China habilita quatro frigoríficos brasileiros para exportação e abre mercado para miúdos suínos; governo também busca avanço em produtos bovinos.
A China autorizou quatro novos frigoríficos do Brasil a exportarem carnes para o mercado chinês, em um movimento que amplia o número de empresas brasileiras habilitadas a vender para o principal destino internacional do setor. Duas unidades trabalham com carne bovina e outras duas com frango. A decisão veio acompanhada da abertura do mercado chinês para miúdos suínos e aumentou a expectativa do governo por novas autorizações ainda em 2026.
As habilitações foram anunciadas após uma rodada de auditorias realizadas remotamente. Dos 33 estabelecimentos apresentados pelo governo brasileiro às autoridades chinesas, 17 passaram pela etapa de avaliação. As informações são do Globo Rural em reportagem publicada em 30 de setembro.
China libera plantas de Minas Gerais, Pernambuco e Rio Grande do Sul
Entre os estabelecimentos autorizados para carne bovina estão a unidade da Masterboi em Canhotinho, Pernambuco, e a planta da Supremo Carnes em Carlos Chagas, Minas Gerais. No segmento de aves, receberam sinal verde a Cooperativa Dália Alimentos, localizada em Arroio do Meio, no Rio Grande do Sul, e a Avivar Alimentos, de São Sebastião do Oeste, também em Minas Gerais.
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A autorização permite que essas empresas passem a atender o mercado chinês após o cumprimento das etapas comerciais e sanitárias relacionadas aos embarques. Para o setor frigorífico brasileiro, cada nova habilitação aumenta a capacidade de atendimento ao país asiático e reduz a concentração das vendas em um grupo menor de plantas.
O ministro da Agricultura, André de Paula, afirmou ao Valor que espera novas inclusões de unidades brasileiras na lista chinesa ao longo de 2026. O governo também considera próxima uma definição sobre a entrada de miúdos bovinos, produto que ainda depende de entendimento entre os dois países.
Brasil já utilizou toda a cota de carne bovina prevista para 2026
O avanço dos frigoríficos ocorre em um momento no qual o espaço disponível dentro da cota brasileira de carne bovina já foi totalmente utilizado. Segundo a Administração-Geral de Alfândegas da China, o país atingiu em 2026 o volume de 1,106 milhão de toneladas, correspondente a 100% da quantidade destinada ao Brasil.
Por enquanto, não houve uma nova negociação para ampliar diretamente esse limite. Também não foi acertado com Pequim o aproveitamento de volumes que outros fornecedores deixaram de utilizar, possibilidade que passou a ser discutida após uma aproximação entre os governos brasileiro e uruguaio.
Brasil e Uruguai chegaram a um entendimento político para que frigoríficos brasileiros possam eventualmente utilizar parte da cota que não tenha sido preenchida pelas empresas uruguaias. A operação, contudo, ainda depende da concordância da China, responsável pela decisão final sobre qualquer alteração na distribuição desses volumes.
Governo espera ampliar acesso para produtos bovinos
A abertura para miúdos suínos reforçou a expectativa de que outras categorias possam avançar na agenda sanitária. André de Paula afirmou acreditar que a autorização chinesa para miúdos bovinos pode ocorrer em breve, embora ainda não exista confirmação oficial de quando uma decisão será tomada.
Esse tipo de abertura é relevante porque permite aproveitar partes do animal que possuem diferentes níveis de demanda no mercado interno. Para os frigoríficos, a entrada em novos destinos pode ampliar as possibilidades comerciais e melhorar o aproveitamento econômico da produção.
O resultado recente das auditorias também fortalece a agenda brasileira com Pequim em um momento no qual o país tenta diversificar os produtos enviados ao exterior, sem depender apenas dos cortes tradicionalmente comercializados.
União Europeia avança em aves e mel, mas carne bovina enfrenta prazo maior
Enquanto a relação comercial com a China apresenta novas habilitações, o cenário com a União Europeia segue outro ritmo. Técnicos europeus aprovaram os controles brasileiros relacionados ao uso de antimicrobianos nas cadeias de aves e mel, o que pode permitir a retomada das vendas após a conclusão das etapas regulatórias no bloco.
Para a carne bovina, entretanto, as autoridades europeias mantêm uma exigência mais longa. A União Europeia quer verificar os controles durante todo o ciclo de vida dos animais antes de autorizar novamente as importações, processo que, nas condições atuais, pode levar aproximadamente dois anos.
O Brasil tenta convencer os europeus a rever esse entendimento e também aguarda uma missão técnica do Reino Unido prevista para outubro.
