Entenda como o bloqueio chinês ao samário pode afetar caças, mísseis e arsenais dos maiores exércitos do mundo
Recentemente, a China impôs restrições à exportação de sete metais de terras raras, incluindo o samário, essencial para a produção de equipamentos militares de alta tecnologia. Essa medida foi apresentada oficialmente pelo Ministério do Comércio da China como uma ação de “proteção à segurança nacional”.
Desde então, os Estados Unidos e países aliados passaram a enfrentar desafios crescentes para manter seus estoques bélicos.
Samário é componente vital em armas modernas
O samário é indispensável para a fabricação de ímãs que mantêm sua força magnética mesmo sob altas temperaturas. Por essa razão, ele é utilizado em sistemas de mísseis, radares, armas guiadas e jatos supersônicos.
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Informações revelam que um único caça F-35 consome cerca de 22,6 kg desses ímãs. No entanto, as indústrias americanas praticamente deixaram de produzi-los devido à falta de incentivo e ao domínio chinês sobre o setor.
Mesmo com a urgência, os EUA dependem fortemente da importação desses materiais.
Cadeia de suprimentos sob pressão crescente
Desde o início da restrição, os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio pressionaram os estoques estratégicos dos países ocidentais.
Isso agravou ainda mais a demanda por peças críticas.
O Departamento de Defesa dos EUA planejava construir duas fábricas especializadas em ímãs de samário. Mas ambas as iniciativas foram paralisadas.
A justificativa oficial aponta incertezas financeiras e ausência de garantias de retorno a curto prazo. Isso trava a industrialização nacional desse recurso fundamental.
Brasil possui reservas estratégicas, mas enfrenta barreiras
Apesar de o Brasil possuir a segunda maior reserva mundial de monazita, minério que contém samário, o país ainda explora esse recurso de forma economicamente limitada.
Dados da Universidade de São Paulo e da Agência Internacional de Energia Atômica indicam que, apesar do potencial, os altos custos de extração e refino mantêm o país dependente da China.
Isso demonstra como até mesmo grandes reservas naturais não garantem, por si só, independência tecnológica ou militar.
Diplomacia em curso e corrida por autonomia
Ainda em junho de 2025, representantes da China e dos Estados Unidos reuniram-se em Londres para discutir a crise de fornecimento. Mas as expectativas de recuo por parte do governo chinês são mínimas.
A nova política de licenciamento de exportações está consolidada e não apresenta sinais de flexibilização.
Para tentar reduzir a dependência, o governo Biden autorizou contratos emergenciais para desenvolver unidades industriais em locais como Mountain Pass, na Califórnia.
Contudo, até o momento, nenhum desses projetos foi colocado em prática.

