China entrega Celsius Georgetown, maior navio LNG da história do país com 180 mil m³ e 298,8 metros, à Dinamarca e desafia a liderança da Coreia do Sul
A China entregou em abril de 2026 o seu maior navio LNG da história: o Celsius Georgetown, com 180 mil metros cúbicos de capacidade e 298,8 metros de comprimento, segundo a Maritime Executive. O navio foi construído pela China Merchants Heavy Industry (Jiangsu), subsidiária do China Merchants Group, e entregue à Celsius Shipping da Dinamarca.
De acordo com a cobertura especializada, o Celsius Georgetown é apenas o primeiro de 6 navios irmãos encomendados pela Celsius Shipping aos chineses. Em paralelo, a entrega do segundo navio está prevista para os próximos 3 meses. Conforme o cronograma, todos os 6 navios estarão operacionais até final de 2027, transportando GNL globalmente.
O marco simboliza um desafio direto à liderança histórica da Coreia do Sul em LNG carriers — segmento até hoje dominado pela Hyundai Heavy Industries, Samsung Heavy Industries e Hanwha Ocean. Por isso, analistas do setor projetam que a China pode fechar o gap com a Coreia em 2 a 3 anos, segundo o Maritime Executive.
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Celsius Georgetown: tecnologia membrana e tanques NO96
O Celsius Georgetown usa tecnologia de tanques tipo membrana NO96, padrão licenciado da francesa Gaztransport & Technigaz (GTT). Em primeiro lugar, essa tecnologia permite armazenar GNL em temperatura criogênica de -162°C com isolamento composto de invar e madeira balsa. Em segundo lugar, garante menor taxa de boil-off — menos de 0,1% por dia.
De acordo com especificações técnicas, o navio tem 298,8 metros de comprimento (LOA), 45 metros de boca (largura), 27 metros de calado máximo e capacidade de carga útil de 180.000 m³. Em comparação, isso equivale ao volume de 72 piscinas olímpicas em GNL líquido.
Em paralelo, a propulsão é dual-fuel com motor 2 tempos low-speed que pode queimar tanto o boil-off gas do próprio LNG quanto óleo combustível de baixo enxofre. Por consequência, o navio atende rigorosos limites da IMO 2020 e regras de emissão Tier III. Da mesma forma, possui sistema scrubber híbrido para gases de escape em rotas costeiras europeias.

