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China entrega Celsius Georgetown maior navio LNG do país com 180 mil m³ e 298,8 metros à Dinamarca e desafia liderança histórica da Coreia do Sul

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 15/05/2026 às 19:00
Atualizado em 15/05/2026 às 19:02
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China entrega Celsius Georgetown, maior navio LNG da história do país com 180 mil m³ e 298,8 metros, à Dinamarca e desafia a liderança da Coreia do Sul

A China entregou em abril de 2026 o seu maior navio LNG da história: o Celsius Georgetown, com 180 mil metros cúbicos de capacidade e 298,8 metros de comprimento, segundo a Maritime Executive. O navio foi construído pela China Merchants Heavy Industry (Jiangsu), subsidiária do China Merchants Group, e entregue à Celsius Shipping da Dinamarca.

De acordo com a cobertura especializada, o Celsius Georgetown é apenas o primeiro de 6 navios irmãos encomendados pela Celsius Shipping aos chineses. Em paralelo, a entrega do segundo navio está prevista para os próximos 3 meses. Conforme o cronograma, todos os 6 navios estarão operacionais até final de 2027, transportando GNL globalmente.

O marco simboliza um desafio direto à liderança histórica da Coreia do Sul em LNG carriers — segmento até hoje dominado pela Hyundai Heavy Industries, Samsung Heavy Industries e Hanwha Ocean. Por isso, analistas do setor projetam que a China pode fechar o gap com a Coreia em 2 a 3 anos, segundo o Maritime Executive.

Celsius Georgetown: tecnologia membrana e tanques NO96

O Celsius Georgetown usa tecnologia de tanques tipo membrana NO96, padrão licenciado da francesa Gaztransport & Technigaz (GTT). Em primeiro lugar, essa tecnologia permite armazenar GNL em temperatura criogênica de -162°C com isolamento composto de invar e madeira balsa. Em segundo lugar, garante menor taxa de boil-off — menos de 0,1% por dia.

De acordo com especificações técnicas, o navio tem 298,8 metros de comprimento (LOA), 45 metros de boca (largura), 27 metros de calado máximo e capacidade de carga útil de 180.000 m³. Em comparação, isso equivale ao volume de 72 piscinas olímpicas em GNL líquido.

Em paralelo, a propulsão é dual-fuel com motor 2 tempos low-speed que pode queimar tanto o boil-off gas do próprio LNG quanto óleo combustível de baixo enxofre. Por consequência, o navio atende rigorosos limites da IMO 2020 e regras de emissão Tier III. Da mesma forma, possui sistema scrubber híbrido para gases de escape em rotas costeiras europeias.

Terminal LNG da Celsius Shipping na Dinamarca com navio LNG carrier sendo descarregado
Celsius Shipping integra rede europeia de terminais LNG. Imagem: representação editorial.

China Merchants Heavy Industry: o estaleiro chinês que ousou desafiar a Coreia

A China Merchants Heavy Industry (Jiangsu) fica na província homônima, sul de Xangai. Em primeiro lugar, é subsidiária do gigante estatal China Merchants Group — com mais de US$ 250 bilhões em ativos. Em segundo lugar, foi originalmente especializada em navios mercantes graneleiros e produtos petroquímicos.

De acordo com o setor, a entrada da China Merchants em LNG carriers começou apenas em 2022, com primeira encomenda da Celsius Shipping. Em paralelo, o estaleiro investiu US$ 1,5 bilhão em modernização de docas e treinamento técnico. Em consequência, levou apenas 4 anos para entregar o Celsius Georgetown — feito impressionante.

Em paralelo, a China hoje tem 5 estaleiros principais capazes de construir LNG carriers de 180.000 m³: Hudong-Zhonghua (CSSC), Jiangnan Shipyard, China Merchants Heavy Industry, Dalian Shipbuilding Industry e CSSC New Continent Shipbuilding. Por outro lado, há mais 3 novos estaleiros em obras para entrar em operação até 2028.

A geopolítica do LNG: por que China, Coreia e Catar disputam o mar

O mercado global de LNG carriers vale mais de US$ 180 bilhões em construções até 2030, segundo a Clarksons Research. Em primeiro lugar, há 440 navios dual-fuel em operação atualmente. Em segundo lugar, há mais 764 navios em construção ou encomenda. Em consequência, frota global combinada chega a 1.204 vessels.

Conforme a IEA (International Energy Agency), a demanda global por GNL deve dobrar até 2035 — puxada por Ásia (China, Japão, Coreia, Índia) e Europa (substituindo gás russo). Da mesma forma, novos projetos de exportação no Catar (North Field East/South), EUA (Plaquemines, Corpus Christi) e Austrália sustentam crescimento.

Em paralelo, a Coreia ainda detém 70% das encomendas globais de LNG carriers em 2025. Por outro lado, a China cresce rapidamente — em 2024 capturou apenas 12% das ordens; em 2025, 22%. Em consequência, projeção para 2027 é de 30%+ market share chinês. Da mesma forma, custos chineses são 10-15% inferiores aos coreanos.

