Corredor Internacional de Comércio Terra-Mar e pretende ampliar a ligação das regiões interiores chinesas com portos voltados ao comércio com o Sudeste Asiático.

Em 8 de setembro de 2026, uma semana depois da instalação do último caixão do Ancoradouro nº 1, autoridades de Guangxi publicaram o aviso que estabeleceu o início da operação experimental do canal para 16 de setembro, com período inicial previsto de um ano.

Nesse contexto, a cena da estrutura de 1.540 toneladas suspensa por uma “garra” não é apenas uma demonstração de força mecânica.

Ela mostra uma das soluções desenvolvidas para montar, em ambiente marítimo e com precisão controlada por sistemas de posicionamento, dezenas de estruturas de concreto que formarão parte da infraestrutura necessária para receber os navios que passarão pelo novo corredor.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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