China Merchants Heavy Industry: o estaleiro chinês que ousou desafiar a Coreia
A China Merchants Heavy Industry (Jiangsu) fica na província homônima, sul de Xangai. Em primeiro lugar, é subsidiária do gigante estatal China Merchants Group — com mais de US$ 250 bilhões em ativos. Em segundo lugar, foi originalmente especializada em navios mercantes graneleiros e produtos petroquímicos.
De acordo com o setor, a entrada da China Merchants em LNG carriers começou apenas em 2022, com primeira encomenda da Celsius Shipping. Em paralelo, o estaleiro investiu US$ 1,5 bilhão em modernização de docas e treinamento técnico. Em consequência, levou apenas 4 anos para entregar o Celsius Georgetown — feito impressionante.
Em paralelo, a China hoje tem 5 estaleiros principais capazes de construir LNG carriers de 180.000 m³: Hudong-Zhonghua (CSSC), Jiangnan Shipyard, China Merchants Heavy Industry, Dalian Shipbuilding Industry e CSSC New Continent Shipbuilding. Por outro lado, há mais 3 novos estaleiros em obras para entrar em operação até 2028.
A geopolítica do LNG: por que China, Coreia e Catar disputam o mar
O mercado global de LNG carriers vale mais de US$ 180 bilhões em construções até 2030, segundo a Clarksons Research. Em primeiro lugar, há 440 navios dual-fuel em operação atualmente. Em segundo lugar, há mais 764 navios em construção ou encomenda. Em consequência, frota global combinada chega a 1.204 vessels.
Conforme a IEA (International Energy Agency), a demanda global por GNL deve dobrar até 2035 — puxada por Ásia (China, Japão, Coreia, Índia) e Europa (substituindo gás russo). Da mesma forma, novos projetos de exportação no Catar (North Field East/South), EUA (Plaquemines, Corpus Christi) e Austrália sustentam crescimento.
Em paralelo, a Coreia ainda detém 70% das encomendas globais de LNG carriers em 2025. Por outro lado, a China cresce rapidamente — em 2024 capturou apenas 12% das ordens; em 2025, 22%. Em consequência, projeção para 2027 é de 30%+ market share chinês. Da mesma forma, custos chineses são 10-15% inferiores aos coreanos.
- 180 mil m³ — capacidade do Celsius Georgetown
- 298,8 metros — comprimento total (LOA)
- 45 metros de boca, 27 metros de calado
- 72 piscinas olímpicas — equivalente em GNL líquido
- 6 navios irmãos da mesma classe encomendados
- -162°C — temperatura do GNL no tanque
- 0,1%/dia — taxa de boil-off mínima
Celsius Shipping: a dinamarquesa que apostou na China
A Celsius Shipping é uma das principais armadoras de LNG do mundo, com sede em Copenhague. Em primeiro lugar, foi fundada em 2014 como spin-off do Celsius Tankers focada exclusivamente em GNL. Em segundo lugar, opera atualmente 14 navios LNG, com mais 6 em construção pela China e 4 pela Coreia.
De acordo com a Celsius, a decisão de encomendar 6 navios na China foi motivada por 3 razões: preço 15% inferior aos coreanos, prazos competitivos de 4 anos e diversificação de fornecedores. Em paralelo, a empresa pretende dobrar a frota para 30 navios até 2030, atendendo demanda europeia pós-russa.
Em consequência, a Celsius é exemplo de armadora ocidental confiando em estaleiros chineses para frota crítica de energia. Em comparação, Shell, Total e BP ainda preferem majoritariamente coreanos. Por isso, a aposta da Celsius é vista como teste de mercado — se der certo, outros podem seguir.
Impacto para o Brasil: gás de Lula da Sierra e Petrobras
Para o Brasil, a entrega do Celsius Georgetown tem implicações práticas. Em primeiro lugar, o país tem 5 terminais regaseificadores ativos: Pecém (CE), Bahia (BA), Açu (RJ), Sergipe (SE) e Guanabara (RJ). Em segundo lugar, a Petrobras importa cerca de 2 bilhões de m³ de GNL/ano via spot e contratos.
De acordo com a Petrobras, o crescimento da frota global de LNG carriers reduz custos de frete spot, beneficiando consumidores. Da mesma forma, em 2022 o frete spot chegou a US$ 300 mil/dia no pico da crise europeia. Em 2026, ronda US$ 80 mil/dia. Em consequência, gás natural fica mais acessível para indústria e termoelétricas brasileiras.
Em paralelo, o Brasil tem produção própria de gás no pré-sal — cerca de 50 milhões m³/dia em maio de 2026. Por outro lado, ainda depende de importações para atender picos de demanda. Por isso, a evolução da frota global afeta diretamente o custo da energia térmica brasileira em seca prolongada.

O salto chinês em LNG carriers e a guerra de talentos
O avanço chinês não é apenas industrial — também é tecnológico. Em primeiro lugar, a China registrou 3.500 patentes em construção naval em 2025, contra 2.100 da Coreia. Em segundo lugar, universidades chinesas como Harbin Engineering, Jiangsu University of Science and Technology e Shanghai Jiao Tong formam 15 mil engenheiros navais/ano.
De acordo com a indústria, salários médios de engenheiros navais chineses são 30% inferiores aos coreanos, embora competitividade técnica seja similar. Da mesma forma, China oferece pacotes de incentivo fiscal a estaleiros via Made in China 2025 e iniciativa Cinturão e Rota. Em paralelo, parcerias com construtores europeus (GTT, Wärtsilä) trazem know-how complementar.
Em comparação, Coreia tenta se diferenciar por tecnologia premium — solid-state batteries para propulsão híbrida, sistemas autônomos de navegação e tanques de próxima geração tipo Mark III Flex. Por isso, a Coreia aposta em alta margem em vez de volume.

Ressalva sobre qualidade e durabilidade chinesa
Embora a entrega do Celsius Georgetown seja marco, especialistas alertam para questões de longo prazo. Em primeiro lugar, navios LNG têm vida útil esperada de 25-30 anos. Em segundo lugar, qualidade de aço, solda e manutenção só pode ser plenamente avaliada após 5-10 anos de operação intensiva.
Por outro lado, há histórico de falhas em navios mercantes chineses construídos nos anos 2010 — taxas de manutenção foram 15-20% superiores aos coreanos. Da mesma forma, seguradoras como Lloyd’s e Norwegian Hull Club aplicam prêmios mais altos para frota chinesa. Outras coberturas do setor LNG estão no acervo do Click Petróleo e Gás. Será que a Celsius Shipping vai confirmar a aposta com encomendas adicionais à China nos próximos anos?

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