  • 180 mil m³ — capacidade do Celsius Georgetown
  • 298,8 metros — comprimento total (LOA)
  • 45 metros de boca, 27 metros de calado
  • 72 piscinas olímpicas — equivalente em GNL líquido
  • 6 navios irmãos da mesma classe encomendados
  • -162°C — temperatura do GNL no tanque
  • 0,1%/dia — taxa de boil-off mínima

Celsius Shipping: a dinamarquesa que apostou na China

A Celsius Shipping é uma das principais armadoras de LNG do mundo, com sede em Copenhague. Em primeiro lugar, foi fundada em 2014 como spin-off do Celsius Tankers focada exclusivamente em GNL. Em segundo lugar, opera atualmente 14 navios LNG, com mais 6 em construção pela China e 4 pela Coreia.

De acordo com a Celsius, a decisão de encomendar 6 navios na China foi motivada por 3 razões: preço 15% inferior aos coreanos, prazos competitivos de 4 anos e diversificação de fornecedores. Em paralelo, a empresa pretende dobrar a frota para 30 navios até 2030, atendendo demanda europeia pós-russa.

Em consequência, a Celsius é exemplo de armadora ocidental confiando em estaleiros chineses para frota crítica de energia. Em comparação, Shell, Total e BP ainda preferem majoritariamente coreanos. Por isso, a aposta da Celsius é vista como teste de mercado — se der certo, outros podem seguir.

Impacto para o Brasil: gás de Lula da Sierra e Petrobras

Para o Brasil, a entrega do Celsius Georgetown tem implicações práticas. Em primeiro lugar, o país tem 5 terminais regaseificadores ativos: Pecém (CE), Bahia (BA), Açu (RJ), Sergipe (SE) e Guanabara (RJ). Em segundo lugar, a Petrobras importa cerca de 2 bilhões de m³ de GNL/ano via spot e contratos.

De acordo com a Petrobras, o crescimento da frota global de LNG carriers reduz custos de frete spot, beneficiando consumidores. Da mesma forma, em 2022 o frete spot chegou a US$ 300 mil/dia no pico da crise europeia. Em 2026, ronda US$ 80 mil/dia. Em consequência, gás natural fica mais acessível para indústria e termoelétricas brasileiras.

Em paralelo, o Brasil tem produção própria de gás no pré-sal — cerca de 50 milhões m³/dia em maio de 2026. Por outro lado, ainda depende de importações para atender picos de demanda. Por isso, a evolução da frota global afeta diretamente o custo da energia térmica brasileira em seca prolongada.

Tanque esférico de GNL do navio Celsius Georgetown sob céu azul em alta velocidade
O Celsius Georgetown opera com 4 tanques membrana NO96 para máxima eficiência. Imagem: representação editorial.

O salto chinês em LNG carriers e a guerra de talentos

O avanço chinês não é apenas industrial — também é tecnológico. Em primeiro lugar, a China registrou 3.500 patentes em construção naval em 2025, contra 2.100 da Coreia. Em segundo lugar, universidades chinesas como Harbin Engineering, Jiangsu University of Science and Technology e Shanghai Jiao Tong formam 15 mil engenheiros navais/ano.

De acordo com a indústria, salários médios de engenheiros navais chineses são 30% inferiores aos coreanos, embora competitividade técnica seja similar. Da mesma forma, China oferece pacotes de incentivo fiscal a estaleiros via Made in China 2025 e iniciativa Cinturão e Rota. Em paralelo, parcerias com construtores europeus (GTT, Wärtsilä) trazem know-how complementar.

Em comparação, Coreia tenta se diferenciar por tecnologia premium — solid-state batteries para propulsão híbrida, sistemas autônomos de navegação e tanques de próxima geração tipo Mark III Flex. Por isso, a Coreia aposta em alta margem em vez de volume.

Trabalhadores chineses inspecionam soldas do casco do navio Celsius Georgetown
O estaleiro Jiangsu da China Merchants levou apenas 4 anos para entregar o navio. Imagem: representação editorial.

Ressalva sobre qualidade e durabilidade chinesa

Embora a entrega do Celsius Georgetown seja marco, especialistas alertam para questões de longo prazo. Em primeiro lugar, navios LNG têm vida útil esperada de 25-30 anos. Em segundo lugar, qualidade de aço, solda e manutenção só pode ser plenamente avaliada após 5-10 anos de operação intensiva.

Por outro lado, há histórico de falhas em navios mercantes chineses construídos nos anos 2010 — taxas de manutenção foram 15-20% superiores aos coreanos. Da mesma forma, seguradoras como Lloyd’s e Norwegian Hull Club aplicam prêmios mais altos para frota chinesa. Outras coberturas do setor LNG estão no acervo do Click Petróleo e Gás. Será que a Celsius Shipping vai confirmar a aposta com encomendas adicionais à China nos próximos anos?

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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